Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s)

Bogart é TANGA! terça-feira, 10 de março de 2009

Os nomes Audrey Hepburn e Holly Golightly tornaram-se sinônimos desde que esta cintilante comédia foi traduzida do best-seller de Truman Capote para a tela. Holly é uma garota de programa nova-iorquina deliciosamente excêntrica, que está decidida a se casar com um milionário brasileiro. George Peppard interpreta seu vizinho, um escritor que é “patrocinado” pela ricaça Patrícia Neal.

Adivinhar quem é o homem perfeito para Holly é fácil. Ver esse romance florescer é um grande prazer desta jóia rara embalada pela trilha de Henry Mancini e da canção “Moon River”, também de Mancini e de John Mercer, ambas premiadas com o Oscar.

Não deixe se enganar pelo título. Holly Golightly não é uma dessas mocinhas típicas de contos-de-fada (com ou sem hífen?). Aliás, é difícil ser puta E mocinha ao mesmo tempo. Só que a Holly não é uma dessas mulheres da vida comuns, é uma de muito luxo. Tanto luxo que as pessoas pagam só pra ela ir ao banheiro! Sozinha! Quase me animei a entrar nessa vida enquanto assistia o filme…

Só que o problema é que esse serviço mal dá pra pagar o champagne nosso de cada dia. Desse modo, Holly tem que tentar aplicar o golpe do baú em jovens milionários virados do avesso de tão feios não muito atraentes. Mas no meio da conversa aparece Paul Varjak, um escritor bonitão disfarçado de gigolô. Ou o contrário. Ele se muda pro apartamento acima do dela e eles ficam amigos logo de cara. Identificação instantânea de colegas de trabalho, sabe como é.

  “Oi, eu sou puto. E você?”

Na carteira de trabalho dos dois não consta “trabalhadores liberais da área de copulação”, claro, então eles têm que manter as aparências de outras formas. Paul, além de ter um livro publicado, mantém a fiel amizade de uma senhora casada que se entitula sua “decoradora”. Holly, por sua vez, visita semanalmente um velhinho na prisão de Sing Sing. Só que sua única canseira nesse caso é por tentar entender as “previsões do tempo” que transmite para o advogado do moço do lado de fora da cadeia.

Pelo seu gênero, o final não é nada difícil de imaginar. O que diferencia esse filme é que o cafa, o que foge de compromisso, o porra-louca mesmo é a mocinha. E é o cara que tem que fazer chantagem emocional pra mulher se aquietar. Pra ter uma idéia, o último pedido que ela faz, antes de mandar o cara ir pastar pra ir pro aeroporto pegar um avião pro Brasil, é que ele mande a lista dos homens mais ricos daqui por carta pra ela. Só que aí ele faz um discurso moralista e quebra as pernas dela, lógico.

Holly é uma mulher confusa bagarai, mas com tudo a ser invejado. Bom, pelo menos a atitude dela é invejável. Tá, suas românticas, pelo menos AS ROUPAS merecem nosso respeito. Audrey Hepburn tem a capacidade de colocar um vestido preto sem sal, 3 meses depois de ter um filho, e fazer dele A roupa. O vestido da famosa primeira cena, que Holly toma café com croissant na frente da Tiffany’s, foi vendido pela bagatela de 807 mil dólares. Não é difícil ver um tanto de wannabe de Holly por aí. Mas quem consegue ser tão linda quanto a Audrey?

  elpegava

Não dá pra contar muita coisa da história, porque, como boa comédia romântica tudo é muito previsível e a beleza fica nas pequenas surpresas. Só digo que não é por mero acaso que esse é considerado um dos clássicos românticos mais bem feitos de todos os tempos. Confesso que quando sentei pra assistir pela primeira vez, fui com todos os preconceitos do mundo esperando um filminho água-com-açúcar. Quando acabou, fui checar o ano de estréia dele pra tentar imaginar o quanto deve ter sido chocante ver uma mocinha tão… não convencional pra época.

Destaques a parte pra atuação do vizinho da cobertura, o esquisitíssimo japonês Mr. Yunioshi que sempre tem que abrir a porta do prédio pra nossa heroína; pro gatinho sem nome, já que Holly o considera um tipo de colega de quarto que dá alergia; e pro momento “vamos aprender português pra dar o golpe no brasileiro rico”, num disquinho feito só de frases ridiculamente engraçadas em português de Portugal.

 ISSO é tomar café na Tiffany’s. Coitada.

É isso. Mais uma vez, LARGUEM DE SER PRECONCEITUOSOS e vejam Bonequinha de Luxo. Ou ao menos me escutem quando digo que presentes da Tiffany’s são sempre bem vindos, mesmo que seja a coisa mais barata da loja.

Bonequinha de Luxo

Breakfast at Tiffany’s (115 minutos – Comédia, Romance)
Lançamento: EUA, 1961
Direção: Blake Edwards
Roteiro: Truman Capote, George Axelrod
Elenco: Audrey Hepburn, George Peppard, Patricia Neal, Buddy Ebsen e Mickey Rooney.

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