Como vencer na vida

Livros segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A putaria me ensinou que, não importa como, quando, o quê, porquê e onde, sempre haverá o quem. Em outras palavras, sempre haverá a demanda, e, por consequência, há de se suprir a necessidade. O problema é justamente quando não há com quê suprir a demanda, ou, talvez ainda pior, quando há, mas a qualidade é mais baixa que preço de boquete de desdentada. E é por isso que vou lhes ensinar a resolver a coisa toda.

Estou muito Jopes ultimamente.

Conceitos Básicos

Pra início de conversa cê precisa ter um objetivo, e a partir daí escolher um tema (E seus tópicos, subtópicos e demais assuntos relacionados). Sim, pode parecer estranho, mas de que adianta ter um assunto se falar sobre ele não vai fazer diferença nenhuma? Por isso que você primeiro descobre o que você quer, depois qual é o melhor modo de abordar a questão.

Definido objetivo e caminho, você parte pra elaboração, que é a parte principal. Se você prestou alguma atenção às aulas de português, deve se lembrar que uma dissertação é divida em introdução, argumentação e conclusão. Aqui é a mesma coisa, só que sem a frescura de fontes confiáveis, argumentos, fatos e “não fala que é a tua opinião porque você é um merda”. Aqui tá tudo liberado, inclusive anal, se isso te ajudar em alguma coisa.

Finalmente, depois de ter um plano elaborado, definido os pontos-chave e ter uma ideia de como conduzir a coisa toda, você pode dar início à empreitada. O grande segredo é não pensar que você pode controlar tudo, porque você não pode, e se você falhar tentando controlar tudo, sua derrota será mais vergonhosa que uma derrota ordinária.

Ache uma ideia absurda e torne-a plausível

Um tema chato e conhecido é um tema ruim. Pegue um tema tosco, bobo, infantil, idiota e, se possível, que envolva alguma “minoria”. A grande questão é não negar o nível de merdice do tema, mas sim torná-lo bonito, cheiroso e popular, que isso resolve todo o resto.

Aliás, se o tema não tiver absolutamente relação nenhuma com o ponto que você quer provar, melhor ainda. Isso se dá porque, ao fazer conexões complexas e inéditas as pessoas automaticamente ficam fora de ação, já que ela não pode admitir que não tinha visto aquela relação antes e que alguém como você o fez antes dela. É assim que o mundo funciona, basta olhar com atenção.

Não convença as pessoas, deixe-as fazerem isso por você

Pode parecer estúpido ou meio óbvio, mas não é. Se você executou corretamente a ligação entre a ideia idiota e o ponto que você quer, as pessoas te acharão inteligente ou, no mínimo, inovador. Ideias (E suas conexões) inovadoras, por serem novas, não podem ser comprovadas, mas também não podem ser refutadas: Você está certo, mesmo se, no futuro, descobrir que estiver errado (Falemos sobre isso mais para frente).

Isso significa que, após terminar sua correlação entre assuntos, você simplesmente deixa as pessoas considerarem o que elas quiserem. Se elas considerarem certo, concordarão com você. Caso contrário, diga que ela vai entender mais tarde e bola pra frente.

Dê exemplos… E aí explique o que eles significam

Um erro comum em quase tudo que envolva mais de dois passos é esquecer os pontos anteriores: Teus exemplos devem também contar com relações e conexões nunca antes pensadas e questionadas. Você tem a vantagem do elemento surpresa, então não o desperdice usando fábulas, histórias de superação e o câncer. Não, o que você faz é expor circunstâncias e tirar toda e qualquer dúvida que as pessoas tenham que possam distanciá-las da conclusão certa.

A partir do momento em que você expõe a ideia base e começa a desenrolar a corrente de pensamento, você não pode permitir que alguém coloque cadeados que te atrasem e nem o uso de alicates que cortem o fluxo de explicação, caso contrário, as pessoas poderão dizer que você disse algo que, na verdade, jamais mencionou. É comum ao ser humano divagar sobre questões, mas quando se trata de apresentar um ponto, ou você garante para que elas entendam sua conclusão é baseada em análise e estudo do assunto, ou terá muitos problemas mais para frente. Se acontecer que alguém discordar de você ou ela não entendeu, ou entendeu errado ou está discordando de propósito, só pra te atrapalhar.

 Tá tudo muito errado nesse mundo.

Faça piadas, mas só sobre terceiros

Por necessidade de um subtítulo curto explico aqui que “terceiros” não se refere apenas à pessoas não presentes (E possivelmente inexistentes, genéricas e generalizadas), mas também à ideias concorrentes, situações, fatos, histórias e qualquer outra coisa “extra-exposição”. Isso significa dizer que você pode ironizar, ridicularizar, sacanear e chamar de bobo quem e o quê você quiser, desde que a(s) pessoa(s) responsável por tal posição não esteja(m) presente(s). Se ela chegar depois não se incomode em explicar o que você já falou, só troque olhares e sorrisos com quem já estava lá.

A piada faz com que se crie um sentimento de comunidade e cumplicidade, além de relaxar as pessoas e deixar o clima mais divertido. Claro que dá pra entrar no mérito do que pode ou não pode fazer piada, o que é engraçado e o que não é, e toda essa frescura que só analistas de redes sociais, comediantes que fazem stand up e políticos mimadinhos se importam – é o trabalho deles, e eles o fazem com perfeição – mas deixemos isso pra outro post: Piadas demais fazem você parecer burro e babaca, e não sagaz e crítico.

