Diretores Clássicos: John Hughes

Clássico é Clássico segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Eu havia prometido uma “continuação” da coluna passada hoje, mas como vocês são uns cornos e só me deram um comentário um grande nome do cinema se foi nessa semana, eu resolvi adiantar uma série que vai me acompanhar até o fim dessa coluna: “Diretores Clássicos”. E tenho toda honra de começa-la com Jonh Hughes, o diretor da juventude.

Quem é?

John Hughes Jr. (18/02/1950 – 06/08/2009) foi diretor, roteirista e produtor, reconhecido por retratar a juventude de uma forma profunda e realista. Nasceu em Michigan, e foi trabalhar em Chicago em 1970, após largar a faculdade no Arizona. Mostrou talento para comédia através de artigos para a National Lampoon Magazine. Uma delas, Vacation ’58, se tornou o roteiro do clássico Férias Frustradas com Chevy Chase. Apenas um ano depois, em 1984 dirigiu seu primeiro filme: Gatinhas e Gatões. Encerraria a carreira de diretor em 1991, com apenas 8 filmes no currículo. Se destacou como roteirista e produtor de “clássicos da sessão da tarde”, como Esqueceram de Mim, 101 Dálmatas e Beethoven. Morreu de ataque cardíaco durante uma caminhada aos 59 anos.

Filmografia

Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984)
Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985)
Mulher Nota 1000 (Weird Science, 1985)
Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986)
Antes só do que mal Acompanhado (Planes, Trains & Automobiles, 1987)
Ela vai ter um Bebê (She’s Having a Baby, 1988)
Quem vê cara não vê Coração (Uncle Buck, 1989)
A Malandrinha (Curly Sue, 1991)

Clássicos Absolutos

(ou filmes que você precisa assistir antes de morrer)

Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985)

The Breakfast Club conta a história de cinco adolescentes que ficaram presos na detenção durante um sábado por terem cometidos pequenos delitos na escola, onde precisam escrever um texto sobre o que pensam sobre si mesmos. A partir daí John Hughes explorar com raríssima competência e sinceridade os medos, problemas e desejos da juventude da década de 80. Talvez seu maior êxito tenha sido por conseguir abordar “estereótipos” SEM estereotipar. Ou seja, existe o nerd, a patricinha, o esportista, o rebelde e a “dark”. Mas nenhum deles fica preso somente a essa informação – através de suas histórias e ações, vamos conhecendo e nos reconhecendo em cada um deles. A obra ganha por sua simplicidade – escrita em apenas dois dias e rodada em duas semanas, provocando nossa imersão pela veracidade de seu roteiro e da humanidade de suas atuações.
Existia ainda uma idéia genial por trás da história, mas que infelizmente não foi pra frente: fazer uma sequência a cada 10 anos, mostrando como cada personagem se desenvolveu. O máximo que tivemos foram filmes de pouca qualidade que, aproveitando a idéia de baixo orçamento, tentaram fazer uma “atualização” da história. Felizmente para os jovem de hoje, Clube dos Cinco não é um filme exatamente datado – por mais que estivesse apontando para uma juventude filha dos combatentes da Guerra do Vietnã – ele fala sobre os jovens, e por mais que o contexto mude, a essência permanece a mesma. O destaque no elenco vai para Emilio Estevez (filho de Martin Sheen e irmão de Charlie Sheen), que fez uma série de “jovens clássicos” na década de 80, como O primeiro ano do resto de nossas vidas.

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986)

Se John Hughes já poderia ser conhecido como “o filósofo da juventude” com seus três primeiros filmes, em 1986 ele chegou ao patamar de Kant e Sócrates (Q?) ao criar um dos personagens mais emblemáticos da história do cinema: Ferris Bueller. Por mais que Clube dos Cinco fosse bom o suficiente para entrar na categoria “Clássicos Absolutos” de qualquer diretor, Curtindo a Vida Adoidado seria o suficiente para elevar o status de um diretor a “lenda” por si só. Os motivos são inúmeros, citando alguns:
– Colocar um ator de 29 anos (Alan Ruck) contracenando com uma Mia Sara de apenas 17 anos, sem em nenhum momento nos fazer contestar a escalação do elenco.
– Conseguir uma atuação lendária de Matthew Broderick (indicado ao Globo de Ouro pelo papel), que provavelmente gastou todo seu carisma fazendo valer o papel, até então cogitado para John Cusack.
– Um elenco secundário marcante – quem esquece do diretor Ed Rooney ou das pontas feitas por Charlie Sheen e por Ben Stein (o professor de economia)?
– Lançar Twist and Shout de novo ao primeiro lugar das paradas após VINTE anos em uma das cenas mais famosas do cinema.
– Parafraseando a Uiara, fazer um filme jovem sem sexo, drogas e violência – que virou símbolo de uma geração.
– Um filme que apesar de simples, aborda com maestria a questão mais importante de nossas vidas: vamos deixar a ela passar por nossas mãos ou vivê-la? O tipo do filme que eu recomendo a todo mundo assistir várias vezes por ano, para lembrar que a vida passa muito rápido.

Considerações Finais

Um diretor que só fez oito filmes, e se destacou como produtor e roteirista merecia, afinal, ser considerado um diretor clássico? A resposta é sim. O que poderia ser apenas um diretor medíocre de filmes adolescente (como os milhares que temos hoje em dia) marcou gerações e vai ficar eternizado na figura de seu personagem mais marcante: Ferris Bueller. E independente da qualidade de seus “sucessores”, se você gosta de Kevin Smith ou Seth Rogen, agradeça diretamente a esse carinha de mullet.

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  • Acho que você resumiu exatamente tudo sobre John Hughes no último parágrafo. Por mais que seus filmes não tenham sido ganhadores de Oscars ou prêmios de renome, o que seria de toda a geração 80 e até 90 sem seus filmes? Seja como diretor ou como roteirista/produtor.

    Realmente, não interessa pensar sobre a qualidade de seus sucessores, comparações nem ao menos devem ser feitas, porque seus filmes marcaram épocas. E digamos também, e posteriormente, a época de ouro da “Sessão da tarde”, muito antes de passar desenhos e filmes estilo “Dragons and Dungeons”.

    Demais, disse no outro comentário (o único! rs) e repito. Grande perda.

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