Filmes que deveriam fazer chorar

Primeira Fila sexta-feira, 06 de março de 2009

Ontem fui a locadora pegar os últimos filmes do meu Moviepass (quem foi o puto que decidiu acabar com esse programa? Quem? Quem?) e resolvi pegar alguns que umas pessoas me indicavam há tempos. Entre eles, O Escafandro e a Borboleta. Não me lembrava bem da sinopse da história, mas sabia que se tratava de uma dessas bem tristes. Aliás, quase todo mundo disse que chorou litros com ele. Desse modo, sentei no sofá com lencinhos ao meu lado. No final do filme tinha 8 origamis de pirâmide na minha mesinha, feitos com os lenços.

O filme é baseado no livro homônimo escrito pelo ex-manda-chuva da Elle francesa, que teve um derrame cerebral e acabou com uma tal “síndrome do Locked In”. Por conta da doença, Jean-Dominique Bauby tem seu seu corpo totalmente paralizado, exceto pelo olho esquerdo. E é com esse olho que o cara consegue ditar um livro inteiro com suas memórias e impressões de sua vida no hospital e de como ele se sente preso dentro do próprio corpo, como em um escafandro. Ok, a história é triste. Só que passei bem longe de chorar. Nem aquela sensação de olhos molhados deu. Só pensava “putz…que merda, hein? Triste”. Depois pensei em vários outros filmes iguais, com histórias tristes bagarai que não me emocionaram lá tanto assim.

 Talvez se ela enfiasse essa placa no meu olho, eu chorasse.

O Som do Coração já me causou uma briga homérica com uns amigos, daquelas de quase bater o carro com as pessoas se atracando dentro. Comentei que não tinha gostado muito, que achei o filme muito cheio de clichê e quase desceram a mão em mim, dizendo que o filme é lindo e tinham chorado muito e que tipo de monstro era eu que não se emocionava com criancinhas superdotadas e sofridas que viam música em todos os sons da terra e reencontram seus pais. Tem coisa mais que clichê que isso? Era só nisso que pensava enquanto via o filme: “já vi isso antes…”

E isso vale pra filmes romantiquinhos também. Como vocês devem ter percebido (se não pelo nome, pelo avatar), eu sou minina e tenho a prerrogativa de chorar com romances melosos. E nem vou mentir que choro mesmo com muitos. Só que alguns não descem. Titanic, por exemplo. A maior parte das minhas amigas na época disseram que saíram AOS PRANTOS da sala. Eu assisti e pensei “filme legal”. Aliás, eu pensei “é disso aí que todo mundo tá falando? Eu, hein…”

 Ele morre melhor em outros filmes, hein? Oi.

Mas se engana quem pensa que só meninas se emocionam a toa… Teve um causo que até hoje tenho vontade de rir só de lembrar. Um dia fui ao cinema com quatro amigos HETERO: um brasileiro, um espanhol, um francês e um venezuelano (pra ninguém dizer “isso é coisa de *nacionalidade* boiola!”). Assistíamos Diamante de Sangue. Filme forte, final… dramático, diria. Um dos personagens principais morre de uma forma triste, numa cena bem hollywoodiana. Mas definitivamente NADA pra chorar. Só que quando olhei pros meus amigos ao lado, OS QUATRO estavam enxugando os olhos. E eu ri. Em especial porque… Ah, quem liga pra Spoiler? Porque quem morreu foi o Leonardo diCaprio. Agora imaginem quatro marmanjos se debulhando em lágrimas porque o Leo diCaprio morreu enquanto a única menina presente perguntava “véi, o que eu perdi?”

 Tá, ele tá mó bom nesse, crédito pros meninos. E chega de fotos do Leonardo diCaprio, ok.

Os três piores casos, acredito eu, envolvem uma amiga que chora copiosamente com A Pequena Sereia (preciso dizer mais alguma coisa?) e eu mesma, em tramas que me contradizem. Ou não. O que me contradiz é que sempre choro no final do Romeu+Julieta, do Baz Luhrman. SEMPRE. O que é pior é que qualquer ameba sabe que os dois morrem no final, mas isso não me impede de torcer pra que a Julieta dê um tapão no veneno do Romeu. Aquela desgraçada ACORDA, vê o homem virando um shot de veneno e meia hora depois é que se dá conta que ele tá se estribuchando. Mas não é de raiva que eu choro… É o silêncio que faz enquanto retiram os corpos. Ali sim dá pra sentir a atmosfera da morte. Mas enfim, o que interessa é que eu choro, e muito. E acho que sou só eu, nesse caso.

Pior foi quando assisti A Cor Púrpura, que uma amiga disse que chorou de soluçar porque o filme é pra lá de triste, apesar de belíssimo. Peguei emprestado. A mulher começou contando que era estuprada. Desde bem nova. Pelo próprio pai. E seus filhos haviam sido dados por aí. A mãe morreu logo. A irmã era mais bonitinha, então achou logo um pretendente. O pai delas não a deixou casar, mas falou que se o cara lá quisesse podia pegar a pobre da Whoopy Goldberg (a protagonista). Quando ela chegou na casa do cara e tomou uma pedrada na testa de um dos filhos dele, EU RI. Dêos, o que mais podia acontecer com aquela desgraçada? Era tudo tão trágico, mas tão trágico, que era cômico. Sério, eu ri ALTO, de dar gargalhada a cada catástrofe. Era quase como ver Tom e Jerry. O Tom só se fode, mas você ri. Eu vim me emocionar mesmo lá pelo meio do filme, quando as coisas começam a melhorar. Aliás, foi só depois do primeiro sorriso verdadeiro da coitada que eu chorei. Tão bonito ver uma pessoa sendo feliz pela primeira vez na vida… ISSO sim é emocionante.

 “Cara, eu me fodo tanto que nem uma foto decente minha tem no google”

O negócio todo é só de ver pessoas morrendo? Ninguém chora com Jogos Mortais. Crianças ultrapassando limites? O Riquinho salva toda a família dele quando são sequestrados e você nem chorou. Violência? Alguém aqui já chorou com Bob Esponja sendo eletrocutado por águas-vivas? Aquilo é violência pura, cara.

Enfim, leitores amados que não pagam minhas contas, contem aí mais histórias absurdas de gente que chora a toa. Tá, vale me chamar de desalmada também.

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