Brasil importado

Cinema quarta-feira, 13 de Abril de 2011

O jeito é, né? Essa história de ficar fazendo novelinha, depois fazer um filminho aqui e outro ali é tipo coisa do passado, isso? Parece que sim. Rodrigo Santoro que o diga. Acontece que o cara virou tipo um Twitter ambulante fail, de tantos seguidores nessa mania de sair do território brazuca e explorar as câmeras hollywoodianas. O bonitão brasileiro fez parte do elenco de diversos filmes do Brasil, tipo Carandiru, Bicho de Sete Cabeças e Abril Despedaçado, e até emplacou no longa com Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu, o Panteras Detonando. O cara pode nem ter tido fala nenhuma e só ter ficado sem camisa quase que em todas as cenas que ele apareceu, mas foi um baita passo pra ele, né? Depois rolou aquele Simplesmente Amor e, claro, o épico 300 (Lembrando que ele foi indicado ao prêmio de melhor vilão (?) para o MTV Movie Award, na mesma categoria de Jack Nicholson e Meryl Streep. Foda, né? Então.).

Beleza. Depois dele, veio o fanfarrão do Wagner Moura, que saiu do Tropa de Elite e embarcou pros EUA também. O ator faz sua estreia em um filme de ficção científica, Elysium (WTF??), e ele ainda atua do lado de ninguém menos que o Matt Damon e Jodie Foster. Pede pra sair agora, Wagner Moura. Pede.

Pois bem. Invadir território gringo é coisa que vem sendo cobiçada há tempos por uma caralhada de atores daqui. Quase uma filosofia money+success+fame+glamour (Saca?).

Agora, quem tá ciscando pelos lados de lá é a índia Potira Cleo Pires. Recém saída da novela Araguaia, a filha da Glória Pires vai ser protagonista – sim: PRO-TA-GO-NIS-TA – de um filme que vai ser rodado em Los Angeles. Título? Open Road (Imagina como deve ser a tradução aqui no Brasil. Anyways.). O roteiro ainda não foi liberado, então vai saber do que vai se tratar o filme. Só se sabe que ela vai ser uma brasileira (D’oh) que segue sem rumo pelos Estados Unidos. Uh, originalidade.

Mas isso pouco importa no momento. A questão é: A gente tá mandando todos os nossos atores pra abrilhantar a telona americana, e o cinema brasileiro, que podia crescer mais do que vem crescendo, acaba perdendo. Ok, não perde tanto assim, mas perde. É massa ter um ator daqui que tenha no currículo (E na experiência) um filme de Hollywood, aclamado por tudo e todos (Aham), mas vamos combinar que já nem precisa mais ir tão longe pra achar filmes de qualidade por aqui mesmo. É essa mania de grandeza, de querer sempre mais que fica batendo na porta dos atores e despacha eles no primeiro avião pros States. Claro que os caras estão certos por querer crescer e blábláblá, mas se olhar pro lado, aqui tem muita produção bacana mesmo, esperando por atores de qualidade, que dêem conta do recado pra colocar o cinema brasileiro bem do lado de muita produção americana. Dizer que o filme é bom só porque vem de Hollywood é muito primário. A gente tá cansado de saber das bolas foras e dos fiascos de bilheteria que rolam por lá, né? De mansinho, com um passinho depois do outro, o cinema brasileiro deu um pulo gigante, e vem lotando as salas de cinema (E as banquinhas de camelô).

Bonito dizer que tu é atriz de Hollywood, Cleo. Mas não é mais bonito tu ser uma atriz brasileira, com uma riqueza nas tuas mãos, podendo explorar todo o teu território e fazer teu nome bem aqui, na tua terrinha mesmo? Repito: Querer crescer é válido. Menos quando a única coisa que cresce é o olho.

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  • Carol, bem vinda e belo texto, hein?

    Mas discordo de você no ponto em que a saída do ator do Brasil seja “olho grande”.

    Explico porquê:
    Bom, brasileiro não é muito chegado em filme. Todo mundo sabe que novela é o que há em terras tupiniquins, portanto, fazer sucesso é fazer novela.

    Outro ponto é o seguinte, a direção de uma novela é totalmente tosca, e quando somente a fama por ser protagonista de uma novelinha já não tem mais graça, o pessoal acaba caindo pro lado do cinema.

    E por último, o público americano, conservador como é, dificilmente daria um rótulo de ídolo a um ator brasileiro que está começando em carreira internacional

  • Realmente o cinema brasileiro tem muito a crescer.

    Mas olhando pelo lado positivo, esses atores brasileiros indo pra fora, não precisam ficar somente lá. E quando voltarem podem trazer novas idéias, experiências e etc. de Hollywood. O que pode, no final das contas, melhorar nosso cinema também. É esperar pra ver.

  • Primeiro, bem-vinda Carol, parabéns pela estréia!

    Sobre o texto, já lhe dei minhas impressões recentemente. Agora completo: quando o ator brasileiro vê alguém chamando ele pra ir fazer filme em roliúde, o cara fica logo inflado. Como diria Nelson Rodrigues, o brasileiro é um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem; com um amor próprio tão pouco desenvolvido, é natural ter jogadores de futebol e atores indo trabalhar em outros países assim que percebem que tão querendo eles lá.

    Aliás, isso tudo me soa é como uma questão de diversificar: convenhamos: cinema brasileiro tá ficando muito marcado por esses filmes escrachando a violência. Tá, todo mundo sabe que o nome do guri agora é Zé Piqueno (porra), e que o nome do outro cara não é Johnny, mas agora já chega. Aquela produtora magnífica, a Petrobras (!), podia dar um apoio pr’outros projetos.

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