A Vida e a Morte do Meu PlayStation 2

Games quarta-feira, 24 de maio de 2017

Meu PlayStation 2 já apareceu aqui no Bacon várias vezes, e aproveitando que tem uma nova TV aqui em casa eu pensei “O que melhor combina com uma tela 4K UHD que um videogame de duas gerações atrás e 12 anos de vida?”.

 Com esse preço nem que eu quisesse fazer propaganda.

Deixando de lado a óbvia ilusão monetária do nosso Brasil, o negócio é o seguinte: TV nova em casa. E, claro, bateu a vontade de voltar a jogar videogame. Eu cresci jogando esse treco, e por mais que tenha tempos que eu me distanciei da coisa toda, ainda é uma atividade que eu gosto.

Exceto que meu PS2 já não dava conta do recado.

Há anos e anos atrás ele caiu. Ou melhor, foi derrubado (Obviamente não por mim), e desde então ele nunca mais foi o mesmo. Problemas na lente, no carrinho da lente, várias e várias trocas do destravamento (Lembram de quando isso ainda era um fator?) depois eu finalmente decidi deixar quieto: Se ele voltasse a apresentar problemas, era lixo. Isso foi, também, há anos atrás, coisa de dois ou três anos do PlayStation 3: Os preços absurdos com que o console tinha chego no Brasil já eram passado, e apesar de não ser uma coisa barata, era um valor realista. Com o tempo minha vontade de ter um PS3 passou, e mesmo o PS2 foi sendo menos e menos usado. Isso coincidiu com a decadência do console: Não sendo mais produzido, não tendo jogos lançados e, no meu caso, a piora gradativa da situação do meu videogame.

No começo era aquela de não reconhecer que tinha CD dentro, depois não reconhecia que era um CD de jogo, aí os tempos dos loadings aumentaram enquanto os barulhos, cada vez mais altos e mais preocupantes, ficaram mais comuns. Com o tempo, a regra era não rodar os jogos, e a última vez que eu decidi ligá-lo, pra mais de ano atrás, fazer os jogos funcionarem era mais uma questão de sorte e boa vontade do console do que qualquer outra coisa: Meu PlayStation era, oficialmente, uma impressora.

Eu ainda consegui jogar umas duas horas de Homem-Aranha 2 (Zerado, muito obrigado), mas só após muitas e muitas tentativas falhas, e com constantes avisos sonoros de que apesar do jogo estar rodando, as coisas iam muito, muito mal. Vendo que a situação não ia melhorar e tendo decidido não mais gastar num console antigo (O PS4 já era uma realidade há anos), tomei a única decisão que podia: Desliguei, juntei os cabos, controles, memory cards e tudo mais que pude e guardei numa caixa de sapato, no maleiro do guarda roupa. Eu não podia jogar fora, afinal era o meu videogame e ele ainda funcionava.

Como eu disse, isso foi há mais de um ano atrás, e o console que ficou por quase uma década no rack, mesmo quando não tinha uma TV lá (E foram anos), agora estava praticamente enterrado. Até que, semana passada, chegou a nova TV. E a vontade de jogar voltou.

Tirei o PS2 do armário, feliz por novamente ver meus controles: Meu favorito, transparente (Amarelado, na verdade), o outro transparente sem fio (Com direito à líquido que brilha), o preto comum falso e o prata original. Os últimos dois eu nunca usei. Vi também o cabo AV; não o original, porque quando a TV antiga finalmente quebrou eu achei que o problema era o cabo original e cortei ele, aí eu tive que comprar outro. Meus memory cards, devidamente marcados com os adesivos, meu nome e (Acredite ou não) meu então número de celular: Perder jogo é de boa, perder o save não rola. Os CDs, as capas… Até mesmo meu único CD original, o de conexão à internet do PS2, que eu nunca usei porque praticamente ninguém usava a internet no videogame na época. Essa e todas outras memórias mais voltaram no instante que eu liguei o videogame na TV. Ele funcionava… Só não rodava jogo nenhum.

Eu tentei por quase duas horas, entre os mais variados jogos e nada. No tempo em que ficou guardado, seus problemas pioraram: Os barulhos estavam piores, o videogame mais lento. O máximo que consegui foi a primeira tela de loading de Black, sendo que levou mais de meia hora só pra isso. O console funcionava: Eu tinha todas as suas configurações normais e tinha acesso aos meus saves (Hitman! Kingdom Hearts 2! Naruto! Guitar Hero!)… Eu só não podia aproveitar nada disso.

