Firefly

Televisão segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Breaking Bad é uma série foda. Mas não, não é disso que eu vou falar. Pelo menos não agora. O fato é que depois de passar semanas devorando as temporadas da série, eu não pude encarar o fato de ter que esperar sete tortuosos dias por um novo episódio. E foi procurando preencher esses espaços inúteis de tempo entre um episódio e outro que eu acabei encontrando a tal de Firefly, uma série de ficção científica meio obscura, mas com um tema deveras interessante.

Pois é, essa imagem tosca pra caralho dá a impressão de que a série parou em algum momento distante dos anos 80. Mas a coisa não poderia ser mais diferente. Na verdade, Firefly difere muito das outras séries de ficção científica. Não que eu tenha visto muitas, ou uma sequer. Mas enfim, enquanto o enredo tradicional de ficção científica aborda alguma variação da luta do bem contra o mal, da lei contra a desordem, com alienígenas, tecnologia avançada e tudo o mais, Firefly segue numa direção totalmente distinta.

Na série, que se passa em 500 anos no futuro, a raça humana ainda se encontra sozinha no universo. A Terra a tempos deixou de suportar a crescente população e um novo sistema solar foi descoberto. A partir daí, planetas começaram a ser terraplanados, atmosferizados e seja lá o que precisar pra se tornarem habitáveis para o homem. Os planetas centrais se uniram e criaram a Aliança, formada pela junção de Estados Unidos e China, únicas potências remanescentes, e estabeleceram leis pra todo o resto do universo conhecido. Só que os planetas restantes não gostaram nada disso e foi declarada guerra entre a Aliança e o resto do pessoal, os chamados Independentes.

Mas não, ainda não é aí que a série começa. A Aliança acaba vencendo essa variação da Guerra Civil Americana e os planetas derrotados são abandonados a própria sorte. E é aí que temos a primeira grata surpresa: O seriado acompanha um dos remanescentes do lado perdedor, o ex-sargento Malcolm Reynolds. Que agora é capitão da Serenity, uma nave de transporte do tipo Firefly (Que coincidência, não?), e agora busca apenas sobreviver a base de contrabandos, roubos ou qualquer trabalho que apareça nas bordas da galáxia.

E é aí que entra a segunda grata surpresa: Como a série se concentra nos confins do universo, com o governo central mandando colonos de mãos vazias pra novas luas e planetas, enquanto sobreviventes da guerra vivem como podem, temos praticamente um novo velho oeste! Isso mesmo, cavalos, diligencias e cidades no meio do deserto onde a lei do mais forte prevalece. Com a adição de algumas naves enferrujadas vagando por aí.

afff mas não é o futuro kd tecnologia etc??, pergunta o leitor tanga. Ué, por mais que a ficção científica em geral esqueça disso, parece lógico que mesmo no futuro, somente os mais afortunados tenham pleno acesso a tecnologia de ponta de sua época. E aqui estamos no lado oposto de tudo isso, numa estratégia muito boa pra justificar a falta de lasers e efeitos especiais em geral e ainda tornar tudo mais interessante. Tipo o que eu esperaria se o Star Wars acompanhasse as aventuras do Han Solo.

Isso tudo já abriria possibilidades infinitas, mas além de Mal e a nave Serenity (Que é quase um personagem), ainda temos toda sua tripulação: A ex-soldado Zoe, o piloto Wash, a mecânica Kaylee, o mercenário Jayne e a prostituta acompanhante Inara. Além do médico Simon, sua irmã River e o Reverendo Book, que se juntam com a galera mais pra frente. Todos muito bem construídos e com personalidades distintas, tornando a máxima do criador Joss Whedon, de que a série é sobre nove pessoas olhando dentro da escuridão do espaço e vendo nove coisas diferentes totalmente apropriada.

Agora, a má notícia (Mas que poupará parte do sofrimento futuro de quem resolver assistir): A série foi cancelada em 2003, depois de 14 episódios. Mas mesmo com a Fox passando os episódios fora de ordem (Ou as vezes nem passando, colocando jogos de beisebol no lugar), Firefly atraiu uma grande base de fãs (Conhecidos como Browncoats) no curto período em que esteve no ar. O que possibilitou o lançamento do filme Serenity, que também é bem bacana e dá um final digno pro seriado. E umas HQs que preenchem os espaços vazios entre um e outro e contam o background de alguns personagens.

Eu só fico puto com o desperdício disso tudo. Provavelmente o segundo maior da história da televisão, depois de Twin Peaks. Porra, eu passo a vida toda esperando uma combinação decente de ficção cientifica e western e quando alguém finalmente cria um universo nesses parâmetros, uns executivos vão lá e fodem com tudo. Uma série que mescla a ação e humor perfeitamente, com nove personagens complexos fugindo de um governo opressor e uma conspiração por trás de tudo, eu não quero viver num mundo onde algo assim não vai pra frente…

Ok, me recompus. Se até o Futurama voltou, quem sabe? Ainda há esperanças. E sempre dá pra reassistir os 14 episódios, esperando pacientemente e amaldiçoando a Fox até o fim dos dias.

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  • Depois de passar anos ouvindo sobre como Firefly é legal, eu resolvi assiti-la no fim do ano passado e PQP! Achei muito foda mesmo. É difícil acreditar que uma série com 9 protagonistas (10 contando a nave) pudesse ser tão interessante e bem desenvolvida. Fiquei triste por só haver 13 episódios e o filme.

    PORÉM, fico muito feliz por saber que o Joss Whedon está dirigindo os Vingadores, pq é justamente um trabalho com muitos protagonistas para mostrar e Firefly mostrou que se alguém é capaz de fazer isso funcionar, esse cara é ele.

  • lucas

    Porra, verdade, tinha até esquecido disso.

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