Desenrola

Cinema quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Uma garota de 16 anos (Ou 15? tanto faz) fica com a casa pra ela por 20 dias, já que sua mãe viajou a trabalho. Nesse meio-tempo, ela passa por mudanças, consegue ficar com o garoto que gosta, perde a virgindade, arranja altas confusões na escola, se aproxima da menina mais popular da sala, começa a descobrir certos segredos de seu melhor amigo, se envolve com o brincalhão da sala (Com quem jamais imaginou ter algo) e faz um trabalho sobre quantas garotas virgens há no ensino médio.

Oi? Sim, isso é o filme. Parece Malhação, né? E por mais que seja um projeto que surgiu há 5 anos e que já foi série no GNT, web-série e livro, é inegável que o filme pegou onda no sucesso (de qualidade, não de público) de As Melhores Coisas do Mundo. Mas falhou. E feio.

Comparar os dois filmes é cruel, é como comparar Espanta Tubarões com Procurando Nemo. Mas… Inevitável, certo? Ambos têm premissas parecidas, situações parecidas e tratam de problemas que adolescentes enfrentam. Mas apesar de estarem na mesma faixa etária, o filme de Laís Bodanzky é muito mais maduro e real life, enquanto esse, de Rosane Svartman, fica no limbo de imitar fórmulas conhecidíssimas.

 Baladinha super legal

A diretora até tenta deixar o filme mais bonito, usando belos planos que mostram a beleza das praias de Búzios, no Rio, ou caprichando nos figurinos (Ganhou o prêmio de melhor figurino no Festival de Paulínia, inclusive), mas não deu pra esconder a fragilidade do longa. Desde o roteiro, formulaico e pobre, até às atuações. E que atuações, hein? Do elenco adulto, talvez só se salve Juliana Paes, que tem apenas uma fala no filme. Além de Pedro Bial, que se diverte em sua participação como um professor. Entre os adolescentes, atuações de novela, sem quase nenhum espaço pra improviso. Embora a protagonista, Olivia Torres, até se esforce, ela é engolida pela fraca personagem. E não falarei nada de Kayky Brito, que pode ser qualquer coisa, menos ator. Único ponto a favor dele é guardar semelhanças (Somente físicas, vejam bem) com Robert Downey Jr.

Voltando ao roteiro, ainda há espaço para a garota popular e super-decidida que não é tão segura quanto parece. E o trabalho sobre virgindade que eles fazem na escola? Sério mesmo? Sem contar o garoto que se redime pra conquistar a garota dos seus sonhos. Nem sempre cair em clichê é ruim, já que há clichês bons, sim. Mas mergulhar neles? E em todos os ruins que assolam comédias românticas adolescentes? Não tem nem defesa. E ainda há pitada brasileira na história, de maximizar os problemas da adolescência. Só faltou demonizar o álcool.

 Além da Juliana Paes, tem também a Delíc… digo, Letícia Spiller

E falando em defesa, o cinema nacional se sabota. Na mesma época em que lança um filme sóbrio, inteligente e provocador, como Tropa de Elite 2, solta filmes como esse Desenrola, que não seria interessante nem como episódio de Malhação. Usa todas as fórmulas já batidas e desgastadas do gênero, como se o público brasileiro não as conhecesse, como se fosse uma novidade, o que não é verdade, já que todo mundo sabe como começa e termina uma comédia romântica. E o maior problema nem é esse – saber como terminar -, é usar de artifícios manjados pra chegar a esse final. Um filme pode ter um final previsível e ser excelente, por ser original e extremamente bem feito, como Wall-E, que não deixa de ser uma comédia romântica.

Tá parecendo um “Ah, é história de menina, por isso você não gostou”, né? Mas não. Sério, não mesmo. É possível que aquelas garotas que adoram de se enganar, gostem (Malhação ainda existe, certo?), mas no fundo sabem que é tudo um monte de baboseira. Ponto alto do filme é tocar Don’t You Forget About Me, do Simple Minds. De  “ponto alto”, é o único, mesmo.

Desenrola

Desenrola (88 minutos – Comédia Romântica)
Lançamento: Brasil, 2011
Direção: Rosane Svartman
Roteiro: Rosane Svartman e Juliana Lins
Elenco: Olívia Torres, Vitor Thiré, Lucas Salles, Kayky Brito, Daniel Passi, Juliana Paiva

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  • Eduardo

    Ok.. mas seria um ponto pro cinema brasileiro de pelo menos tentar variar temas, não? Apesar dessa saturação de atores globais em filmes…

  • Uiara

    Comparar Kayky Brito com Robert Downey Jr. é falta gravíssima. Mais duas dessas e você leva um pé da editora que vos fala.

  • Hahahaha, mas os dois se parecem, ué.

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