A Inacreditável marca dos 11 Oscars

Clássico é Clássico segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Na última coluna falei sobre um seleto trio na história do Oscar: Aconteceu Naquela Noite, Um Estranho no Ninho e Silêncio dos Inocentes, todos vencedores do “grand slam cinematográfico” (melhor filme, diretor, ator, atriz e roteiro). Aproveitando o tema, hoje resolvi falar sobre outro seleto trio – aqueles três, que em 81 anos da premiação, conseguiram atingir a marca dos 11 carecas dourados. Para se ter idéia do que isso significa, vamos dar uma olhada na lista atual de prêmios concedidos pela academia.

1. Melhor filme
2. Melhor diretor
3. Melhor ator
4. Melhor atriz
5. Melhor ator coadjuvante
6. Melhor atriz coadjuvante
7. Melhor filme de animação
8. Melhor filme em língua estrangeira
9. Melhor roteiro original
10. Melhor roteiro adaptado
11. Melhor direção de arte
12. Melhor fotografia
13. Melhor mixagem de som
14. Melhor edição de som
15. Melhor trilha sonora original
16. Melhor canção original
17. Melhor figurino
18. Melhor documentário de longa-metragem
19. Melhor documentário de curta-metragem
20. Melhor edição
21. Melhores efeitos especiais
22. Melhor maquiagem
23. Melhor animação de curta-metragem
24. Melhor curta-metragem
(Desconsiderandos Oscars especiais de inovação técnica ou de competência artística)

Ou seja 24 categorias, sendo quatro delas restritas a curtas e documentários, duas “especiais” (melhor filme de animação e estrangeiro) – que se restringem, no máximo, a algumas poucas indicações e duas categorias que dividem um prêmio (o de roteiro), totalizando 17 prêmios possíveis. Isso significa que os filmes que abordarei hoje conseguiram mais de 75% dos prêmios possíveis – um verdadeiro monopólio de carecas dourados. Mas deixemos as apresentações de lado e vamos conhecer um pouco desses “monstros”.

Ben-Hur

(Ben-Hur, William Wyler, 1959)

Indicações (prêmios em negrito):
* Melhor Filme
* Melhor Diretor (William Wyler)
* Melhor Direção de Arte a Cores
* Melhor Ator (Charlton Heston)
* Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith)
* Melhor Fotografia
* Melhor Figurino a Cores
* Melhores Efeitos Especiais
* Melhor Montagem
* Melhor Trilha Sonora
* Melhor Som

* Melhor Roteiro Adaptado

O épico de William Wyler foi o único filme a sustentar essa (até então) inatingível marca durante mais de 30 anos. O que é particularmente irônico, já que apenas dois anos depois o musical Amor, Sublime Amor chegou a marca das dez estatuetas. E vamos ser justos: a obra mereceu inaugurar esse patamar. Com mais de 3 horas de filme, a obra que passa no século I, consegue criar uma atmosfera que poucos filmes alcançaram. Além da beleza do figurino e da fotografia, os efeitos especiais – mesmo datados, ainda funcionam e não comprometem em nada o épico – o que me faz pensar no próprio padrão da indústria cinematográfica atual. Será que com o passar do tempo ficamos menos exigente e nos conformamos apenas com efeitos de última geração? Veja o exemplo de blockbusters como Tróia, que poderiam aproveitar a chance de fazer um filme tão grandioso quanto Ben-Hur e ainda contar com efeitos especiais absurdos. Basta ver que 50 atrás, sem nenhuma destas “facilidades” os estúdios foram capaz de produzir uma cena monumental como essa:

Titanic

(Titanic, James Cameron, 1997)

Indicações (prêmios em negrito):
* Melhor Filme
* Melhor Diretor (James Cameron)
* Melhor Direção Artística
* Melhor Fotografia
* Melhores Efeitos Sonoros
* Melhor Figurino
* Melhor Edição de Som
* Melhores Efeitos Especiais
* Melhor Montagem
* Melhor Trilha Sonora
* Melhor Canção Original (My Heart Will Go On)

* Melhor Atriz (Kate Winslet)
* Melhor Atriz Coadjuvante (Gloria Stuart)
* Melhor Maquiagem

Várias décadas depois, seria ninguém menos que o “blockbuster maker” James Cameron (Alien, True Lies e Exterminador do Futuro 1 e 2) que chegaria a essa marca lendária. Mais do que isso, o filme sobre o navio “que nem deus afunda” igualou a marca das 14 indicações de A Malvada (que levou 6). E são esses motivos que fazem de Cameron um dos diretores mais fodões da história do cinema – quem mais teria a competência de dirigir um filme orçado em 200 milhões de dólares (o suficiente para construir um novo Titanic)? O homem que “faz um filme a cada 10 anos” conseguiu – e de bônus atingiu a maior bilheteria da 7a arte. Meros US$1,842,879,955. ‘Nough said!

Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

(Lord of the Rings: The Return of the King, Peter Jackson, 2003)

Indicações (prêmios em negrito):
* Melhor Filme
* Melhor Diretor (Peter Jackson)
* Melhores Efeitos Especiais
* Melhor Direção de Arte
* Melhor Montagem
* Melhor Figurino
* Melhores Efeitos Sonoros
* Melhor Som
* Melhor Fotografia
* Melhor Trilha Sonora
* Melhor Canção Original (Into the West)

E quem pensava que levariam décadas para que outro filme atingisse essa marca, Peter Jackson, com uma ajudinha da academia, “rapou” as premiações de 2003, inclusive sendo o único dos três com “100% de aproveitamento”. Não que o reconhecimento não tenha sido merecido, mas ficou claríssima a atitude da academia em compensar os prêmios não ganhos pelos dois primeiros filmes da trilogia (que juntos “só” tinha levados 6 Oscars). E sejamos sinceros – apesar das injustiças cometidas com outros filmes que concorreram esse ano, foi uma forma de premiar o trabalho majestoso (independente de você achar entendiante ou não conseguir gravar o nome de ninguém, é impossível não ficar de boca aberta com o tamanho da produção).