Era sábado à noite quando eu decidi que não tinha mais jeito. Pode-se dizer que passar sábado à noite jogando videogame velho é um programa triste, mas meu amigo, passar sábado à noite tomando a decisão de que você vai jogar fora parte da tua vida é pior. Eu não nego: Tristeza é a palavra. Eu estava de luto por um videogame. Isso provavelmente diz muito sobre minhas relações interpessoais, mas a verdade é que meu PS2 me acompanhou muito mais que a maioria das pessoas na minha vida. E as pessoas que ganham do console continuam, felizmente, vivas.

 Eu achei isso aqui procurando por outra coisa, mas eu tenho que dizer: QUE PORRA É ESSA, DC?!

Me despedi dos meus saves, dos jogos. Pensei em quebrar todos os CDs, cortar os cabos e vender os controles novos. Não tenho coragem pra apagar os saves, mas pensei num jeito de me desfazer do console: Deveria usar um martelo? Ou jogar o mais alto possível e ver cair? Não… Não, eu deveria abrir. Meu videogame foi pra assistência várias e várias vezes, acumulando através dos anos os adesivos de garantia na parte de baixo (Todas há muito vencidas)… Eu não tinha nada à perder. Pela primeira vez em todos os anos com ele eu não tinha nada a perder. Então resolvi abrir.

Foi mais fácil do que eu pensei, na verdade. Até mesmo os parafusos são do tipo Philips comum. Eu nunca tinha visto um PS2 aberto… É mais simples do que parece. Estando guardado e tendo sido pouco utilizado por anos, tudo que seria de se esperar não estava lá: Pó, sujeira, óleo. Nada além do normal, saídas de ar limpas, conectores dos cabos também. E lá estavam a lente, o trilho e o parafuso sem fim, responsáveis, eu já sabia, por todos os problemas através dos anos.

E porra, eu joguei um pouco de desengripante e óleo de máquina de costura neles.

Com cuidado, é claro, usando cotonete e tal, mas puta que pariu, funcionou.

Eu nem consegui ficar puto porque eu tava feliz pra caralho de ter meu videogame de volta, mas PUTA QUE PARIU. ANOS. Eu disse ANOS de problemas resolvidos em DEZ MINUTOS e cinquenta reais (Esbanjando, claro, afinal foi o mínimo de tudo usado).

Cara, o que custava?! Na boa mesmo, o que custava algum dos filhos da puta das várias assistências técnicas que eu levei ter dado uma lubrificada na porra do videogame?! Não que ele não tivesse outros problemas que foram, de fato, solucionados, mas porra, é metal, caralho!

Dez minutos depois o videogame tava lubrificado, fechado de novo e rodando jogo como rodava há meia década atrás. Não tá perfeito, afinal ainda é um videogame velho, que caiu, teve peças trocadas e tudo mais, mas porra, ELE RODA TUDO. Não teve UM jogo até agora que não tenha rodado melhor que há anos atrás. O único problema que eu tive até agora foi o jogo do filme do Speed Racer não reconhecendo save, mas isso é culpa do CD. Desde sábado eu tenho jogado todo dia. A porra da minha ventoinha extra faz MUITO mais barulho que o console. Minha única “perda” foi meu controle favorito: Ele já estava bem ruim e eu finalmente aceitei que analógico que não volta pra posição é um problema (De resto ele funciona de boa), o que significa que eu tô usando o controle preto… Porque o prata é muito legal pra ser usado e o sem fio gasta pilha.

Eu gastei o resto da noite de sábado jogando Black e matando geral em Blood Money, mas depois eu fiquei pensando: Centenas e centenas de reais gastos nesse videogame. Meses nas assistências. Anos e anos sem jogar porque o console “não ia aguentar”… Resolvidos com óleo vagabundo em uns poucos minutos. Eu não sei quem é mais incompetente nessa história toda: Quem se chama de “técnico” e não faz nem um serviço básico desses ou eu, que não só paguei por isso como também passei anos e anos pisando em ovos ao invés de abrir a porra do console antes e fazer eu mesmo a parada COMO EU FAÇO EM TODO O RESTO.

Eu sou um idiota.

Mas pelo menos eu tenho um PlayStation 2.

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