Far Cry 3: Blood Dragon (PC, PS3, Xbox 360)

Games quarta-feira, 05 de junho de 2013

Quando Blood Dragon teve suas primeiras amostras liberadas foi foda pra caralho. Caras, o jogo teve uma das melhores campanhas de todos os tempos, mesmo sendo apenas expansão, e deixou todo mundo na pilha… Mas muita gente se decepcionou.

Comecemos com a sinopse: No longínquo e futurístico ano de 2007, o sargento Rex Power Colt, um Mark IV Cyber Commando, junto de seu amigo Spider, um Mark IV Cyber Commando, é designado para investigar as ações do Coronel Sloan. Sloan, o cara que originou todos os Cyber Commando, endoidou e resolveu DOMINAR O MUNDO, transformando a população mundial em mutantes pré-históricos. E, claro, você deve impedi-lo.

Eu poderia contar a história inteira aqui que não faria a menor diferença: TUDO nesse jogo é um clichê dos anos 80. Há centenas e centenas de referências pop a cada instante de jogo, e a história não é diferente. Você sabe o que vai acontecer, como vai acontecer e porquê vai acontecer, mas cê vai querer ver mesmo assim.

O mais óbvio quanto à este jogo é compará-lo com o Far Cry 3 original, mas então, eu não joguei o Far Cry 3 original. Pelo que eu vi, a galera que jogou não gostou de Blood Dragon. Dizem que o jogo é muito escuro, que tem uma história idiota, que os personagens não importam e mais um monte de coisas. E querem saber? Eles tem razão. O jogo é tudo isso, mas é justamente por isso que ele é incrível!

A história inteira do jogo dura umas 3 ou 4 horas, e fazer 100% dele leva, no máximo 10 horas. O jogo tem poucas cores, mesmo com neon pra todo lado, os personagens são absurdamente clichês e porra, foda-se tudo, você só quer explodir coisas. Creio que o problema foi que a publicidade prometeu MUITO, algo como “isso é infinitamente melhor que o Far Cry 3 original”, portanto, quem esperava um jogo inteiramente novo se deparou com um “jogo de um dia”: Você vai passar um dia FODA explodindo coisas, dando risada de falas óbvias e achando easter eggs, e depois não vai mais se importar com nada alí.

Se por um lado essa simplicidade é um ponto à favor, também é um ponto contra. É um jogo curto e leve. Os gráficos são bem bonitos (Não que meu computador os rode), mas justifica-se isso em relação ao o que você joga: Há partes que seriam realmente legais de serem jogadas, partes importantes para a história inclusive, mas que são inteiramente nos CGs. Não vou mentir para os senhores: Brochante isso aí. Porra, tem um HÍBRIDO MUTANTE DE TUBARÃO E LULA GIGANTE e você não joga essa parte, e não há desculpa para isso.

Então, ao jogo em si: Diferente do que o trailer fez todo mundo pensar, os Blood Dragons são comuns no jogo. Sério, tem deles pra todo lado, e sim, eles atiram lasers pelos olhos. O sangue dos Blood Dragons (É…) tem propriedades radioativas que podem fazer um monte de paradas, desde funcionar como bomba pros marombeiros até uma arma, que é como o Sloan quer usar o troço. Como sua missão é frustrar os planos do negão (Afinal, são os anos 80), você deve destruir laboratórios e bases militares, conquistando postos avançados e completando missões opcionais.

O jogo, na real, é bem simples: Exploda coisas, livre uma base avançada do poder dos inimigos, faça missões e vá explodir coisas. Matando inimigos você ganha experiência, completando missões você ganha melhorias para suas armas. A coisas toda é bem fluida: Em poucas horas você está no nível máximo, fazendo o que bem quiser com qualquer coisa.

