(Des)controle

Kátia Klein é uma autora bem-sucedida de best-sellers infanto-juvenis autobiográficos que enfrenta uma crise criativa às vésperas da entrega do seu novo livro, ao mesmo tempo em que vive a descoberta da falência do seu casamento e administra o acúmulo das demandas dos filhos e dos pais. Sobrecarregada e em busca de alívio, ela mergulha em uma liberdade tardia, passando de uma simples taça de vinho ao total descontrole. Mesmo sabendo de seu histórico com alcoolismo, depois de 15 anos sem beber, Kátia acha que pode beber socialmente mas exagera na dose, e vai sendo gradualmente engolida pelos excessos do vício.
Eu sei que o alcoolismo é uma doença, que não é fácil de ser contida e não é exatamente controlável, mas o que esse filme me ensinou é que, se você parar a primeira vez, por conta própria, é só não voltar a beber que tá tudo certo. É óbvio que eu sei que não é assim que funciona, mas foi o que pareceu. E eu nem vejo a bebida como algo tão atrativo quanto era nos meus áureos tempos de juventude [Vai dormir, vovô].
É um assunto delicado, dá pra perceber que a produção foi feita de forma mais ou menos respeitosa [Afinal, algumas piadinhas de bêbado estão polvilhadas pelo filme], mas não existe a derrocada de fato, os problemas são sempre resolvidos sem grandes conflitos, ou são contornáveis ao ponto de serem ignorados. O que qualquer pessoa que não vive no fantástico mundo do Leblon sabe: Atos tem consequências, muitas vezes desagradáveis. É um filme pra entreter? Sim, mas chega num ponto em que eu achei descaso com a minha inteligência [Que nem é lá essas coisas].
“Eu só queria esquecer os problemas da vida.”Algumas coisas até fazem sentido, como a pessoa que trabalha com criação usando o álcool como muleta pra “desbloquear” a inspiração. Uma visão que eu acho particularmente ingênua hoje em dia, com os meus 20 anos de bagagem escrevendo na internet: Todo mundo sabe que o combustível que move as pessoas é o ódio. A despeito disso, temos uma Carolina Dieckmmann no melhor estilo Ruth e Raquel [Referência de velho] pra representar a versão sóbria e a intoxicada. Se isso é um elogio ou não fica por sua conta. O elenco de apoio faz o que tem de fazer que é apoiar, mas nada de muito destaque. E eu tenho um problema com a Júlia Rabello, ela pra mim é tipo o Daniel Radcliffe: Todos os papéis em que eu vejo ela me remetem automaticamente ao Porta dos Fundos [Mais uma vez, se isso é um elogio ou não fica por sua conta].
“Isso que dá ficar escrevendo de madrugada ao invés de ir dormir.”Num geral, é uma espécie de episódio especial do He-Man, falando sobre os malefícios do álcool, mas com um certo nível de atuação de novela. Mas eu também não assisto uma novela faz anos, pode ser que o negócio tenha mudado. O que eu sei é, para fins de entretenimento, os bêbados da ficção acabam sempre sendo muito funcionais, e qualquer um que já ficou podre tomando vodka genérica sabor frutas vermelhas tem consciência de que não é assim que a pessoa fica quando o negócio descamba. Por outro lado, não é em todo material de audiovisual que cabe uma pessoa apagada por duas horas dentro de um banheiro lavado no vômito.
Acordar em locais inesperados também não é uma constante como a ficção faz parecer.O recado final é: Não bebam, crianças. E se forem beber, evitem operar maquinário pesado, como carros, empilhadeiras, guindastes e sua mãe.
(Des)controle
(Des)controle (96 minutos – Comédia Dramática)
Lançamento: Brasil, 2025
Direção: Rosane Svartman e Carol Minêm
Roteiro: Iafa Britz, Felipe Sholl e Bia Crespo
Elenco: Carolina Dieckmmann, Caco Ciocler, Júlia Rabello
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026 
