Alejandro Gonzalez Iñárritu irá dirigir uma comédia

Cinema segunda-feira, 11 de março de 2013

Para você que leu e não sabe quem é, Alejandro Gonzalez Iñárritu é um diretor mexicano bastante cultuado, que dirigiu filmes como o ótimo 21 Gramas e o bom Babel, além de Biutiful e Amores Perros, que fizeram sucesso, mas eu não assisti. Para você que sabe, é isso mesmo que você leu. E o qual o problema do cara estar dirigindo uma comédia, você me pergunta. Nenhum, mas vale uma reflexão sobre o tema.

A questão é que a filmografia do fulano ai é marcada por grandes dramas. Normalmente são várias histórias, contadas de maneira não linear, que no fim se cruzam, provocando grande choque ou consternação. Por exemplo: Na primeira história, há um assassinato e um policial está investigando o caso. Na segunda, um casal de amantes está desconfiando que o marido da mulher está para descobrir o caso; na terceira uma mulher grávida viciada em heroína luta contra o vício para seu filho nascer saudável. No final das contas, o assassinato é da viciada em heroína grávida que é morta pelo marido da adúltera, porque ele é traficante e ela lhe deve muito dinheiro. Sem saber que sua mulher está o traindo com o marido da mulher que ele matou, o traficante vai pra casa e sua esposa desconfia que ele matou alguém. O cara que teve sua mulher morta fica arrasado pela morte do seu filho e desconfia do corno, que ele sabe que é traficante de drogas. Ele conta para a amante, que fala que é bem possível que seja verdade. Ele planeja com a esposa do cara matá-lo e roubar uma soma enorme de dinheiro que ele esconde. O policial fica estarrecido quando descobre que a mulher estava grávida e trabalha até descobrir quem a matou. Ao conseguir, ele caça o traficante. Porém ele chega para prendê-lo no momento que o casal de amantes está pronto para matá-lo. O policial e o traficante morrem e a mulher é baleada e fica paraplégica. O ricardão sobrevive, mas fica abalado pela morte da esposa e filho e a paraplegia da amante e começa a usar heroína. O final é o cara com uma seringa no braço. Acabei escrevendo um roteiro inteiro para ilustrar o estilo do cara. É bom deixar claro que essa estória não é do diretor, fui em quem inventei.

O que me deixa curioso é se o diretor irá ter competência suficiente para se reinventar tanto. Comédia não é um gênero fácil. Mais difícil fica caso ele não queira usar as fórmulas batidas pelo gênero e dar um toque característico seu. Usar a narrativa não linear, presente em sua filmografia, dificulta o processo de composição da narrativa. Isto implica que sua competência deve ser dobrada neste filme. Uma coisa é escrever um drama intrincado não linearmente, outra bem diferente é fazer uma comédia satisfatória neste sentido e, querendo ou não, comédia tem que fazer rir, se não não pode ser chamada de comédia.

Vamos falar do filme em si: Ele se chamará Birdman e contará a história de um ex-super-herói que está envolvido na montagem de um musical, na tentativa de se relançar nas glórias de outrora. Ele contará com a participação de gente como Naomi Watts e Emma Stone.

Eu estou muito curioso para saber o resultado desta nova empreitada. Eu já critiquei em alguns textos a pouca versatilidade de certos diretores, Iñárritu incluso, e fico contente que o diretor tenha se colocado este desafio. Acredito que tem tudo para ser um grande filme (Se não for, será um fracasso retumbante), mesmo acreditando que ele irá se reinventar por inteiro, não usando sua assinatura característica.

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