Capitu

Televisão terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sou da opinião de que, como não é usual que a Globo tenha algo positivo em sua grade de programação, é mais do que acertado elogiá-la quando um evento desses acontece. Capitu, a microssérie de cinco episódios que foi ao ar na última semana, é um exemplo de onde nossas redes televisivas deveriam investir.

 Ou você prefere isso? Tanga.

Com tanta série tipo exportação norte-americana estragando a cabeça dos jovens por aí, Capitu sobressai – não só por ser uma ótima adaptação de um livro ainda melhor, mas por mostrar a história de um ponto de vista diferente. A integração dos aspectos tradicionais machadianos e da trilha sonora surrealmente perfeita (você precisa respeitar um programa que começa com Hendrix) gera uma atmosfera hipnotizante.
Machadianos fanáticos acharam um ultraje que o diretor Luiz Fernando Carvalho tenha incorporado elementos modernos na série, como mp3 players, passeios de metrô e celulares. Ele se explica dizendo tentar atrair ‘saporra de geração perdida os mais jovens, cujo interesse está no Orkut, MSN e… bem, não me peça para entender o que esses idiotas têm na cabeça. A esperança é que essa abordagem tragicômica, com traços parecidos aos do livro, faça com que essa piazada crie vontade de ler o “melhor livro de autoria brasileira”. Não sei não.

 Maldita geração pós-Cola-Cola.

Quanto à fidelidade ao romance de Machado de Assis, basta dizer que os diálogos ficaram suficientemente familiares ao texto para que o leitor os reconheça, e que a narração de Bentinho ficou fantástica, a ponto de você sentir que ele está conversando contigo – uma característica tipicamente machadiana.
Tudo na série foi muito bem pensado, o que resultou em uma elaboração praticamente perfeita. Figurino: check. Fotografia: check. Cenário: check. Caracterização de personagens: check. Trilha sonora: check. Música-tema viciante: check. EU não achei do que reclamar na série.

 Pensando melhor…

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  • Eu também achei a série fantástica. O livro é fantástico. A série, apesar dos elementos modernos, foi bastante fiel. O Bentinho narrador e o Bentinho personagem são tão diferentes que só se pode concluir que o ator sabia muito o que estava fazendo – e tem talento pra fazer. Incorporou o homem apaixonado, o homem sofrendo pela desconfiança e o homem “casmurro” com perfeição. A atriz não podia ser mais perfeita – além dos olhos de Capito, adoro a interpretação da Maria Fernanda Cândido. O figurinho e a fotografia ficaram lindíssimos. E mesmo se eu não achasse nada disso, a cena do afogamento do Escobar foi uma das cenas mais lindas que já vi na vida. Lindíssima (encarnando o amante de superlativos, rs). Maquiagem linda também. Tudo lindo. Só não gostei dos últimos minutos. Senti uma parcialidade na dúvida “traiu ou não traiu”. Achei bastante tendencioso pro lado “traiu sim”. De qualquer forma, o que são últimos minutos diante de horas de obra? Maravilhoso. Valeu a pena ter visto.

  • bel

    mandou bem, manu.

    é uma mania dos pseudo-algumacoisa rotular TUDO que a globo faz como uma merda. isso é uma alienação tão grande quanto dizer que TUDO que ela faz é lindo e merece virar moda. cérebro: eis aqui um, pra analisar e processar, ao invés de pre-julgar por extremismos. não digo que a globo é uma Sra. Manda-Bem em produções com conteúdo, mas “capitu” acertou no gol, assim como algumas outras que a rede plim-plim já produziu.
    tirando uma ou outra dissonância, faço das suas palavras as minhas.

  • joão !

    tava esperando alguém falar disso aqui XD

    fiz 2 coments no post feito pelo dih. o primeiro reclamando do 1º epi. pq, sinceramente, ele não me apetecia em nada continuar vendo a série. e o segundo sobre o 3º epi., destacando as qualidades e fazendo justiça a melhora.

