Dredd (Dredd 3D) (2)

Cinema segunda-feira, 24 de setembro de 2012

 Eu realmente não sei mais porque eu vou no cinema. Assistir um filme bom na tela grande já tá quase tão difícil quanto pegar uma série boa passando na TV ou ouvir uma música boa no rádio. Provavelmente eu acabe indo apenas pelo próprio ato de ir ao cinema. Mas como eu nunca aceitaria isso conscientemente, o meu cérebro dá um jeito de criar novas expectativas a cada maldita nova estreia. Só que a situação é pior com o Dredd. Eu tinha consciência do que ia ver. Um filme em 3D com censura 18 anos. Na pior das hipóteses, divertido. O que obviamente, não se confirmou. E nesse caso, existe outro agravante. Tudo bem, eu já me acostumei com as decepções. Porém, as coisas que eu achava uma merda costumavam ser uma merda no consenso geral. Tirando algumas aberrações como o Watchmen, por exemplo, que vocês ainda insistem em defender. Só que isso vem acontecendo cada vez menos. Tipo, o Dredd tá sendo aclamado, cara. Claro, eu não saco nada da HQ e gosto da versão do Stallone, mas isso não tem relevância nenhuma.

Ok, ok, gostar do filme do Stallone soa meio forte. Então, eu sei que ele é tosco bagarai, mas o roteiro é bacana. Tá, tem umas ideias bacanas. Enfim, o filme era um desperdício. E sim, o conceito de um remake já é errado. Mas nesse único caso, era necessário. E extremamente simples, já que era só filmar a adaptação de 1995 de um jeito certo, tirar o Rob Schneider e pronto, temos um grande filme. Só que o Dredd tentou se distanciar tanto do original que virou um desperdício maior ainda. E em troca do que? Aparentemente, de uma maior fidelidade com os quadrinhos. Tipo o fato de o Dredd nunca tirar o capacete. E… Eu já mencionei que ele nunca tira o capacete?

Nota do editor: Não é um remake.

Mas chega de comparações com coisas que eu nunca li. Caso você não seja familiarizado com o universo do filme, é só ler a sinopse da resenha do Pizurk clicando aqui. E vamos ao enredo, Dredd e a novata Anderson chegam no complexo habitacional pra investigar um triplo homicídio. Lá, eles matam um pessoal e capturam o suspeito do crime. Que não é executado no local porque Anderson (Que é médium) tem só 99% de certeza que ele matou a galera, por algum motivo. Então eles precisam interrogá-lo. O que Ma-Ma, chefe da gangue que controla o tráfico de drogas no local (E o local) não quer deixar que aconteça, já que ele pode revelar detalhes da operação e tal. Então ela sela o prédio com eles dentro e voilà, temos um filme de ação.

 Parece mais legal do que realmente é, acreditem.

A não ser pelo fato de que o Dredd não é um filme. E sim uma junção de um amontoado de elementos que deram certo recentemente, com o objetivo de levar o maior número possível de desavisados pro cinema. Parece que os realizadores assistiram o Drive, curtiram, não entenderam, e resolveram tentar lucrar em cima da fórmula. Mas o resultado se assemelha mais ao que o Sucker Punch poderia ser se o Zack Snyder tivesse alguma coragem. Ao invés de um péssimo gosto musical. Tudo bem, eu apoio a proposta que o filme apresenta, direto ao ponto, sem lições, questionamentos, e tudo mais (Quer dizer, a heroína até se pergunta sobre a validade sistema de justiça e o poder dos juizes, mas é tão insignificante que nem conta). Se, ele oferecesse algo em troca. Mas não. É apenas vazio.

Tipo, eu vi a coisa ontem e tou tendo que me esforçar muito pra lembrar do que acontece. Claro, cês podem falar que isso é comum em blockbusters e afins, mas eu tou rindo das piadas cretinas do Mercenários 2 até agora. E nada me tira da cabeça que o Dredd foi concebido exclusivamente pensando no 3D. Porque nada melhor que uma droga chamada SLO-MO, que reduz a percepção de tempo dos usuários pra 1% do normal, pra encher a tela de cenas coloridas em câmera lenta. Algumas dessas cenas pelo filme são bacanas, como as primeiras mortes vistas sob o efeito da droga. Mas a repetição acaba tirando o impacto da violência. Que deveria ser um dos principais atrativos da coisa.

Por exemplo, nada supera a cena em que corpos esfolados caem do 200° andar em velocidade normal. Ou quando um mendigo morre esmagado, talvez na única piada do filme, vejam só. E aí que está a questão. O filme sacrifica muito pra manter o ritmo cool durante o tempo todo. Faltou um certo exagero, ação de verdade. Cercado de inimigos em um complexo de 200 andares, o Dredd só se esforça uma vez, quando é alvejado por meia duzia de metralhadoras giratórias. E esses breves momentos não são suficientes pra sustentar a parada.

Por cima de tudo, fica a velha impressão de que o filme não passa do primeiro passo na construção de uma franquia. Porque qualquer elemento que poderia ser um pouco melhor explorado é simplesmente deixado de lado depois de apresentado, como vem ocorrendo com frequência demais ultimamente. Tipo logo no inicio, quando a Anderson vê o Dredd pela primeira vez, ela detecta algo de estranho na mente dele. E fica por isso mesmo. Ou a vilã, típica de filmes orientais ultra-violentos, que tem a história contada num flashback de alguns segundos. Até a jornada da heroína, cujo ponto alto é uma batalha mental meia boca, é um saco.

Todo esse esforço pra manter um clima sombrio (Que nem é tão sombrio assim) e o filme acaba caindo em algumas falhas análogas a versão de 95. Que podem ser simbolizadas pela questão do capacete, já que se fala tanto que o Stallone tirava o equipamento o tempo todo e etc. E aqui, a Anderson não usa a proteção em momento algum pelo mesmo motivo. Mas com a desculpa de que ele atrapalha os seus poderes. Ah, e claro, não podemos esquecer o momento que, sozinho, já colocaria tudo a perder. Quando Dredd (SPOILER, mas não importa) leva um tiro, o inimigo vai até ele e se prepara pra execução, quando ele diz: Espere… Então, à la vilão de 007, o bandido diz algo como Espere? É isso que o grande Dredd tem a dizer? e começa um discurso de vários minutos, até que Anderson chega e mata ele pelas costas. E encerra-se a possibilidade de levar algo a sério. Mas que teremos continuações, teremos.

E não percam, em breve, uma resenha com as verdades sobre o Ted.

Dredd

Dredd 3D (95 minutos – Ação)
Lançamento: EUA, Índia, Reino Unido, 2012
Direção: Pete Travis
Roteiro: Carlos Ezquerra, Alex Garland e John Wagner
Elenco: Karl Urban, Lena Headey, Domhnall Gleeson, Olivia Thirlby, Deobia Oparei, Langley Kirkwood, Jason Cope, Kevon Kane, Rakie Ayola

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