Seu fôlego é infinito (Nada e corra à vontade), há muita munição, as armas são realmente boas (Tanto as que atiram quanto os ataques corpo à corpo), nunca há um problema de não ter dinheiro o suficiente. Saquear o corpo dos inimigos, por exemplo, te dá dinheiro e também permite que você arranque os cyber-corações deles (Sim, você leu certo). E esses cyber-corações são os biscoitos Scooby dos Blood Dragons. Enfim, o como o próprio jogo diz, “Nós te recompensamos com Cyber-Pontos por ações realmente questionáveis. Então, nós te deixamos comprar equipamentos que permitem que você faça coisas ainda mais questionáveis”.

 Assim mesmo.

Aliás, vale à pena comentar: O jogo não é dublado em português, mas possui legendas em português, e véis, que trabalho bem feito! Há momentos que você ri com a fala dos personagens e ri mais por ver como ela foi traduzida. Um trabalho excelente mesmo… Infelizmente há coisas que, na tradução, se perdem, como isso aqui:

He said blow me… So I did.

Mas né, não dá pra ter tudo.

E assim chegamos ao que é, de longe, a melhor coisa nesse jogo: O texto. Lucien Soulban, o escritor do jogo, foi simplesmente genial. Sério, são tantas piadas idiotas, duplos sentidos, babaquices, frases de efeito… E puta que pariu, os menus. O banco de dados do jogo, que vai desde a história dos personagens até a descrição dos animais, armas, locais e o caralho a quatro me fez gargalhar alto várias e várias vezes. Não pensem, nem por um segundo, que uma única linha é inútil: Você vai perder 80% da graça desse jogo se não prestar atenção nelas.

 UHEUHEHEUHUEHUEH (Não fui eu que tirei essa foto).

Blood Dragon é um grande playground e é assim que deve ser tratado: Se divirta e pronto. Várias pessoas reclamaram que “usar um d20 como distração é tosco”. Cara, ok, cê tá jogando um dado de RPG nos inimigos, mas sério, FODA-SE. O jogo é incrível, desde que você aceite que ele não é um troço sério. Desligue sua mente e aproveite, no bom e velho estilo dos anos 80.

Além do texto, há outras duas coisas que merecem atenção: Os CGs e a trilha sonora. Como cês podem ver aí em cima, nada de 3D e firulages, os CGs são no bom e velho 8 bits, e isso dá um toque à mais no jogo. E porra, tem até peitinhos em 8 bits, e isso é foda pra caralho. Aliás, o jogo inteiro é cheio de palavrões: Quando você está longe de um inimigo e usa o botão de ataque corporal, cê manda o dedo do meio pros caras.

Desse jeito.

Quanto à trilha sonora, ela foi feita pelo duo australiano Power Glove e tá recebendo aplausos de todo mundo que jogou o troço. Pessoalmente não é o tipo de coisas que eu ouço, mas se encaixa muito bem com o resto de Blood Dragon: Eu só fiquei vendo os créditos do jogo para poder ouvir as músicas. E cê pode ouvir quatro delas aqui.

E chegamos então ao balanço final: Blood Dragon é incrível, desde que você não pense nele. Sério, não se importe em “como”, “por que”, “onde” e nada disso. Blood Dragon não é sobre explicações, realismo, possibilidades e nem nada minimamente “intelectual”. A diversão é o que importa aqui, e o jogo te dá exatamente isso: Vários e vários meios de se divertir, seja explodindo coisas, seja identificando as paródias das fitas de VHS.

Não espere grandes coisas desse jogo e ele será incrível. Claro que ele é voltado pra galera mais velha, afinal, a pirralhada de hoje em dia sequer sabe quem são as Tartarugas Ninja, mas isso não significa que o jogo perde seu valor só por você não entender as referências perde só a maior parte do valor assim: Você ainda tem armas, tem granadas, tem carros, tem um olho laser e pode explodir dinossauros copiados do Godzilla. O que mais cê pode querer?

Far Cry 3: Blood Dragon


Plataformas: PC, PS3, Xbox 360
Plataforma Avaliada: PC
Lançamento: 2013
Distribuído por: Ubisoft
Desenvolvido por: Ubisoft
Gênero: FPS

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