Cinema Brasileiro 2009 – Parte II

Primeira Fila sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Os shoppings já colocaram sua decoração de fim de ano pra fora da sacola. Então por que eu não poderia começar a fazer retrospectivas? Apesar de me irritar com a comemoração do natal desde OUTUBRO, a verdade é que não vou postar no último mês do ano. Pelo menos não da forma convencional. Mas sobre isso vocês vão saber mais lá no final do texto. O que interessa hoje é que vou falar sobre os melhores (ou maiores) filmes de 2009 no mercado interno. Também conhecido como CINEMA NACIONAL. Ou “os filmes que você não assiste porque é um fresco antinacionalista”

Só a título de informação: os números citados são de julho. Não tenho culpa se os órgãos responsáveis por esse tipo de contagem não divulgam notícias com frequência. Además, já tá ficando velho avisar que essa é só a MINHA opinião gorda e míope e eu realmente não me importo se vocês discordam, por mais que repliquem com pensamentos eruditos como “sua cinéfila de merda, volta pra cozinha[?], mimimimi” e outros do tipo. Aliás, nem sei pra que ainda falo isso. Cês vão reclamar de qualquer forma mesmo.

5) Se Eu Fosse Você 2

 “Parece que eu tô ouvindo… 6 milhões de pessoas.”

Dos 10 milhões de pessoas que foram ao cinema até julho pra ver algum filme brasileiro, 6 milhões foi só pra ver os pelos do peito do Tony Ramos mais uma vez. Entre senhorinhas noveleiras e cinéfilos perdidos, mais da metade da renda do cinema nacional em 2009 veio de Se eu fosse você 2. Claro que não é um filme que devesse ser uma das nossas indicações a indicação ao Oscar, mas ele tem lá o seu valor. Glória Pires coçando o saco e Tony Ramos grávido é engraçado, não importa o que vocês digam. Muito mais do que o Adam Sandler fazendo careta, garanto.

4) O Contador de Histórias

 Treinando palavrões novos.

Sim, é mais um filme do tipo “eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui porque uma pessoa ingênua de bom coração me tirou do mundo das dogras”. Sim, isso PODE ser chato. Mas bons diretores fazem histórias como essa virarem coisas luminosas. A imaginação do trombadinha em questão o coloca a ver tudo de uma forma mais suave, de um jeito quase circense. No fim cê se pega lá ansioso pra saber o que aconteceu com ele, afinal. Com atores semi-desconhecidos, a não ser que você tenha uma memória pra coisas inúteis tão boa quanto a minha. Se for o caso, vai se lembrar da namorada do Bruce Willis no Pulp Fiction, fazendo o papel da francesa teimosa.

3) Salve Geral

 “A senhora me faz um favorzinho?”

Filmão sobre o dia que o PCC parou São Paulo. Acredito que todo mundo tenha visto esse dia pela televisão. Se não viram, voltem pro seus umbigos e morram. Eu gosto muito de saber de cenas paralelas ao evento principal, e é esse o caso de Salve Geral. Imagine só quantas mães de família que nem tinham tanto a ver com o Comando e ainda assim tiveram que se virar pra ajudar os filhos aquele dia. Agora imagine quantas outras não se envolveram de fato na máfiazinha sem nem perceber, pensando que estava ajudando. Entrevistas com o Gugu a parte, é isso que me interessa em casos desse tipo. Até porque o crime onde eu moro é MUITO mais organizado.

2) Budapeste

 “Daí cê vira a…direita. Digo, esquerda. Depois segue toda vida.”

Eu posso estar errada, mas tenho a impressão que esse filme saiu direto em DVD em Brasília. O trailer dele me ganhou completamente ao dizer “deveria ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”. Acho que disse “apoiado” em voz alta quando vi pela primeira vez. Adaptado de um livro do Chico Buarque, Budapeste fala sobre um homem que foi parar nessa esquina do mundo por conta de um pouso forçado e acaba se apaixonando não só pelo lugar como por uma mulher de lá. Não parte pro romancinho clichê e se concentra mais no homem de vida monótona que de repente abre os olhos pro mundão de coisas que existe quando se sai da segurança do conhecido. Filmão.

1) Divã

 “Mulher não envelhece, mulher repica o cabelo”

Eu poderia repetir a penúltima frase do comentário do Budapeste pra esse filme aqui. Só que esse fala de uma mulher. Lília Cabral interpreta uma mulher de vida ganha e sossegada, com seus dois filhos já criados e um marido que só reclama quando é interrompido ao ver seu futebol. Aliás, convenhamos… Mulher SABE ser chata com isso. Ou deixa o pobre lá ver o jogo dele sozinho ou aprenda a gostar de futebol e veja a graça que tem em xingar juiz. Eu recomendo a segunda opção. Enfim. O caso é que Mercedes nunca foi a mais calma das amigas e acaba parando num psicólogo puramente pra procurar sarna pra se coçar. E, claro, acha. Não só sarna, mas o Reynaldo Gianecchini e o Cauã Reymond também. Divã mostra que não é só porque chegou numa certa idade que as mulheres não podem mais se reinventar. E isso de uma forma cômica, já que é um filme da globo decisões sérias podem ser tomadas com bom humor. Passei o filme pra minha mãe, com um pouco de medo que ela se empolgasse e pedisse pra fumar ou ir numa boate gay comigo. Mas não se preocupem, é seguro. Pode chamar a sua também e fazer aquela média com a véia.

A verdade é que houve muito mais do que só esses cinco filmes. Tempos de Paz, A Mulher Invisível, Jean Charles, À Deriva, Verônica e até o esculhambado Os Normais 2 são perfeitamente capazes de te entreter numa tarde sombria. Tem ainda o Besouro e o filme do nosso querido presidente, mas esses ainda não vi e, portanto, não posso recomendar. A maioria dos mencionados já está em DVD. Larguem de ser besta e abram os olhos pro cinema brasuca. Os gringos já perceberam que a gente tem talento. Quando é que você, que só levanta a bandeira na copa, vai notar isso também?

Bom, e assim me despeço de vocês por esse ano. Pelo menos por aqui, na Primeira Fila. Claro que cês não vão se livrar de mim assim tão fácil. Lembram que há tempos tô anunciando que ando meio ocupada num projeto paralelo com o Vassourada? A partir da semana que vem vocês vão ver o resultado de MESES de arranca-rabo, rios de dinheiro gastos em locadoras (pelo menos da minha parte, caham), calvícies prematuras, mísseis Rio-Brasília e vice-versa e um embate (ainda não resolvido) entre Almodóvar e Tarantino. Nas próximas segundas e sextas-feiras, no lugar do Clássico é Clássico e do Primeira Fila vocês vão ver o mais surpreendente TOP 100 de todos os tempos. Um que só dois colunistas cinéfilos excêntricos do BACON poderiam ter a coragem de fazer. Não sei como vai ser a reação de vocês a presença de algumas coisas, mas considerando o quanto cês são chiliquentos posso até imaginar. Desde já aviso que contratei seguranças armados pra ficar na frente da minha casa e aconselho o Vassoura a fazer o mesmo.

Até semana que vem, queridos. E obrigada pelas risadas do ano inteiro.

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  • Foda.

  • Eu queria ter assistido Tempos de Paz.
    Fiquei acompanhando os filmes que entravam em cartaz, aqui em minha city, mas ele não passou por aqui…

    Gostei da lista, acho que só não incluiria Divã. Acho ele muito comercial…

    Beiss^^

  • patty

    e do começo ao fim?

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