Tendências
Como ficou perceptível na análise desses clássicos do cinema, as produções que atingiram essa marca “onírica” contam com algumas semelhanças, que apontam algumas tendências. São elas o tamanho épico de sua produção (e consequentemente o grande orçamento gasto na parte técnica – que garantem a maior partes dos prêmios) em detrimento de aspectos artísticos: embora todos tenham levado o Oscar de direção, apenas um levou o de artista e nenhum, o de roteiro. Será que isso é uma evidência do poder do dinheiro nessa indústria? E afinal – o que tem mais apelo para vocês: um filme que leve 11 Oscars ou que ganhe as cinco categorias que representam o “grand slam“?

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  • Pode ser mero acaso, mas eu tenho muito mais respeito pelos Grand Slam. Não vou com a cara de nenhum dos 3 ganhadores dos 11 prêmios, e exatamente o contrário acontece com Um Estranho no Ninho, Silêncio dos Inocentes e Aconteceu Naquela Noite.

    Mas claro, pode ser só coincidência.

  • EsKiiloo

    Não sei se eu que entendi errado, mas pelo o jeito que vc falo do “Poder do dinheiro” ficou parecendo que é algo meio comprado.
    Eu não acho que seja bem assim. O dinheiro

  • EsKiiloo

    merda de teclado!

    continuando…
    Todo o dinheiro investido faz com que seja criado uma coisa majestosa! É uma sensação unica! E qualquer um que tenha olhos e ouvidos consegue sentir isso.

    É uma coisa que nem tem muito oq discutir.

    Nway…
    AVATAR ftw !!!!

  • vassourada

    @EsKiiloo:
    Poder do dinheiro não é no sentido de “prêmio comprado”, mas de “poder de um filme de alto orçamento” e uma idéia boazinha, sobre um filme de orçamento mais razoável construído em cima de um roteiro, atuação e direção brilhantes (como é o caso do Grand Slam).

  • EsKiiloo

    Ahh sim tendi…

    Eu acho assim cara.. todo o dinheiro gasto nesses filmes ai foram pra cirar uma coisa de tamanho nivel que chega a ser quase uma experiencia de vida.
    É um filme que vc não se preoculpa muito com roteiro, estoria, dialogos e tals (não que sejam ruims). Vc simplesmente se desliga e aprecia as 3 horas de filmes que o cara fez pra vc.

    Qualquer pessoa hoje em dia..entendida ou não de cinema..se admira com as imagens e os soms que os 300 milhões compraram.

    Na categoria do “Grand Slam” tem filmes espetaculares (Silencio dos Inocentes é um PUTA dum filme) mas ainda assim..eu fico com as Mega-Produções. Por todo o conjunto da obra (:

  • marcosbonilha

    Apesar de não ser muito fã de Ben-Hur e, de tanto assistir, pegar raiva de Titanic. Acho que o Senhor dos Anéis é o que foi Guerra nas Estrelas nos 70, Revolucionário, mágico e influente.

    Os filmes do grand slam, são bons, mas nada apaga o espetáculo de uma grande produção.

  • Camila

    Eu sei q minha opniao pode ser bastante tendenciosa (sou fã de O Senhor dos Aneis, li todos os livros do cara pelo menos umas 4 vezes e assisti cada filme pelo menos 6 vezes), mas eu acho o roteiro do Senhor dos Anéis muito bom. E que foi feito com restrições orçamentarias para o tamanho da obra. Por isso foram feitos os 3 filmes duma vez, no fim do mundo da Nova Zelandia, sem cachê especial pros atores famosos e por ai vai.

  • yuri

    O merecimento do prêmios do O Senhor dos Anéis se dá pela revolução que fez ao gênero “Fantasia”, mostrando-se um épico, então um divisor de águas.

    Hoje em dia, quando falarmos de fantasia e formos lembrar do cinema, qual filme virá a sua mente?

  • yuri

    vc não escreve mais não, Uiara?

  • Eu fico uma semana sem escrever e o povo já reclama… Mas tudo bem, já que reclamam quando eu escrevo também.

  • Leonardo Aucar

    ótimo texto!

    Pessoalmente fico mais ansioso a ver um filme que tenha ganho o “grand Slam” do que um filme com 11 prêmios.

  • Alessandra

    Eu fico com o “grand slam”. Obrigada!

  • Gostei muito do seu texto. Acho que é realmente uma pena que Titanic não tenha ganhado nas categorias de atuação – tanto Kate quanto Gloria fizeram um bom trabalho.

    Fiquei curioso para saber quais são os filmes que ganharam todas as categorias em que concorreram.

  • Johnny.

    Se esses 3 filmes merecem estar em primeiro lugar na história do Oscar eu não sei, mas que ambos representam bem seus respectivos gêneros, isso sim.

    O Drama/Romance a Aventura/Fantasia e o Épico/Bíblico, com um olhar no geral, diria que ambos são do mesmo nível embora cada um conquiste um diferente tipo de fã.

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