Como ouvir música

Música terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Na época do LP, o camarada trabalhava um mês para comprar uma bolachona preta. Saía da loja com aquela sacola quadrada fantástica e ficava pensando “comprei, eu comprei!” até chegar em casa. Chegando, abria o álbum (Disco não, ÁLBUM) e colocava na vitrola. O rapaz não tinha computador ou videogame, então deitava na cama ouvindo o cloreto de polivinila gritar.

Hoje o guri está batendo papo no MSN e ouve uma porcaria qualquer na rádio, curte a porcaria e enfrenta uma barreira antipirataria quase intransponível (Claro…) e baixa um MP3. Então ele continua no MSN e a música fica de fundo. Ou o cara vai ao shopping, lembra de uma música que ouviu na novela ou na balada e compra um CD, que põe pra ouvir logo que entra no carro como música de fundo. Obviamente o CD não é apreciado, afinal se você aumentar o volume do som não consegue escutar a buzina do motoboy que está mirando seu espelho.

 Ambiente ideal para audições.

Historinha bem comum, né? Será que eu sou o único que relaciona a experiência de ouvir música ao óbvio deserto de opções que existe hoje? Antigamente a música tinha que ser boa o bastante para ser apreciada enquanto sozinho ou por grupos de amigos que se reuniam em torno da música. Hoje o som só não precisa ser tão horrível a ponto de incomodar a atividade principal (Sob risco de ser deletada).

Mas não é esse o objetivo disso aqui. Nem mesmo ensinar ninguém como escutar música (Apesar do título pretensioso), só compartilhar a minha maneira de ouvir e descobrir coisas novas. Além disso, quem sabe isso ajude a acabar com fãs de banda que só conhecem uma música.

 Eu ia fazer uma piada, mas parei para vomitar

Para ilustrar, vou contar como descobri (Bem atrasado) Pearl Jam, minha atual banda favorita. A saber: Eu gosto de hóquei no gelo. Sim, aquele das brigas. Pois bem, existe um jogador chamado Henrik Zetterberg no time de Detroit. Num dos fóruns que frequento, um maluco soltou a frase “She dreams in colors, she dreams in red, can’t find a Zetter Man”. Não entendi nada (Exceto o óbvio trocadilho, afinal não sou burro), e logo “googlei” e descobri se tratar de uma brincadeira com a música Better Man, que prontamente fui ouvir no YouTube.

Música escutada e aprovada, hora de cavar mais fundo. Wikipedia e AllMusic ativados, lá vamos nós atrás de mais coisas. Em 2 minutos lembrei que Pearl Jam eram aqueles caras que tocam Black. E Alive. E Jeremy. E “alguma besteira que vi na MTV quando tinha 5 anos e me fez dizer que nunca gostaria de rock pesado” (Queima a língua, panaca). Pois bem, essas três estavam no mesmo disco, que logo veio para meu MP3. Próximo passo, desligar o computador e deitar na cama ouvindo Ten. Escutado e aprovado, próximo disco. E mais um. E mais um.

Claro, percebi que Pearl Jam é uma banda foda, mas irregular pra caramba, mas que os pontos altos superavam os baixos. Pronto, em uma semana eles ganharam mais um fã. Tudo por causa de um time de hóquei.

 Inserção malfeita e gratuita de hóquei e Pearl Jam num artigo não exatamente relacionado a algum deles

Você precisa fazer isso também? Não. Mas dane-se, faça. Nada é melhor. É assim que você sabe do que gosta. É assim que você descobre pérolas escondidas como Down no disco Lost Dogs. É assim que você nota que a melhor música do Only By The Night do Kings of Leon é Notion, e não Sex On Fire.

Não quero incentivar a pirataria, mas torrent existe para isso. Por mais que eu tenha adorado pegar cada música do Led Zeppelin de uma vez (Tempos de KazAa e conexão discada), admito que hoje as coisas são mais fáceis. Aproveite essa mordomia. O cara da Globo usou Mr. Jones como trilha sonora para o gol do Tshabalala na abertura da Copa? Baixe August and Everything After. No One Knows na trilha do NHL2003, vá atrás do Songs for the Deaf. A Playboy indicou Them Crooked Vultures, não contrarie.

 Saiba escolher suas fontes.