    Acho que eles começaram abusando demais da proposta deles, meio ludica e teatral (na minha perspectiva, já que não sou um entendido da área).Me revoltou, sinceramente hauahuaua
    mas depois eles acertaram o passo, tanto que é difícil vc conseguir reconquistar espectadores após um primeiro epi. (na minha opinião) muito ruim.

    e sobre as músicas
    elas realmente deram um sabor melhor a microssérie, muito excelente.
    parabéns a produção por conseguirem recapturar a alma do livro.

    última ressalva:quem não leu o livro ficou perdido, pra mim esse foi o último pecado.

  • Do not like Globo
    Do not like Machado de Assis
    Do like rock
    Do like Manu

    Deu empate técnico. Vou baixar e ver se gosto.

  • @Sisa
    Realmente, me parece que pendeu pro lado do ‘traiu’. Porém sempre tive a opinião de que Capitu traiu Bentinho, então não foi uma coisa que tenha me irritado. Quando à atuação, prefiro milhões de vezes a Letícia do que a Maria Fernanda – acho que a idéia de utilizar um elenco desconhecido e praticamente todo teatral era perfeita, e ela, já sendo muito conhecida, estragou um pouco da magia. Os olhos de Capitu da Letícia estão simplesmente PERFEITOS.

    @Bel
    Sinto-me lisonjeada pelas suas palavras, apesar de sentir que esse texto não chegou perto da excelência de Capitu.

    @João
    Eu falo como alguém que leu o livro, mas acredito que, se você passou pelo ensino médio, não vai se perder. Acho.

    @Renan
    Óun, que bonitinho que você tenha me colocado como argumento a favor de Capitu.

  • Entravix

    Eu baixei pq a Manu insistiu, não vi ainda. Não gosto de Machado, acho ele BORING.
    Mas a globo faz coisas que prestam as vezes.

  • LuciusVorenus

    Mimimi, colocaram itens moderninhos em Capitu Mimimim.
    Isso por que Dom Casmurro é uma obra atemporal, e os autores colocaram esses elementos justamente para passar essa mensagem. Uma obra tão antiga mais ainda sim tão atual. Simples.

  • Não adianta: qualquer tentativa de transportar Machado de Assis para outra mídia estará fadada a desgostar gregos e troianos. O cara era simplesmente bom demais no que fazia. Há de se ter MUITA coragem para conceber uma série como “Capitu”, que apesar dos inevitáveis tropecinhos foi uma obra extremamente elegante. Figurinho, cenários, tudo muito dandy, muito bonito (apesar de pouco original, vide o trabalho de DaveMcKean). Michel Melamed mostrando a que veio, cenas de um lirismo mágico como a do afogamento de Escobar e o jogo do siso no muro de giz…

    A trilha sonora poderia ser brasileira. O resultado ficou legal, mas não poderiam ter usado Mutantes, Secos & Molhados, Arnaldo Antunes em vez de Hendrix e Elephant Gun? Mais uma vez: ficou bonito, mas não vi a pertinência de se entupir a obra de um escritor brasileiro (ainda que universal) com músicas estrangeiras.

    Mas tudo bem. o protagonista do texto machadiano nunca é os personagens, mas o próprio texto. Por isso, talvez, os tropecinhos da adaptação grobal possam ser facilmente relevados. “Capitu” preservou o texto, porém o fez através de vozes díspares ao original. Como numa propaganda atual em que velhinhos falam com vozes de crianças. Isto é bom ou mau? Depende do pêndulo de arte em que se pendura. O teatro dirá que a adaptação honrou o texto e releu inteligentemente os costumes. A literatura dirá que, apesar da preservação da palavra, as maneiras torceram sua intenção. O que fazer? Ler o texto, no original, e tirar suas próprias imagens e sentenças.

    Machado é um autor complexo e multifacetado, que dá margem a inúmeras releituras. E a grobo releu bonito.

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