Da arte de ter um blog sobre literatura

Livros terça-feira, 05 de junho de 2012

Estava eu assistindo o episódio infelizmente não-semanal de Top Gear quando derrepemte me veio a mente algo totalmente não relacionado: E esses blogs sobre livros? Deixando de lado as constantes “promoções” para ganhar um livro, o que eles oferecem, qual o ponto… O que caralhos estes filhos da puta fazem?

 Imagem randômica para ninguém ficar triste.

Uma coisa que a internet me ensinou nesses anos todos (118 no total) é que o mainstream costuma ser uma merda. Sim, sei que isso soa altamente hipster, mas toda mentira se baseia numa verdade. Essa questão não é diferente com blogs e nem com livros: Vejam o Bobagento e o Dan Brown, por exemplo. Entretanto, devo dar o braço a torcer, e dizer que eventualmente, há coisas boas que encontram-se em meio a fama e milagrosamente conservam-se como eram.

Vou ser totalmente sincero com vocês: Não leio absolutamente nada que fala sobre livros. Sério, não leio colunas, jornais, notícias e muito menos blogs. Eu sequer releio meus posts sobre livros publicados aqui no Bacon. Minha vida literária se dá da forma mais simples e pura possível: Diretamente com os livros, e graças à isso ganho a possibilidade de me supreender com que leio, de descobrir autores e obras por conta própria e por não ter opinião formada sobre o que vou ler. Por outro lado, sei que tem muita coisa que não conheço, tanto novo quanto velho, passa batido, bem como descubro às minhas literais próprias custas que alguns livros não valem o preço cobrado.

Pensando nisso tudo (Mentira), fui me aprofundar nessa dos blogs sobre livros. Em questão de meia hora achei vários, uns com várias indicações, uns menos conhecidos… Enfim, vários. Toquei o foda-se pros que falam apenas de datas de lançamentos, autógrafos e coisas assim. Os que fazem propaganda própria, fazem promoções contantes e/ou que falam bem de Jogos Vorazes foram logo em seguida, indo logo atrás dos que falam mais sobre “book trailers” do que sobre os livros. Os blogs de portais, editoras e equivalentes foram sumariamente esquecidos também, ao lado dos blogs cujos posts são pequenos: Nego que fala sobre livros e escreve pouco não manja de porra nenhuma. Blogs bonitinhos e cheios de fru-frus também foram pro saco, afinal cê escreve sobre literatura e não design. Outros que também foram esquecidos foram os que se vendem como literatura, mas só tem textos próprios e/ou copiados e/ou citações, já que não gosto de gente-que-se-auto-denomina qualquer coisa (E porque sou chato). Enfim, sobraram-me alguns: Mais do que achei que sobraria, e o suficiente para ilustrar algumas coisas que tenho para falar.

Comecemos pela Biblioteca de Raquel, e aí você me diz: “mas porra, cê não tinha tirado os blogs de portais?”. Pois é, acontece que tem esse aqui também (Sei lá como rolava essa dinâmica aí), que fala de livros… Mas não fala. Livros aqui são os coadjuvantes (Que palavra feia): Uma biblioteca, em que a vitrola no centro da sala é mais frequentada. Por outro lado, temos Um túnel no fim da luz, cujo formato dos posts eu não gosto, mas que devo dizer, faz um trabalho foda usando a metalinguagem, e que também não foca nos livros, mas na análise dos mesmos, com informações diversas, citações e o que mais for, o que nos leva à conclusão óbvia de que este desgraçado não faz mais nada da vida.

Mudando de foco, temos o blog do Antônio Xerxenesky (Não faço ideia de como se pronuncia isso) e o do Michel Laub: Ambos autores, que falam de literatura, pero no mucho, dando mais foco para indicações de livros, álbuns, filmes e etc (O que não é uma coisa ruim), e que vira e mexe mostram um pouco do que sabem sobre literatura… Um certo desperdício… Ou talvez só medo de parecer pedante… Boas leituras, caso você queira uma boa leitura, pero no mucho (De novo – e taí uma expressão recorrente na coisa…).

