Eu discordo de você

Música segunda-feira, 02 de Abril de 2018

Mudança é sempre uma bagunça, mesmo quando você leva menos coisas do que tem… Neste momento estou no meu “novo” quarto, o computador está ligado na página do WordPress, o ventilador está ligado e, de maneira geral a única outra coisa dentro deste quarto é a música tocando.

Estranho dizer isso, mas as músicas que estão tocando são de dez anos atrás, da metade da década passada… Estranho também dizer isso, mas é incrível o quão permanentes são as músicas que ouvimos enquanto estamos crescendo. Claro, novos gostos surgem e velhos gostos vão embora, mas de tudo nessa vida (Ideias, opiniões, relacionamentos, achismos e tantos outros) a música parece ser a mais resiliente… Já é a segunda música do Green Day que toca aqui em sequência, e quem caralhos é Green Day nos dias de hoje?

A coisa mais doida dessa história é que eu sequer ligava grandes merdas pra Green Day na época. Sequer dá pra dizer que é uma questão de gosto adquirido, já que as músicas são as mesmas e eu percebo suas falhas melhor agora do que antes… Não, é só pela familiaridade.

Isso também é estranho. Não sou uma pessoa que dê bola pra nostalgia, inclusive acho um desserviço na maioria do tempo, uma âncora mal utilizada, mas a verdade é que é extremamente rotineiro pra mim ouvir coisas daquela época, normalmente em preferência à coisas mais atuais, ou mesmo mais antigas – coisas que eu também gosto e também ouço: Não é aquela conversa da zona de conforto.

Comumente essa relação com a música é a que me leva à entender o conservadorismo de tanta outra gente, em especial o “no meu tempo era melhor”… Eu não acho que essas músicas sejam especiais e nem melhores do que as atuais (Inclusive boa parte delas já eram ruins na época e envelheceram bem mal), mas mais de dez anos depois cá estou, ouvindo a mesma coisa, da mesma forma que tanta outra gente faz tanta outra coisa do mesmo jeito que há tanto tempo atrás. Faz sentido, entende?

De novo, não é qualitativo, só compreensível. E tal qual eu mesmo neste momento, tanta gente também está em seu próprio quarto, pra coisas muito diferentes e não relacionadas à música… Talvez seja uma (Insignificante) demonstração de maturidade, mas seria tão bobo (Pra não dizer hipócrita) classificar esse fechamento, essa isolação voluntária, como “ruim” porque, no fim das contas alienação quer dizer apenas isto, distanciamento, e se esse distanciamento é uma pausa ou ainda localizada… Não sei, parece o tipo de coisa que vira capa de revista sobre saúde, saca? 10 Sinais de que você tem Alienação e como tratá-la! Grátis uma tabela de controle calórico!.

Sei que é um tema de estudos psicológicos, neurológicos e psiquiátricos, mas pra mim é uma questão que se resume à “é o que eu quero fazer agora”: Vai lá, aproveita, qualquer coisa eu chamo… Projeção? Talvez, mas numa sociedade que preza pela conectividade constante me parece uma opção válida. Também me parece uma opção melhor que criar em volta disso uma (Outra) camada de discórdia social… Em outras palavras, é um momento antissocial, e tá tudo bem, a gente não precisa brigar por isso.

É capaz de alguém ler isto aqui e pensar em “debate”… Debate têm sumido, já notaram? Tem muito fato e muita lacração pra ter debate… Isso não vai terminar bem, mas ao mesmo tempo é parte de um processo que está acontecendo há muito, muito tempo.

Dá pra jogar muita coisa neste texto, muitas faces e interpretações que vão desde “ficar em cima do muro” até “não vamos criar novos problemas”, e muito provavelmente estarão todas certas: Isto aqui não é, de forma alguma, uma exibição de valores. Isto aqui é, por mais que não pareça, sobre música.

O que está tocando agora é Passenger, música desta década aliás, mas que já tem seis anos (Aliás eu fui pesquisar agora mesmo pra descobrir que é um cara, e não uma banda), mais por culpa da playlist automática que por minha mesmo. Disse no texto anterior mesmo que música nunca foi algo tão fundamental na minha vida assim: Posso perfeitamente ficar sem. Inclusive não tenho música nenhuma que tenha modelado minha vida ou mudado minha visão de mundo, não tenho uma trilha sonora, mas se dá pra eu colocar um valor na música pra mim mesmo é esta. Esta relação de como eu a ouço e que me faz entender um pouquinho melhor as pessoas à minha volta. Algo que, ainda que não seja o que me faz ir à um show ou comprar um CD (Sim, de vez em quando eu compro CD), me faz compreender que, às vezes, as pessoas precisam ser delas mesmas.

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