Não se contente com pouco. Na vida real é difícil acompanhar essa filosofia, mas na música (E na internet) não tem desculpas. Só não se esqueça que “os arquivos protegidos por direitos autorais só podem ser armazenados por 24 horas, devendo ser adquiridos ao fim destas”. Óbvio.

E para dicas subliminares e sem querer de música boa de verdade, cerquem-se do Bacon por todos os lados (Pleonasmo RLZ): Comunidade no Orkut, Twitter, Facebook e Last.fm.

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  • mart

    Perfeito, cara. É uma coisa que eu penso há tempos. Tem pessoas que estranham muito quando eu digo que vou ouvir música. Como se fosse um absurdo vc parar de fazer tudo pra ouvir um disco. Simplesmente não tem condições ouvir, pelo menos nas primeiras audições, um álbum inteiro ao mesmo tempo em que se fica mexendo no computador, por ex. Vc não consegue captar as nuances da música e realmente sentir todo o prazer das canções. Passa uma semana e vc mal se lembra de como são as músicas, mistura todas, não sabe nome de nenhuma. Eu tbm deito na cama e fico lá escutando. E tem discos que EXIGEM atenção total. Tenta ouvir Dark Side of The Moon conversando no MSN. Um desperdício.

    Cara, é isso mesmo. Eu acho que parte da culpa de que músicas péssimas e descartáveis ganham mais espaço justamente por isso. A pessoa ouve música ao mesmo tempo em que tá no pc, vendo TV, no cel… A música tem que ser extremamente pop pra atrair a atenção assim. Se não, aperta o botão da próxima. É foda. Aí, haja porcaria, não vou citar nomes pra não estragar o post. Basta ligar na MTV pra saber.

    Sobre o Pearl Jam, concordo. Meio irregular, mas o Ten é sensacional. Isso de descobrir bandas meio que por acaso é ótimo. Um dia, estava numa livraria e peguei um livro, entre vários, sobre música pop. E numa página dentre várias, falava de uma tal banda chamada Grandaddy. Resolvi baixar, e é ótima.

    Quanto a baixar músicas, não penso mais 2 vezes, não tenho remorsos. Ainda compro cds, mas pelamordedeus, há meses procuro o Nevermind the Bollocks do Sex Pistols aqui em BH, e não acho. Achei uma vez, e tava uns 45 reais. Brincadeira. É um disco que eu sempre quis ter, mas vou baixar mesmo. Ou a indústria espera que eu vá importar ou pagar esse preço absurdo? Ela que se dane. E isso é só um exemplo. Tira discos do catálogo ou vende a preços exorbitantes, e condena o download, bando de hipócritas. Enfim, é um assunto que rende muito. Ótimo texto.

  • Eu faço exatamente o que você fez. Geralmente ouço um CD por uma semana mais ou menos pra dizer se eu gosto mesmo ou não. Foi assim que eu acabei me apaixonando por Nine Inch Nails. E discordo de você em relação à Notion, porque acho que a melhor música de Only By The Night é Closer. Amo, amo, amo!
    =1

  • Não consigo deixar música como fundo. Simplesmente não a ouço. Todas as vezes que tentei deixar uma música tocando enquanto fazia outra coisa no PC, acabei desligando a música porque me incomodava.
    Música não escutada não passa de ruído.

  • Eu acho que minha opinião é contrária.
    Eu SEMPRE deixo uma música de fundo. Mesmo que eu não vá prestar atenção, eu acabo curtindo. Mas sempre que eu baixo/compro um novo álbum eu me concentro em ouvir ele inteiro, claro.
    Tenho os meus momentos de esquecer de tudo e ficar só ouvindo rock n’ roll, mas não consigo ficar sem a música de fundo no resto do tempo.

  • Reinaldo

    Grande parte das músicas que eu gosto e que eu conheço hoje sabe de onde são? Dos JOGOS DE VIDEOGAME, mais precisamente de esportes ou corrida, que exigem soundtrack. A EA tem games com ótimas trilhas sonoras, em sua maioria de bandas desconhecidas, mas muito boas. Não precisa comprar o jogo, basta pesquisar a trilha sonora deles no Google.

    Outro bom jeito é ir num video de uma banda boa, e ir vendo as sugestões. Se a música é boa, mais chances das sugestões serem de outra música boa.

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