Agepê

Música terça-feira, 02 de agosto de 2011

Isso aqui vai despertar a memória de muitos churrascos de família, tios, pais, infância, tenho certeza. É assim comigo também, não se preocupem. O caso é que talvez muitos dos que já ouviram Agepê (A maioria acidentalmente, creio) não notou o grande artista que ele foi. Sendo assim, vamos em frente.

Antônio Gilson Porfírio nasceu no Rio de Janeiro em agosto de 1942 e foi um cantor brasileiro. Seu nome artístico veio do som das suas iniciais – AGP. Mas antes de deixar de ser Antônio e virar Agepê, ele trabalhou como técnico projetista da Telerj, a antiga empresa de telefonia do Rio. A carreira de cantor começou em 1975, com o lançamento do compacto com a música Moro Onde Não Mora Ninguém, seu primeiro sucesso, que foi inclusive regravado pelo Wando tempos depois.

Anos mais tarde, Agepê lançou aquele que seria seu maior sucesso: A música Deixa Eu Te Amar, contida no álbum Mistura Brasileira. A música esteve na trilha sonora da novela “Vereda Tropical” e o álbum foi o primeiro disco de samba a ultrapassar um milhão de cópias.

O jeito do samba de Agepê – romântico, sobre mulheres, casos amorosos e muito comercial – foi bastante criticado por ter sido mais ou menos uma influência para o péssimo pagode dos anos 90. Recebeu inclusive o apelido de “samba-jóia”. Mas, como bem se sabe, não se pode culpar um bom artista por outros que se inspiraram nele e acabaram fazendo merda. É como culpar os Ramones pelo hardcore melódico.

Agora, partindo pro campo pessoal, preciso dizer que o que me motivou a escrever este texto foi realmente uma certa nostalgia, que só agora, bem depois da adolescência eu posso aproveitar. Explico: Apesar de ter crescido ouvindo coisas como Agepê e Jovem Guarda, durante um certo período da minha vida, lá pelos quatorze e quinze anos, eu simplesmente achei que devia ignorar tais manifestações musicais. Na ânsia absurda de ser aceito no grupo social, por exemplo, um adolescente pode fazer idiotices assim.

O Sr. Antônio Gilson Porfírio fazia música boa, e isso é inegável. Mas naquele período imbecil, eu neguei. E o fiz porque achava que sabia alguma coisa. Pensava completamente diferente de hoje, e pra pior. Tudo isso, aliás, essas divagações, deveriam ser assunto do meu site pessoal, mas estão aqui no Bacon pelo seguinte: Sei que tem gente aí que está exatamente fazendo o que fiz. E a interwebs os incentiva. Em qualquer site desses que falam sobre música, o pré-adolescente acha coisas sobre os artistas da atualidade e fortalece cada vez mais sua noção de que o passado deve ser execrado, principalmente se não faz parte do seu pequeno grupo de bandas “aceitas” mesmo sendo antigas (Isso vale pros moleques que pensam sacar tudo de rock). Felizmente o Bacon não é só mais um desses sites.

Agora, quem já saiu desse lamaçal da pré-puberdade sabe do que estou falando. E se expandiu seu gosto musical, se simplesmente viu que a música é bem ampla e não é crime ouvir coisas completamente diferentes como, sei lá, Beatles e Agepê ou Elvis e Gonzagão, para você que entende isso, deixo meus parabéns. Como eu disse, finalmente posso ver a qualidade de artistas como o que trato hoje aqui e outros que um dia já achei que eram “coisa de velho” ou qualquer imbecilidade desse nível. Aliás, dentro em breve falarei mais sobre eles.

Agora voltando ao Agepê, ele infelizmente morreu em agosto de 1995, de cirrose, aos 53 anos de idade. É um destes que faz falta. Tenho aqui o LP Mistura Brasileira, a fita cassete de Me Leva e um cd de maiores sucessos. E assim, de maneira simples e com velhas mídias deixadas pra envelhecer pela casa, eu aproveito a nostalgia de infância que eu quase deixei passar.

Leia mais em: , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Anônimo

    A reciproca tb é verdadeira, né. abominar qualquer tipo de musica nova para ouvir apenas os classicos tb nao leva a lugar nenhum. o ideal seria a pessoa achar seu gosto e suas bandas preferidas independente de epoca ou estilo

  • Julio Kirk

    Isso é verdade. Mas infelizmente o antigo está sempre perdendo nessa equação por conta de sua condição natural e da mentalidade de algumas pessoas. Antes se honrava as origens, hoje elas são achincalhadas. Claro que estou generalizando, existem exceções. Mas são raras. Deste modo, creio que o novo já tem e sempre terá muito espaço, muita propaganda em seu nome. Prefiro advocar pelo antigo, que tem poucos amigos.

busca

confira

quem?

baconfrito