Avisa a Simone que o Natal já foi. E o Ano Novo também.

Televisão segunda-feira, 07 de Janeiro de 2013

Não se vocês estão lembrados, mas semana passada era Natal, e Ano Novo também. Procede a informação? A questão é que parece que geral esqueceu que acabamos de passar por datas que são (Ou deveriam ser) compartilhadas com a família, que servem pra refletir, despertar algum sentimento bom, essas coisas que a gente aprende quando criança, sabe? Então. E esse descaso, pode-se dizer, com as datas começou com a própria programação de final de ano da nossa querida Rede Globo. Nada contra, eu mesma pouco quis saber dos especiais, mas isso porque eles costumavam ter um significado. Era a época que eu, e acredito que a maioria de vocês, tirava pra se permitir ficar mimimi e reunido na sala vendo um monte de besteirol emocional. Não dá pra fingir que a família brasileira se reúne em frente à televisão pra viver experiências juntas, já que o dia-a-dia não permite que o contato seja maior. E é na frente da tela da TV que a maior parte dos brasileiros se permite sentir e experimentar sensações que serão vivenciadas por tantos outros conhecidos. Uma coisa tipo senso comum, sentimento comum que a gente compartilha nessas datas, sabe? Praticamente um “no final do ano tá liberado ser sentimental e ninguém vai rir de você”.

Quer coisa mais clichê que sua vó sentada na frente da TV vendo o Especial Roberto Carlos na Globo e se emocionando quando o Rei despeja em sua voz ~linda (Há quem goste, paciência) que há detalhes tão pequenos de nós dois, e tal? Pois é. Esse ano, minha vó sentou na frente da TV e terminou dizendo “Palhaçada, hein?”. O que costumava ser algo que trazia lágrimas de emoções se resumiu a um bando de baboseira, com direito a Michel Teló e Empreguetes. As “canções” que o artista tanto fala que são especiais e tal, foram compartilhadas com artistas “alto-astral”, que tiraram o tom de seriedade (E muitas vezes chatice, vamos combinar!) que o show do cantor costumava ter. E o clima de humor se estendeu para os outros especiais de final de ano, não só da Globo, mas dos outros canais também.

Veja bem: Não considero isso um problema. De forma alguma. Mas o comportamento da geral me fez pensar nos tipos de valores que temos, todos (Inclusive eu, pessoa que vai me xingar nos comentários), na atualidade. A nossa preocupação maior era comentar o fim do mundo que, quando chegou Natal e Ano Novo, nossa energia toda já havia sido gasta num evento que nem aconteceu, ou tu viu algum tsunami e terremoto do lado da sua casa? Acho que não, né.

A gente não tem mais tempo pra mimimi. A gente quer rir, quer ver coisas que façam rir, e deixou as lágrimas, mesmo as de emoção e alegria, pra depois, afinal, chorar dá ruga, não é mesmo? Os tempos são outros, é claro, e refletir sobre o que há de ruim e bom nos nossos dias toma tempo, tempo que praticamente não temos mais. Então, se não há mais tanto tempo livre, o que se faz? Se ocupa o que resta com aquilo que nos satisfaz. E, aparentemente, esse ano, o que satisfazia era pensar em festa, em aproveitar os últimos dias de vida, já que o mundo ia acabar, e esquecer de tudo. Afinal, isso é bem mais fácil, e não há tempo para complicações, certo? Triste. Dentro e fora da TV, não se falava em outra coisa, a não ser no tão esperado fim do mundo de 2012. O fato não ocorreu, não dava mais tempo pra falar do Natal, o Ano Novo ficou camuflado e, quando percebemos, já estávamos aqui falando do BBB 13.

Eu fico me perguntando se, lá pelo Carnaval, a Simone vai aparecer cantando que então é Natal. Porque aposto que, se ela não estiver atenta ao calendário, vai se confundir.

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  • Luiz Carlos Santos

    Esses especiais já deram o que tinham que dar. Sou totalmente a favor de que as redes televisivas em geral preenchessem sua programação com filmes e séries americanas, documentários da BBC, Programas no estilo discovery channel, etc. As emissoras, pricipalmente a Globo, acham um orgulho produzir programação que pode ser exportada para outros países como novelas e séries de gosto duvidoso. Serei mais direto e franco com isso: O Brasil de orgulha de ter o melhor futebol do mundo, com o campeonata mais equilibrado, certo ? A Globo é a rede de TV que faz as melhores novelas do mundo, certo ? Apesar de detestar novelas e achá-las um imbecilidade completa, tenho que adimiter que as novelas mexicanas e outras do tipo, conseguem ser ainda piores. Voltando ao assunto, ninguém em são conciência assitiria ao campeonato de futebol dos EUA ou aos animes da Inglaterra ou à novelas japonesas. E Por que ? Porque são ruins, simples assim. Alguns países se destacam na produção de determinado tipo de programa, e em outros, não; Se a TV brasileira tivesse conciência, admitiria que temos muitos méritos e em fazer certos tipos de espetáculo e fracassamos tremendamente em outros. Na minha programação televisiva ideal, poderiam conviver perfeitamente Filmes e séries americanas, Documentários europeus, Animes japoneses e, vai lá, novelas (arg !) brasileiras. A programação ficaria diversificada, com o melhor do que é produzido em cada lugar do mundo. E sem tantos custos assim, que é mais caro produzir esses programas intragáveis do que simplesmente comprar os diretos de transmissão de bons programas.

    Agora se eu, que não sou ninguém, consigo perceber uma coisa destas, quanto mais esses executivos que ganham caminhões de dinheiro pra isso. Várias pesquisas mostram a queda acentuada da audiência da TV aberta em geral, que insiste nessa forma batidíssima de de novela-telejornal, de segunda a sexta, e programas de auditório de horas de duração aos fins de semana. Vamos torcer para que a audiência continue a cair. Quem sabe um hora alguém vê o que está na cara…

  • Pedro

    :/ Tá faltando um pouco de sagacidade rapaz.

  • ClaytonSlayer

    Não sei se televisão tem espaço para bom gosto. O povo gosta é do lixo e da fuleiragem. Olha aí o Robertão, com 417 anos de carreira (de qualidade questionável, mas sólida, com certeza), tendo que cantar do lado do Teló para dar audiência. O brasileiro médio (classe C e D, baixa escolaridade, cheio de carnês de eletros para pagar, voraz bebedor de cerveja de quinta e fanático por seu time) adora novela-jornal-auditório, principalmente quadros emotivos. Se as dançarinas tiverem pouca roupa, então, é um programa completo de domingão. Não tem jeito, cara. Na massa, o lixo vence. Sempre.

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