Arquivo Morto

Analfabetismo Funcional segunda-feira, 30 de junho de 2008

Uns dias atrás estive andando pelas sebos da cidade, estava folheando uns livros do balcão de descontos (entenda “5 livros por 3 reais”) e não pude de deixar de notar uma coisa. Todos aqueles livros tinham algo entre suas páginas, pelo menos a maioria deles.
Antes de começar a falar sobre isso, quero explicar que colocar coisas no meio de livros é algo comum quando se tem mais livros do que calças, algo que é uma verdade no meu caso. Enfim, no meio de meus livros guardo de tudo: Bilhetes, anotações, dinheiro e aquelas fitas que dão nos matsuris que dizem dar sorte. Estão perdidas no meio deles até hoje, apesar de ter que queimar elas para que dêem a tal da sorte. Então ver essas coisas entre as páginas dos livros pra mim é comum, acharia estranho até se não tivesse nada em algum livro que pudesse servir de marcador de páginas na falta de um.
Explicado isso, vamos voltar aos livros do tal balcão de descontos. Entre suas páginas, achei uma grande coleção de flores, pétalas de rosas, folhas de árvores, agulhas de pinheiro e outros exemplares da fauna e flora Brasileira.
Entre as páginas sabe-se lá quanto tempo, eles já tinham se incorporado a elas, praticamente ficando um pouco mais grossos que as páginas do livro e com uma resistência igual a de papel de seda.
Não comprei esses livros (Diana, Sabrina e outros livros melosos com histórias pouco mais profundas que um pires), mas isso me fez pensar na infinidade de pessoas que tornam seus livros caixões para esses objetos, os tornando para sempre um pedaço daquele livro. Ou até que o primeiro o retire dali e o jogue no lixo, vai saber…
Com essa idéia na cabeça, fui dar uma olhada nos livros que não me pertencem aqui em casa (Bíblia, Agendas, A Cura Pelas Plantas, esses livros que tem em quase todas as casas) e constatei que todos eles tinham algo parecido dentro deles. Pedaços de arruda, pétalas de rosa, sementes de laranja e maçã, um verdadeiro arsenal de produtos naturais.
Só que aqui em casa, eu pude saber a origem de cada uma dessas coisas. As sementes são distrações, coisas jogadas só pra marcar uma página e esquecidas ali. O galho de arruda é um negócio pra afastar mal olhado e aquele galho em específico é detentor de uma história da família que não vem ao caso aqui. Já as pétalas de rosas foram de um velório de uma pessoa próxima da família, não perguntei mais nada quando soube de onde elas vieram.
O que posso tirar de tudo isso? Cada pedaço estranho dentro de um livro é um tipo de lembrança que aconteceu com o dono do livro. Sejam fotos, pedaços da natureza, mosquitos, bilhetes, papéis de bala, bombom ou coisas parecidas, tudo o que está no meio significa algo pra pessoa que era dona desse livro.
O que me faz pensar uma coisa aqui: Qual será a história por trás de cada um daqueles negócios que tinham nos livros do balcão de descontos? Se for tomar como base os títulos de cada livro, posso acabar pensando que tudo aquilo são lembranças de decepções sexuais e de ex-namorados que a (presumo que seja uma mulher) abandonaram. Mas isso são só especulações, não sou pago pra criar histórias com base nisso, então vou arquivar essa inspiração pra outro momento. Fico por aqui, deixando um pacote de balas 7 belo no meio de um volume de Eragon.

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