A palavra de um fã sobre o novo filme de Jornada nas Estrelas, viagem no tempo e outras coisas

Cinema sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Sou fã de Jornada nas Estrelas e não nego. A série original, dos anos 60, tem me acompanhado desde a primeira vez que a vi, ainda garoto. Só que pra mim nunca houve aquilo de ser excluído, esquisito, um nerd no sentido oitentista do termo, não. Sempre vi Jornada como algo mais filosófico do que outra coisa. E quando criei minhas primeiras contas de e-mail e redes sociais, anos atrás, tudo estava cheio de referências àquela série antiga de ficção científica que meus amigos e colegas na época mal tinham ouvido falar. Acabou que na internet eu virei Júlio Kirk, em homenagem ao capitão da Enterprise. Essa é minha história resumida com Jornada nas Estrelas. Mas, em um certo dia ensolarado de 2008, por aí, fiquei sabendo que ia ter um novo filme da franquia, e fiquei desconfiado. Que merda vão fazer? Claro, merda, por que mexer em uma coisa cult nos dias atuais acaba em merda quase sempre. Mas a coisa não foi bem assim. Aliás, a desconfiança voltou. Pra saber mais, vem comigo.

Depois de assistir o filme lançado em 2010, notei na hora que haveria uma nova franquia. Mas não só isso: J. J. Abrams abriu, de maneira bem esperta, a porta para fazer o que quisesse com o universo de Jornada nas Estrelas, introduzindo uma alteração temporal. Logo, para todos os efeitos, tudo que acontece na nova série de filmes e tudo que decorrer dela está localizado em uma outra linha do tempo. É uma solução para o paradoxo do avô, por exemplo. O diretor parece seguir essa, que é uma das várias teorias da viagem temporal, desde que fez a série Lost. Ao notar isso, eu me acalmei e decidi aproveitar. Afinal, nada daquilo interfere diferentamente no cânone sagrado da série original. É uma outra coisa, feita de outros futuros, é um universo paralelo. São muitas possibilidades com essa porta aberta. Eles podem fazer quantos filmes quiserem, fazer o Spock casar com a Uhura (Ou esperar o pon-farr, sei lá) e terem filhos afro-vulcanos, explodir a Enterprise, criar crises infinitas e o diabo. Tudo isso vai ser numa realidade paralela. Bom para os fãs, bom pro bolso de quem faz os filmes.

Sendo desse jeito, tanto o primeiro quanto o próximo filme, Além da Escuridão – Star Trek, que estréia em maio, são praticamente fanfics superproduzidas. Mesmo assim, é possível para o fã reagir aos filmes. Afinal, são os velhos personagens em situações diferentes. Instiga a nossa imaginação como imaginar como seria uma continuação pra De Volta Para o Futuro ou, pra quem tem nervos (E bolas) de aço, uma mistura de Star Wars com Harry Potter. Porra, já que tem gente imaginando Marty McFly comendo a Princesa Léia, é mole pro J.J. Abrams pôr as mãos em Jornada nas Estrelas de novo e dessa vez, não contente com já ter implodido o planeta Vulcano, enfiar a Enteprise no oceano. BECAUSE WHY NOT?

 Água no convés!

Aliás, essa cena aí de cima e, mais tarde, a da Enterprise saindo da água, me chocaram de verdade.

Depois de assistir várias vezes esse trailer, cada vez mais penso que o principal mérito dos novos filmes de Jornada é mostrar aquele já conhecido universo de uma maneira nova; de ventilar os ares da modernidade, das novas tecnologias, das novas maneiras de ser e agir. É ver Jornada nas Estrelas, a série clássica, com os olhos de hoje e fazer um filme de ficção científica nos moldes atuais: Entupir as linhas gerais do roteiro de ação, de cenas espetaculares e até de sexualidade (Atentem para a cena da enfermeira Chapel seminua) e ao mesmo tempo se apegar a velhos padrões, tal como os dois atores principais se apegam a como Leonard Nimoy e William Shatner interpretavam Spock e Kirk, imitando-os. É só observar. Mas não se enganem, eu não falo isso tudo com ares de exaltação, como se a modernidade fosse a coisa mais linda do mundo. Nem sempre. Às vezes é despropositado, ofensivo, ridículo e até forçado tentar “atualizar” o cult.. Em outros momentos, produz cenas de fazer o coração sair pela boca, a ação realmente funciona e os atrevidos roteiristas atuais conseguem surpreender. E tudo isso é curioso. Aliás, aí está um bom motivo pra assistir Star Trek Into Darkness mês que vem: A curiosidade de saber o que ele vai fazer conosco. Pelo trailer, o filme promete.

Vida longa e próspera.

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  • Aline

    Também morri de medo de fazerem merda com a história e com o filme e nem quis ir no cinema assistir. Mas me arrependi, graças a Deus! Achei fantástico a explicação dada para os eventos, sem alterar em nada a historia como já a conhecemos nem parecer forçado. E devo admitir que como fangirl eu surtei e gritei na sala de casa quando vi o Leonard Nimoy. To botando fé no segundo também, vamos ver…

  • Nunca gostei de Star Trek, mas o remake é bacana.

  • Julio Kirk

    O Leonard Nimoy aparece justamente pra mostrar a existência das linhas temporais. O Spock mais velho veio do universo original, tem mais de cem anos e viu muita coisa – viu tudo que aconteceu, aliás. Aí ele testemunha, ao mesmo tempo, o passado e um novo futuro. Isso é realmente interessante, como eu disse.

  • Aline

    Poisé, e foi isso que eu gostei. Ter uma explicação razoável pra algo não contradizer a história original pra mim é respeito aos fãs e à própria franquia.

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