American Crime Story: Botox v. John Travolta

Televisão segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sabem aqueles caras que fazem das tripas coração para a menina terminar o namoro, só para não ficarem com fama de babaca? Assim é Ryan Murphy, que tentou encerrar nosso relacionamento de 5 anos dilacerando American Horror Story de vez. Eu até pensei em não dar bandeira, me afastar, mas, como boa fã de crimes, não resisti ao apelo de American Crime Story: The People v. O.J. Simpson, série recém estreada no canal FX, que mostra os bastidores de um dos mais sensacionais e imprevisíveis julgamentos que os Estados Unidos já viram. Não vai ser dessa vez que você vai se livrar de mim, honey. Tente de novo ano que vem.

Se você nasceu na década de 90 e não faz ideia de quem O.J. Simpson seja, senta aqui no colo da titia, seu pirralho catarrento, que eu vou contar: Orenthal J. “The Juice” Simpson construiu uma carreira bem-sucedida como jogador de futebol americano e – mais tarde – fez algumas incursões no cinema e na televisão, tendo como principal papel, enquanto ator, o Detetive Nordberg, de Corra Que a Polícia Vem Aí. É claro que você PRECISA amar esse homem. Desconheço seus stats no esporte. De acordo com o seriado, ele era um animal nos gramados, mas, tendo no currículo uma das comédias mais esdrúxulas e famosas da Sessão da Tarde e Temperatura Máxima, isso é irrelevante. Não à toa era considerado herói nacional.

Se você não conhece esses caras, não teve infância

Em 1985, se casou com Nicole Brown, com quem teve um relacionamento conturbado, regado a muita violência doméstica e gravações assustadoras de pedidos de socorro para o 911. O amor acabou em divórcio 7 anos depois. E em 1994, Nicole seria encontrada assassinada a facadas, em sua residência, ao lado do namorado, o garçom Ronald Goodman. Tendo um background violento e evidencias físicas que o ligavam à cena do crime, O.J. foi preso e levado a julgamento pela promotoria de Los Angeles, em um caso que já consideravam ganho, porém com agravantes, graças a uma série de acusações de racismo por parte de membros da corporação e a exploração da mídia em cima das testemunhas-chave do processo. O resto é história, digo, spoiler.

O seriado não foca no crime em si, mas na investigação, curiosidades ainda desconhecidas do grande público e, principalmente, nas manobras da promotoria e da defesa na preparação para o grande espetáculo midiático que viria a seguir. Como os primeiros tinham evidências físicas contundentes para condenar o réu, uma forte equipe foi contratada para defender o astro americano. Robert Shapiro, rock star do direito penal, era o advogado principal. Assessoravam-no Johnnie Cochran, especialista em racismo, conflito que – como já apontei – explodia na Cidade dos Anjos à época da prisão de O.J. e viria a ser usado como argumento para colocar em dúvida sua prisão, F. Lee Bailey e Robert fucking Kardashian. SIM! Porque os Kardashians são como cupins: estão em todos os lugares.

Keeping Up With The Kardashians: A Crime Story

Apesar de estar disposta a odiar American Crime Story, até agora estou adorando, contrariando minha birra com seu criador. Pouco havia lido sobre, então meus olhos se arregalaram e meu corpo, meio contido, meio animado, vibrou a cada nome que apareceu na apresentação do piloto. Cuba Gooding Jr., na pele de O.J. Simpson, Sarah Paulson, recém-saída do hotel de American Horror Story, como Marcia Clark, Ross Gueller David Schwimmer, como Robert Kardashian e John Travolta, ou pelo menos algo que se parece remotamente com ele, interpretando Robert Shapiro. Todos incríveis em seus papeis, especialmente Paulson, incorporando a implacável promotora responsável por encarcerar Simpson, e Gooding Jr. como um Juice no limiar da loucura, entre a culpa declarada e a dúvida razoável.

O botox de John Travolta é um personagem à parte. Inclusive merecia um texto inteiro sobre, porque é impossível de ignorar. Sempre que ele aparece na tela, uma voz em minha mente diz “por Santa Cher, migo, apenas pare!”. Em um primeiro momento é quase impossível reconhecer o ator. Você fica em dúvida se é ou não John Travolta, mas deve ser, porque o nominho está lá na abertura. Será que está usando maquiagem? Uma máscara? Teria caído ácido sulfúrico em sua cara? São muitos “se”. Mas, olhando bem, percebe-se que é só o rosto dele em seu estado “normal”, mesmo. Até desfazer o mal-entendido, o episódio já acabou e você precisa ver tudo de novo. Caso sério. A gente quase identifica um resquício de expressão, especialmente nos olhos, que logo se esvai nos litros e litros de toxina botulínica que a Igreja da Cientologia deve pagar para o Dr. Rey aplicar em sua segunda estrela maior.

Tem pouca cara nesse botox. Para com isso plmdds!

American Crime Story já está no 4º episódio e chega na metade da temporada semana que vem. Se vai conseguir manter a qualidade, é uma incógnita. Contar uma história que todos, ou quase todos os espectadores já conhecem o desfecho e torná-la interessante é um desafio que a equipe terá que vencer a cada semana. Até agora, tudo vai muito bem, obrigada. Mas é melhor não começar a elogiar e criar expectativas. Sendo Murphy uma caixinha de surpresas negativas, só poderemos dar o veredito final sobre a qualidade da prima-irmã de American Horror Story no último minuto do último episódio, com os créditos rolando.

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