Amazing Spider-Man – Family Business (Marvel)

HQs terça-feira, 14 de Abril de 2015

E vamo que vamo.

Você conhece o Omaranha? Claro que conhece. E essa HQ começa te dizendo a mesma coisa. E aí faz um resumo da história, caso você não conheça. Inclusão quadrinística é uma merda.

Antes de ir pro resto, vamos esclarecer: Assim como o tio Jopes, eu leio mais DC. Mas diferente do bom gordo, eu não leio as revistas mensais de editora nenhuma: Cago e ando pros Novos 52, pra Marvel Now ou pra qualquer outro nome que seja o vigente. Dito isto, não sei como estavam as coisas ano passado, quando Family Business foi lançada. Mas, na real, não faz diferença, já que é uma história especial, meio à parte, com início, meio e fim, que pode ser lida tranquilamente sem contexto nenhum.

A história parte com o Rei do Crime, na Tunísia (Depois de “dar a volta por cima” após ter se fodido por um motivo qualquer), fazendo o que o Rei do Crime faz: Chamando um vilão merda pra executar seu novo plano infalível para destluir o Homem-Alanha. E depois tá lá o Peter Parker, fazendo o que o Peter Parker faz: Sendo um fodido na vida, e tendo que ajudar a boa gente de Nova Yorque contra assaltantes de lojas de conveniência (Que, mesmo depois de 60 anos, ainda acham que podem competir com supervilões). Dois meliantes depois e sem ter pago a conta de energia, Peter está de volta em seu apartamento quando PERDEU IRMÃO, PERDEU, PERDEU! INVADE GENTE, SEGURA O CARA, VAI! E aí ele escapa e é resgatado por uma garota… Que é sua irmã.

 Seria um bom easter egg, se não o jogassem na sua cara, na página seguinte, só pra garantir.

E é aí que o meu Sentido Aranha começa a apitar: Nunca que aparece mais família pro Peter é um troço interessante, sempre dá merda. Seja como for, a história segue, e aí começa a putaria de verdade: Teresa é uma agente da CIA… Feito os pais de Peter. “Family Business”. E cabe à ambos descobrirem o que caralhos aconteceu pros dois terem sido separados e tal. O resto é resto.

Acontece que essa história sai do nada e vai pro nada, e se você entende um mínimo de Homem-Aranha, já entendeu o que eu disse: Nada disso aqui tem peso algum, e, no fim, tudo volta ao status quo. O meio da história é recheado com acontecimentos que só levam de um lugar pro outro, ao invés de revelar algo minimamente interessante. As lutas acontecem pelo mesmo motivo, tanto contra o vilão Cyclone (Sim, ele cria ciclones. E sim, é um desses vilões que ninguém se importa) quanto contra o grande vilão final: No fim, as únicas lutas realmente necessárias pra história são com o Rei do Crime e o vilão do começo e, vejam só, ambas são resolvidas com um único golpe.

Vou colocar isso aqui num parágrafo só e passar pra coisas melhores depois da imagem: A história é tosca e não importa de verdade.

 E essa de os pais dele serem agentes é uma das piores merdas que já fizeram com o personagem.

Então tá lá a história, mas e a arte? E os desenhos? Os desenhos são foda. Sério. Pelas imagens aí vocês tem uma ideia; é um estilo mais para pintura/gravura, e vou admitir, precisei de bastante tempo para diferenciar se foi feito digitalmente ou não, e mesmo assim não tenho certeza: Se foi realmente feito digitalmente, como acho que foi, é uma das melhores execuções que já vi, ao menos no que se trata de dar um visual “orgânico” (Típica utilização babaca de uma palavra isso, né?) pra coisa toda. Entretanto, mesmo sendo um estilo mais natural, a HQ ainda se mantém nos limites comuns de representação: Não há nenhuma estripulia oi, vó artística, apesar do estilo.

O que me incomoda em relação à arte não é exatamente sua execução, mas alguns… Conceitos por trás dela, que não sei se partiram dos ilustradores ou dos roteiristas. Considerando o resto do trabalho dos roteiristas, prefiro botar a culpa neles, mesmo que os ilustradores tenham sua parte do bolo… Eu quero acreditar. Por exemplo, perto do começo a história, Peter vai pegar os já mencionados ladrões comuns, e como é a representação dele tirando a roupa UI? Um close no peito, no símbolo de aranha, com ele tirando a camiseta comum. É estúpido, é clichê, e não um clichê bom, é um clichê “MEU. DEUS. Você realmente não conseguiu pensar em nenhum outro jeito de fazer isso?!”

E isso se repete o tempo todo. Peter vai ganhar um terno sobre medida? Camisa aberta, com o alfaiate tirando medidas enquanto Peter fala no telefone… Com a tia May. Porque não conseguem fazer uma história sem essa velha aparecer ao menos de relance. A primeira vez que a irmã de Peter aparece arrumada? Decote gigante mostrando os peitos. Porra, é IRMÃ DO CARA, véi! E como ela descobre que ele é o Homem-Aranha? Ora, com ele a segurando, impedindo-a de cair, com o uniforme aparecendo por baixo da roupa rasgada. Peter ganha o uniforme preto, do simbionte (Mas sem o mesmo), só porquê sim, algo completamente desnecessário… Exatamente como o tiro que ele leva, de graça, sem motivo e finalidade… É interessante como o Sentido Aranha funciona às vezes. A cada poucas páginas alguma coisa que você com certeza já viu antes é jogado na sua cara, sendo que poderia ser feito e/ou utilizado de uma forma muito mais interessante, ou, no mínimo, diferente.

 Não, não é o Octopus, mas não pense que a semelhança é coincidência.

Em resumo, você tem uma história ruim, cercada por decisões ruins, e embalada numa arte realmente boa. Vale ler? Se você não tiver mais nada pra fazer, até vale, desde que você não leve nada nela à sério e nem espere algo inédito. No fim das contas, é a safadeza padrão da Marvel, do início ao fim, que leva à criação de uma história especial que não muda nada, que estraga a história o tempo todo e que não tem nem mesmo a dignidade de encerrar a parada sem finais abertos completamente babacas. Poderia ser pior, poderia ser MUITO pior, mas reviva a criança em você e leia só vendo as imagens.

Amazing Spider-Man – Family Business


Amazing Spider-Man – Family Business
Lançamento: 2014
Arte: Gabriele Dell’Otto e Werther Dell’Edera
Roteiro: Mark Waid e James Robinson
Número de Páginas: 98
Editora: Marvel

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