Ouça as reclamações e contra-argumentações, só não as leve à sério

Dar crédito à uma ideia oposta é uma das piores coisas que você pode fazer, já que isso significa admitir que sua ideia não é única, logo, pode estar errada. O que você faz é escutar atentamente e ponderar sobre todas elas, sem ironia, babaquice e nada disso, afinal, como já diz o ditado, é necessário manter o inimigo mais perto que os amigos. Você ouve os argumentos e ideias, balança a cabeça em concordância de vez em quando e pede pros seus aliados para manter a ordem, o silêncio e o respeito, tal qual você está fazendo.

Parágrafo novo porque agora é a fase dois: Após a pessoa acabar de falar, você diz que concorda com tudo que ela disse, mas discorda porque ela está errada. Ela não faz por mal, é só guiada por erros comuns e ignorância natural sobre um assunto complexo, delicado e extenso. Se a pessoa se negar a entender seu ponto, mesmo após sua explicação e após você dizer porque ela está falando merda, diga que, após a “palestra” acabar, você pode ajudá-la, pessoalmente, a entender o que você está falando. Agradeça os aplausos da galera.

Não dê moral para a balbúrdia

Pessoas podem ser babacas e inconvenientes de propósito, só para te desestabilizar, ou sem querer. No segundo caso, como bom delegador de serviços que você é, você incita cada um a ajudar o próximo a se manter na linha. Lembra do sentimento de comunidade? Então, se a maioria está se comportando bem, o que não está vai se sentir deslocado e indesejado, e fará o possível para se encaixar novamente no grupo… Agradeça-os quando eles se acalmarem, eles não fizeram por mal.

Já os que fazem de propósito são só otários. Você não está obrigando ninguém a estar alí e te ouvir, e todo mundo é livre para partir a hora que bem quiser. Quanto mais você se incomodar com o auê da galera, mais isto lhes agradará: Você já tá ligado se, em algum momento da sua infância, passou mais de uma semana numa escola. As mesmas pessoas de bem que te ajudam a manter a ordem te ajudarão a restaurá-la.

Reforce seus pontos dizendo que querem te calar

A catarse é uma coisa linda. Alie-a à necessidade do ser humano de apostar no perdedor, acreditar no impossível e não deixar a esperança morrer e você chegará ao status de “perseguido pelo sistema”. Lembra da Legião Urbana? Quem calou Renato Russo foi a Coca-Cola. Lembra de Cuba, do Che? A lista vai longe, e só o fato de você continuar na ativa demonstra que você sabe do que está falando, sabe dos riscos de falar e sabe que, se não falar, tudo vai ficar muito pior.

É verdade que heróis caídos viram mártires, mas se todos os heróis cairem, acaba a luta. Você não pode se dar ao luxo de perder: As pessoas têm de saber. Claro que não é só através da violência que querem te prejudicar, mas há campanhas inteiras para desmoralizá-lo e difamá-lo. É a velha história que poucos gostam de admitir ser verdade: Quem tem poder não quer perdê-lo, e quem fala as verdades que ninguém mais fala, quem desafia a ordem atual, é um inimigo a ser destruído.

Dê a corda para alguém se enforcar

Acho que isto aqui é autoexplicativo, fiquem com este sucesso então:

Mas caso você seja burro: Se você fez tudo certo agora, já praticamente convenceu todo mundo que você está certo (E está mesmo). Os que ainda insistem em ir contra todos seus argumentos e explicações (E ainda não foram embora) obviamente só o fazem por teimosia e estão tão sobrecarregados que não tem mais condições de ir contra suas ideias. O melhor que você faz é deixá-los falar: Eles se contradirão e provarão tudo que você disse até agora, tornando-o mais foda.

Faça um resumo incluindo coisas inéditas que ninguém entenderia

Como todos sabemos, as coisas não são perfeitas, e, às vezes, palavras como “dicotomia” e “maniqueísmo” podem ser estupidamente aplicadas para descrever coisas. É comum que, ao encontrar uma parte sensível e/ou menos desenvolvida de uma ideia, as pessoas imediatamente pensem que ela irá falhar por completo, o que é um absurdo, vide a camada de ozônio. Graças à paranoia descabida e o fatídico “pé atrás”, é melhor omitir detalhes de um assunto.

O mesmo vale para partes de um assunto que são por demais técnicos e/ou aprofundados: Tentar explicá-los para determinados grupos seria desnecessário, dispendioso e inútil. É apenas para tornar o entendimento do “público” melhor e facilitar a comunicação entre vocês que se usa este recurso… Nada impede que alguém estude tudo isso por conta própria, caso ache necessário.

Retome o começo e una o básico ao complexo

Após o resumo, há a necessidade de recuperar o que as pessoas podem ter esquecido em meio a explicação. Isso completa o ciclo de informações e esclarece eventuais dúvidas de que você possa ter falado alguma coisa errada, bem como deixa óbvio que só não te entendeu até agora quem realmente não quis, já que você explicou tudo que precisava ser explicado.

Após ter uma ideia sem relação com nada, desenvolvê-la, apresentá-la e sanar as dúvidas das pessoas, você guiou a conversa sem deixá-la cair em pontos inúteis e desnecessários, bem como cuidou para que a ordem fosse mantida e ninguém saísse da linha, mesmo que tenha quem tente te desestabilizar. É unindo o avançado ao básico que se planta as sementes do conhecimento nas pessoas, poupando-as de tudo que poderia atrasá-las durante o caminho.

Encerre; seu trabalho está feito

Espere a ovação, mesmo você não merecendo tudo isso. É chato, mas você deve aguentar com força, afinal, é o mínimo que eles podem lhes dar em troca. Fale uma frase de efeito, coloque seus óculos escuros e vá embora, ao som dos gritos entusiasmados da massa.

De nada.

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