Chama o Roque e faz um som então

Música quarta-feira, 20 de julho de 2011

A gente passou pela semana do Dia do Rock, e tu mais viu piada do dia do Roqueeee, do Silvio Santos, e sobre o rock (?) do Restart do que alguma matéria falando sobre rock mesmo. Até o Jornal da Globo resolveu sacanear e colocou os coloridos junto com o Di do NX Zero no ar, participando de um quadro do programa. Ó, nada contra quem curte as bandas citadas, mas rock isso não é. Ou é? Não vou por vídeo dos caras aqui pra vocês decidirem que estilo que é, porque né? Mas vamos combinar: Tu vê o Ozzy usando uma calça verde limão, uma camisa laranja e um casaco amarelo marca-texto? Pois é.

Essa história de definir estilo musical há tempos já tá meio furada. Vamos começar pelo funk: o estilo foi baseado em soul music, música foda mesmo, e um de seus pais é ninguém menos que James Brown e, hoje, é esse batidão que a gente vê surgindo na laje. O estilo vingou aqui dessa forma. Vai querer questionar a qualidade? Não, né? Pra gente, funk mesmo é isso aqui:

E aí a gente passou por aquela época tensa, em que o hardcore tomou conta, e a gente não sabia se aquilo era rock, pop, música pra cortar os pulsos ou pra sentar e chorar. O rock ficou fantasiado, e foi ganhando novas roupagens. Literalmente. A gente via a pessoa vestida de preto, cheia de atitude, mas cantando músicas melódicas, falando de um tipo de amor quase que sertanejo. Daqueles bem mimimi e pra “homem traído” mesmo, morrendo por amor. Isso é rock?

Aí, eis que o vocalista do Restart, um dos coloridos que tem a voz parecida com a da Sandy, diz que suas influências musicais são Black Sabbath, e quando ele ouve, se inspira e vai compor. Só eu acho que a referência que ele dá é o mesmo que se inspirar em pagode e criar um axé? Pe Lanza, não satisfeito em contar que se inspira na lendária banda que era comandada pelo Ozzy, diz que unir o heavy metal com emoção é o segredo do sucesso. AH É? Agora tu imagina o Ozzy comendo um morcego vivo no palco porque a mulher dele abandonou ele, ou porque ele tá extremamente apaixonado e visualiza a cena linda que seria –not. Ou imagina o Restart, entre lágrimas e suspiros, vestidos de preto e fazendo cara de mau. Ai gente, não.

O rock existe. Aquele puro, clássico. Só que a gente não vê muito por aí. No dia de colocar o estilo em evidência, o que rola? Galera destaca os coloridos e piadinhas manjadas. E aí o povo reclama que o rock se perde no meio dessas bandas pop, emo, ou seja lá o nome que for. Reclamam que o rock não tem espaço. Mas eu aposto que o Restart e o Roque, o ajudante do Silvio citado ali em cima, ficaram bem felizes por terem sido imensamente lembrados – e quase venerados – num dia que deveria ser do rock, e só do rock. Bacana, hein?

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