Como matar seu namorado: uma HQ sem escrúpulos

HQs sexta-feira, 15 de julho de 2011

Alguns roteiristas de quadrinhos, quando querem e têm liberdade para extravasar suas ideias, fazem obras fantásticas. Exemplos disso são obras como V de Vingança de Alan Moore, Sin City de Frank Miller e Casos Violentos de Neil Gaiman; e é sobre essa genialidade que surge da liberdade que vou abordar hoje numa das histórias de Grant Morrison que acho mais divertidas: Como matar seu namorado.

 Apesar do título de manual a história é ótima.

Apesar deste título “chinfrim”, a história criada por Morrison, em parceria com Philip Bond nos desenhos, mostra uma HQ feita especialmente para adultos e situações não muito exemplares para adolescentes.

Publicado em 1995 pelo selo Vertigo da DC Comics, a história retrata a juventude de uma forma satírica e nada convencional, o que acabou dando à obra uma boa repercussão na época. O problema maior desta HQ foi retratar um casal adolescente transgredindo todas as regras de “boa conduta social” em meio a muito sexo, drogas, vandalismo, violência e assassinato, é claro. A questão é que, apesar de ser apresentada numa trama satírica, a história acaba retratando a realidade, pois muitas das situações, senão todas, estão presentes no nosso cotidiano, basta acompanhar as notícias dos jornais.

Bem, a história nos apresenta o cotidiano adolescente em meio a crises de identidade, angústias, inseguranças e faltas de perspectivas diante do futuro. Ou seja, um bom e entediante dia-a-dia.

Na história temos uma garota que anda entediada e acha a vida um porre, por causa de seus pais e, principalmente, por causa de seu namorado nerd, já que ela quer “dar umazinha” e ele nem dá bola para ela, preferindo ficar em casa sozinho vendo filmes pornôs e batendo bronha.

Enfim, um dia ela vai a uma lanchonete e, enquanto estava comprando batatas fritas, se depara com o rebelde da escola, que logo de cara oferece vodca para ela beber. Durante uma conversa ele sugere que eles matem o namorado inútil da garota.

Assim, depois de já estarem “pra lá de Bagdá”, vão até a casa do nerd e, no meio do caminho, eles praticam um pouco de vandalismo, fazendo arruaças nas ruas, perturbando velhos e, finalmente, matam o namorado dela. E a história finalmente começa pra valer.

 O assassinato do título.

Sentindo-se livres após o assassinato, ambos fogem numa verdadeira trilha de “drogas, sexo e rock and roll”. O clima mais nonsense aparece quando eles se envolvem com um grupo de hippies anarquistas que querem jogar uma bomba numa cidade, todos levados por um ônibus de dois andares colorido.

 Até padre atropelado temos na história.

O que se segue é uma total psicodelia cercada de vandalismo, assassinato, drogas, transformismo, sexo, bissexualidade, romance, traição e também diversão, já que a história apresenta algumas situações engraçadas. Tudo porque os dois resolvem jogar tudo pra cima e passam a viver da forma que querem sem repúdio algum.

O melhor da história: descobrimos, próximos ao final da história, que os dois personagens principais têm uma relação ainda mais íntima do que o próprio sexo, revelado num segredo obscuro dos pais da jovem (não vou revelar pra não soltar spoiler, então procure para ler se você quer saber, mas vale a pena).

 Na última página uma ideia implícita de infanticídio.

Para ter uma ideia, a história tem um ar parecido e doentio como Pulp Fiction e Assassinos por Natureza. É claro que a tradução do título tira um pouco da “força” da história, já no original Kill Your Boyfriend seria, literalmente, Mate Seu Namorado, que é exatamente a “proposta” nada correta da HQ: se você quer fazer alguma coisa, vá e faça.

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