Charlie Chaplin

Cinema terça-feira, 24 de Abril de 2012

Não sei se alguém notou, mas dia 16/04 seria aniversário de 123 anos de Charles Spencer Chaplin, ou apenas Charlie Chaplin. Como obviamente Chaplin não faz parte do seleto clube do Oscar Niemayer, ele está mortinho da silva. Porém, como todo bom gênio do Aladdin, ele permanece vivo na sua obra histórica. Este camarada é considerado por muitos como o maior artista de cinema de todos os tempos. Sério, ele dominava todas as etapas da criação da sétima arte: Atuação, direção, produção, roteiro e o que mais tivesse para ele fazer. Bora falar um pouco sobre ele então, em um singela homenagem.

 The Tramp

Inglês de nascença, Chaplin vinha de uma família de artistas. Seus pais eram ambos cantores, e de quebra ainda atuavam, o que acabou naturalmente influenciando o rapaz. A presteza dele pode ser explicada da sua vivência artística desde a tenra idade, pois desde pequeno sempre esteve em contato com um universo de interpretação, dança e canção. Claro que como todo artista, a infância de Charles teve de ser um pouco complicada. Sua mãe era mentalmente instável, seu pai era alcoólatra e os dois se separaram quando ele tinha apenas 3 anos de idade. Como sua mãe tinha um parafuso a menos, e era internada de vez em quando, Chaplin e seu meio irmão Sydney viviam por conta própria grande parte do tempo. Um monte de tristeza depois, os dois começam a integrar um grupo de dança, teatro e cantoria. Ou seja, eram uns artistas vagabundos e comunistas. A vida nas artes acaba por levar Charlie à terra do tio Sam, onde ele entra em contato com o cinema e passa a atuar em algumas criações do estúdio Keystone. Vida vai, vida vem, após se adaptar com dificuldade ao cinema, ele passa a ser um sucesso, adequando-se ao estilo da comédia pastelão que era a corrente hegemônica naqueles tempos. Foi nesta época também que Chaplin cria o Carlitos, ou O Vagabundo, seu personagem mais famoso. Quem não conhece o homem em trapos finos, com um bigodinho do Hitler, seu chapéu coco e sua bengala. Provavelmente Carlitos é um dos maiores, se não o maior ícone do cinema. Eventualmente Chaplin demonstra seu imenso gênio criativo e passa a dirigir, escrever e a produzir seus filmes. O estúdio Mutual Film Corporation é o primeiro à dar mais autonomia a ela para criar suas comédias e imprimir seu estilo. Sua atuação era marcada por recursos usuais de mímica e expressividade no rosto.

Durante os próximos anos, principalmente a partir da década de 20, o ator/diretor/produtor/roteirista conseguiu autonomia total, ao criar sua própria distribuidora/produtora, a United Artists. Com essa ele consegue fugir da influência das grandes distribuidoras, que começavam a despontar como grandes agentes na cena cinematográfica da época. Chaplin morre aos 88 anos, em 25 de dezembro (Fato mais importante desta data) de 1977, deixando um enorme legado para trás nos mais de 70 anos dedicados ao cinema.

Sua carreira foi marcada por princípios claros com relação à sétima arte, exemplificada por sua resistência em aderir ao cinema falado que fora introduzido em 27 (Parece que ele não gostava muito de colocar a boca no microfone), tendo feito seu primeiro filme falado apenas em 1940, com O Grande Ditador, que segue o padrão de filme engajado, outra de suas marcas, sendo uma sátira aos governos nazistas e fascistas existentes na Europa.

 Fotinha marota

Chaplin não apenas criou comédias que eram engraçadas, de modo geral pode-se dizer que suas obras são politizadas. Carlitos (O Vagabundo), seu principal personagem, é um pobretão que se vira para sobreviver a qualquer custo, sem deixar os outros na mão, como visto em The Kid. Tempos Modernos, outro filme que possui uma crítica social forte, principalmente com relação à sociedade industrial, tornou o Vagabundo como uma das caras mais conhecida nos centros de ciências humanas das universidades, além das escolas (Assisti o filme sete vezes essa semana fazendo meu estágio em Sociologia).

 E tem a gracinha da Paulette Goddard.

Bom, entre seus filmes mais famosos estão os três já citados, além de Luzes da Cidade e Luzes da Ribalta, este último tendo como personagem principal novamente O Vagabundo.

Por este pequeno panorama dá para perceber a importância dessa figura para o cinema. Suas produções, mesmo sendo em preto e branco e em sua maioria mudas, conseguem tocar até o mais canastrão dos jovens. Digo isso por experiência própria, ao ver um grupo de adolescentes da geração Crepúsculo rindo com as trapalhadas de Carlitos em Tempos Modernos. Sinceramente, para uma pessoa que gosta de cinema não tem nada mais rico do que ver como uma obra que nos leva a épocas mais criativas da sétima arte tocarem de maneira tão intensa gerações perdidas e maculadas pelo Machael Bay.

Tá esperando o que, menino bobo? Vai logo na sua locadora mais próxima!

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  • Recomendo a qualquer pessoa que tenha juízo a assistir a obra de Chaplin. Principalmente “Tempos modernos” “Luzes da cidade” e “O Grande Ditador”, que possui um dos discursos mais maravilhosos do cinema. 

  • O Vagabundo não tem o bigodinho de Hitler. Hitler que roubou o bigodinho do Vagabundo.

  • Chaplin é o maior ícone da história do Cinema. Ele fazia mágicas no que ele colocava a mão. Não existe um filme dele que seja ruim, principalmente os da época de ouro do Vagabundo. Seu personagem é universal, toca a todos da mesma maneira, demonstra que mesmo sendo pobre e esfarrapado alguém ainda pode batalhar pelo seu lugar, e ainda mais sendo um gentleman!

    A cena final de Luzes da Cidade; a cena dos pãezinhos de Em Busca do Ouro (cena, aliás, que foi repetida por decorrência da aclamação dos espectadores de sua primeira exibição em Berlim); a cena da dança e das engrenagens em Tempos Modernos; o final de O Circo; o discurso em O Grande Ditador, e a melhor de todas, a cena dele recuperando seu “filho” em O Garoto.

    Se tivesse feito apenas uma dessas coisas, Chaplin ainda seria um dos maiores do Cinema. Tendo feito tudo isso, ele se tornou o maior.

  • Arthur Arantes Souza

    Calma jovem, foi só uma piadinha.

  • Chaplin é, certamente, um dos maiores gênios do cinema, de todos os tempos. Parabéns pelo texto, falando sobre a história do artista com uns toques de humor. 

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