A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)

Livros quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Já devo ter mencionado antes, mas estou com uma montanha de livros para ler. Dentre os mais de 60 títulos, fiz um sorteio e acabei por escolher A Sombra do Vento como o livro a ser lido, e bem, aproveitem, já que vocês não me verão falando isso assim tão cedo: Eu comprei a história do livro.

 “Déiz reau.”

Tendo o lançamento em 2001, eu já tinha visto o livro em lojas, sites e livrarias, mas sinceramente o troço nunca chamou minha atenção, principalmente por dois motivos: O título parece de auto-ajuda e a capa parece de um daqueles livros tipo Comer Rezar Amar/O Caçador de Pipas, ou seja, os dois grandes exemplos atuais de como apunhalar a literatura.

Nota do editor: Nunca julgue um livro pela capa.
Nota do autor: Leiam até o final.

Enfim, por sorte ou não, A Sombra do Vento foi um dos livros que acabei ganhando (Porque na real eu não gasteria dinheiro com ele), tendo assim a chance de lê-lo, e devo dizer, eu me surpreendi. Quero dizer, não foi nada grandioso, intenso e nada disso, mas o fato de o livro ser completamente diferente do que título, capa e sinopse mostram é realmente um ponto à favor.

 “Mal aew pço o vento mudo.”

O livro é contado em primeira pessoa pelo Daniel Sempere, filho do dono de uma livraria, que certo dia acorda durante a madrugada e se dá conta de que não lembra mais o rosto da própria mãe, que morreu quando ele era pivete. O pai então o leva ao Cemitério dos Livros Esquecidos, tipo uma biblioteca gigante e secreta de livros que ninguém se importa. Durante seu rolê por lá, Daniel descobre um livro chamado (Vejam só) A Sombra do Vento, de autoria de Julián Carax, um autor que, aparentemente, ninguém sequer ouviu falar.

Como tradição do Cemitério, a pessoa pode escolher um livro para si. Daniel lê o troço na mesma noite e em pouco tempo já está totalmente fissurado no livro, e principalmente em seu autor. Como não tem mais porra nenhuma para fazer, ele resolve descobrir quem caralhos foi Julián Carax. Com o passar do tempo, Daniel descobre que um estranho percorria toda a Europa (A história se passa em Barcelona), queimando as obras de Carax, e que havia chances daquele ser o último livro restante.

A partir daí, com a ideia de descobrir tudo sobre Carax, Daniel conhece Fermín, um mendigo que o ajudou após ele (Daniel) tomar umas porradas do cara que comia a mulé pela qual ele estava apaixonado, e que o ajudaria em sua busca, que acabaria por lhe render mais porradas, umas humilhações, outras mulheres, e mais um monte de coisas, que “vocês terão de ler para descobrir” (E acreditem, é MUITA coisa).

 “Piada interna rsrsrs”

Li-o sem esperar nada dele, e talvez por isso, como comentei, me supreendi. É uma narrativa fácil, leve, que não chega a te prender, mas que te deixa curioso para saber o que vem à seguir. Ao menos para mim, que tenho um coração de gelo, não me importei tanto com os personagens, mas também não os ignorei: São, de certa forma, bem realistas, já que você pode simplesmente gostar ou não gostar deles, sem que isso mude a história. Apesar de não haver essa “conexão” você não quer que eles morram.

Daniel é um personagem comum, bem como seu pai, Fermín, Tomás (Melhor amigo de Daniel), os Barceló (Fodam-se, não vou explicar tudo), os Aldaya e até mesmo o próprio Julián Carax. Vejam bem, este livro tem tudo que normalmente eu descartaria: Clichês em cima de clichês, melodrama exagerado, amor destrutivo, a constante impressão de que a história se passa antes do que se passa (Oficialmente, a coisa toda acontece entre 1945 e 1966, mas sempre pensava no fim do século XVIII enquanto lia), etc., e ainda sim, aqui estou eu, dizendo que gostei dele. Desde os primeiros capítulos eu já sabia qual era o final (Não inteiro, já que tem bastante coisa acontecendo na história, mas a parte principal sim), já sabia como terminaria, mas a questão não é “o quê” o autor usou, mas sim o “como”. O que o Zafón fez para que a história chegasse ao que chegou é realmente interessante.

 O cemitério de Montjuïc, local recorrente na história.

Este livro é um resumo do que eu não gosto, e ainda sim gostei dele. Gostei da história, dos personagens, das descrições. Em meu perfeito estado, eu não o recomendaria à ninguém, porque, no fundo, eu sei que ele é ruim, mas apesar disso, digo-lhes que leiam sim esta obra. Ela tem vários “erros”, muitos problemas, é muito… “Pequena”, mas ainda sim leiam, já que, assim como eu, se vocês não esperarem nada dele, ele será realmente divertido.

Pesquisando agora acerca da obra, lhes dou mais um argumento para a odiarem terminatemente: De Sombra do Vento, já foram feitas duas continuações, O Jogo do Anjo (“Que passa no mesmo universo literário”) e O Prisioneiro do Céu (Uma continuação direta), e a quarta obra já está prometida. Meus caros, isso é o maior espírito de porco possível. E adivinhem? Eu tenho O Jogo do Anjo e não tenho nenhuma vontade de sequer abrí-lo: Eu sei que, assim como A Sombra do Vento, eles serão ruins, mas eu não quero estragar esse gosto que tenho pelo primeiro livro.

 Todo pimpão né FDP!

Vejam, este livro é ruim, a execução é ruim, a história também, e essa avareza… Essa falta de vergonha e dignidade também, e ainda sim eu gosto desta merda. E sim, estou irritado comigo mesmo, mas não posso deixar de lhes aconselhar a fazer o mesmo que eu, ou seja, ler A Sombra do Vento e tocar o foda-se para o resto. E o que mais me irrita nisso tudo é que eu não erro uma: Este livro é toda a merda que sua capa e seu título prometiam. Mas leiam mesmo assim.

Nota do autor: Told ya.

A Sombra do Vento


La Sombra del Viento
Ano de Edição: 2007
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Número de Páginas: 399
Editora: Editora Objetiva (Suma de Letras)

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  • ClaytonSlayer

    Realmente não dá para classificá-lo como alta literatura. Mas é bem divertido. Quem tiver a cabeça aberta vai passar boas horas com ele…

  • Vito

    Quando eu escrevia pro bacon estava preparando um review desse livro, e lembro-me de ter apontado alguns pontos semelhantes ao que você escreveu ai. Bom texto.

  • Gostei mais d’O Jogo do Anjo. Já que cê num tá nem aí, dá pra mim? Li emprestado e tenho vontade de tê-lo em minha estante.

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