Mudando novamente, vamos para o Livros e afins, e tenho que começar com este comentário: Como se passa para a “página 2” dessa merda?! Passado por isso, devo dizer que este é um blog que não fala sobre livros (Apesar destes estarem no título). Na real, não sei sobre o que esse blog diz, e ainda sim sou obrigado a dizer que fala de livros, porque não fala de nada… Mas fala de nada de forma muito boa… Citações para tomar espaço então são um capítulo à parte. Fazendo a contraparte, temos o Todoprosa, novamente uma exceção de ser de um grande portal (Ainda mais a Veja…), e que te diz um monte de coisa legal, com algumas coisas de literatura. Tudo muito bonito, muito divertido, muito bem escrito… Mas para as quais eu não dou a mínima.

 Tô cada vez pior nisso…

Na última e não menos importante mudança, temos o Literatura em foco, que mistura coisas próprias com resenhas (Boas resenhas aliás) e algumas dicas, e pelo que vi até agora, foi o que se saiu melhor, apesar de ser um tanto quanto… Ortodoxo. Desse mesmo modo, tem o Livros & Ideias, que tem (Principalmente) boas resenhas, sendo também muito ligado às “regras”, a não ser pelos títulos dos posts, que são umas merdas. E por fim temos o Mundo Livro, que faz um meio campo aí: Se baseia em entrevistas, que me soa mais como a intenção de “mostrar” do que de fato falar sobre o que mostra (E haja exceção para esse aqui). O troço vai por um caminho legal, que apenas é possível graças à contatos, visibilidade e coisas do tipo, mas joga isso no limbo… Uma solução legal para evitar grandes problemas.

E aí vocês podem me perguntar porquê gastei o meu tempo (E o de vocês) de ir pesquisar, fazer essa análise, linkar e tudo mais, e lhes digo de forma simples e (Ironicamente) rápida: Eu não leria nenhum desses. Tanto é que não lia, e não passarei a ler. Eu não leria o Bacon se eu não fosse do Bacon, e isso é um mea culpa foda, já que a parte de livros é minha alçada, e como sou só eu, minha responsabilidade.

Eu sei o que gosto e o que não gosto num livro, sei o que quero ler, sei o que pode me interessar, sei o que não suporto… Enfim, eu conheço meu gosto literário. Ele, é claro, pode mudar, pode aumentar ou diminuir, pode se intensificar ou pode enfraquecer, mas seja como for, eu sei como ele é. E ainda sim, em todo o tempo que levei procurando estes blogs, e todo o tempo que passei para fazer posts para cá, não consegui achar nada que se encaixe. E só nesse post estou há 3 horas.

Uma possibilidade que poderia ser levantada a partir desse último parágrafo é que, para gostar de um blog sobre livros, ele deveria ser um livro, afinal, reuniria tudo o que cada um gosta, mas essa é uma ideia estúpida: Não precisa ser um cachorro para perseguir gatos. Acreditem, não sei o que fazer. Gosto de resenhas, gosto de entrevistas e gosto de opiniões livres de amarras (Olha a indireta), mas ainda assim descartei-as do mesmo modo que descarto qualquer um que acha que basta dar o mais novo lançamendo de merda para leitor, e se dizer um conhecedor de literatura.

Este não é um “como vocês acham que deveria ser aqui no Bacon?”, é uma questão que tem martelado meus pensamentos desde as 5 da tarde (E já são 10 da noite): Blogs de literatura não são e não devem ser literatura, mas creio genuinamente ser impossível falar de literatura sem ser por meio da metalinguagem. E isso se aplica ao cinema, à TV, aos jogos e tudo mais. O Bacon está errado, do mesmo modo que todos os outros estão errados (Mesmo eu tendo certeza que não são os melhores blogs sobre o assunto), mas é o jeito que eu conheço, e aparentemente é o jeito que todo mundo conhece, e o “jeito certo” é errado. Este post não é literatura, mas deveria ser, e estaria errado ao ser.

No fim, só me resta dizer o óbvio: Esqueçam os blogs, sites e tudo mais, e bebam direto da fonte.

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