A destruição dos mitos vampíricos – Parte II

Nona Arte quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Na coluna passada, como vocês devem se lembrar, eu desci a lenha na deturpação feita na mitologia dos vampiros feita pela série Crepúsculo.

 Devidamente hotlinked do AOE, só para deixar o théo puto. E, reiterando minha opinião sobre o tal do Edward: TANGA!!!

Agora, vamos chutar um cachorro que, podemos dizer, está agonizante: a franquia do Andarilho Diurno, Blade.

Sim, Blade. Apesar de, como filme de ação brainless, Blade ser até bastante aceitável. É só desligar o cérebro, colocar uma mão na cintura da sua gordinha, outra no pacote de pipocas e, como diz Monty Python:

Agora, voltemos à palhaçada aos fatos. Vampiros, ao trocar sua inexistente alma imortal com El Capiroto por uma parentesco com o Nosferatu, ganham uma série de habilidades já citadas, que o tornariam mais cascudos e resistentes a porrada do que aquela barata que se esconde atrás do seu cesto de roupa suja. Em Blade, a maioria esmagadora dos sanguessugas vira cinza ao receber qualquer tipo de golpe/dano. Sim, basta se lembrar de qualquer luta clichê dos filmes: Blade puxa sua espada, usa-a para atacar o vampiro mais próximo e, ao mero toque da lâmina, o inimigo vira uma nuvem de cinzas flamejantes. Se é pra morrer fácil assim, é preferível continuar humano.

Ah, sim, também temos a pérola de um (meio) vampiro andando no meio da rua AO MEIO DIA. Justificativa? Protetor solar. Sim, caro leitor meio vampiro, agora você poderá ir àquele churrascão na casa do seu tio Osvaldo, basta não esquecer seu protetor solar com FPS 50.

No Blade Trinity, lembro claramente que, na invasão do reduto dos vilões, o Andarilho Diurno joga prata em pó no sistema de ventilação para envenenar os sanguessugas lá dentro. E os caras tossem, esbugalham os olhos e agonizam, algo que nunca deveria acontecer. Lembrem-se crianças, são lobisomens que têm problemas com prata, não vampiros. Para dar um jeito nestes, embebede-os e sirva uma macarronada ao alho e óleo ou convide-os para uma caminhada de tarde na praia.

Ah, e a beleza de existir um meio vampiro? A vampirice (?) é como a gravidez: ou você está grávida, ou não está grávida. Ou você é um vampiro, ou não é um humanóide hemófago amaldiçoado. Decida-se. Mas isso até passaria batido se a trilogia tivesse uma história. Blade, ao nascer, simplesmente desaparece para, anos depois, voltar chutando bundas. O que aconteceu durante isso? E quais são exatamente os motivos dele para fazer qualquer coisa no decorrer dos filmes?

Sem falar, claro, em vampiros maquiados, elegantes e EXTREMAMENTE afetados. Como é possível que horrorosas chagas ambulantes chupadoras de sangue sejam minimamente elegantes E se organizem numa sociedade com castas, tendo, inclusive, uma elite/alta sociedade/nobreza?

Eu sei que, até recentemente, adaptações cinematográficas de HQs/graphic novels/gibis não tinham lá grande interesse para a indústria cinematográfica. Nunca li a HQ de Blade e, se ela tiver um mínimo de semelhança com os filmes, nunca vai passar pelas minhas mãos, seja por scans, seja fisicamente.

Certas coisas nunca deveriam ter saído das trevas. E não me refiro só aos vampiros.

P.S.: Como o Santhyago anda ocupado e talvez não possa postar com tanta frequência, o Nona Arte, até o retorno dele, vai ficar um tanto misturado com o Analfabetismo Funcional. Preparem-se para insanidade em dobro aqui.

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  • Sobre esse lance da prata em pó tem um agravante: desde quando vampiros respiram? Isso realmente incomoda. Mas poxa, o lance dos vampiros terem sociedade própria e serem bonitos e charmosos… eu acho isso uma boa, tipo a Camarilla do Hein_bolinha_Hägen, dá charme, fora que o Drácula era sim charmoso e sedutor. E a Carmilla de Le Fanu também era. Enfim.

    Na verdade, tanto Crepúsculo quanto Balde, digo, BLADE partem do princípio que, como você sabe, vampiros NÃO EXISTEM, portanto pode-se dizer o que quiser deles. Se amanhã surgir uma franquia qualquer falando que vampiros são vulneráveis a FRANGO FRITO, voilá, ninguém, pode dizer NADA à respeito, no máximo se negar a assistir aos filmes etc. Você vai reclamar com quem? Com a família Van Helsing? Acho que não

    Mas claro, levar isso em consideração tira toda a graça do texto, então suspensão de descrença pra mim.

  • Guten

    Sobre a parte da elegância: concordo com o que você disse. Alguns vampiros, como nosso velho amigo Drácula, são mais elegantes que muita gente por aí.
    Mas na trilogia Blade, fora algumas exceções, os vampiros são uns grandes zés-ninguéns (sem direito sequer a maiúsculas), feios e sem charme/elegância alguma.

    “Na verdade, tanto Crepúsculo quanto Balde, digo, BLADE partem do princípio que, como você sabe, vampiros NÃO EXISTEM, portanto pode-se dizer o que quiser deles etc.”

    Quanto a isso, discordo de você, TCZ. Vampiros não são algo inventado 20 anos atrás. Há toda uma história que se formou ao longo dos séculos, não deveria ser desconstruída desse jeito. É como dizer que a força de Héracles vinha de acarajés, ou que Odin perdeu o olho direito numa briga de garrafa no bar depois de um Fla-Flu.

  • Koi

    Tá, agora tu vai falar de Vampiro: A Máscara?

  • Allure

    resumo
    blade = vampiro rapper.
    dracula = velho com câncer terminal que esqueceu de morrer.
    vampiro, masquerade = ta na media, sabe usar a história a seu favor.
    caçadores de vampiras lesbicas = perfeito, leva 10!
    crepusculo = vampiros que brilham como purpurina? muito gay…
    diário de um vampiro = querido diario, hoje xupei minha vizinha… hm… não ‘-‘
    marcada = escrava, tento fugir o barão marco.

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