O Primata (Primate)

Cinema quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Em O Primata, uma jovem chamada Lucy retorna da faculdade para passar alguns dias de férias na casa da família no Havaí. Nesse reencontro, Lucy se reúne com o pai, a irmã mais nova e o chimpanzé de estimação Ben. Ben foi criado como um membro da família pela falecida mãe de Lucy, que era uma cientista e acolheu o animal desde pequeno. O que deveriam ser férias de verão tranquilas ao lado dos amigos e parentes, torna-se uma aterrorizante luta pela sobrevivência quando Ben é mordido por um bicho silvestre e contrai raiva. Agora, todos serão obrigados a buscar refúgio no único lugar temido por Ben: a piscina da casa, enquanto o animal causa um terror absoluto entre os presentes.

Eu sei que uma ideia comum no horror é utilizar algo que parece inofensivo e corromper até se tornar um assassino a sangue-frio, mas caralho. Qualquer pessoa que tem um mínimo de conhecimento biológico sabe que, comparado com humanos, macacos são máquinas de matar que não vão te dar nenhuma chance. O que só faz com que essa ideia de um chimpanzé que é assassino em série parecer mais estúpida ainda, já que sempre tem que sobreviver alguém, e se um macaco resolvesse matar um bando de adolescentes burros, não ia sobrar o suficiente pra fazer uma sopa. Mas vamos dar uma chance, o que pode dar errado, não é mesmo?

Blá blá blá, a jovem que tá na faculdade vem passar férias com a família, ninguém liga. Vamos direto aos fatos: Se seus pais criam um macaco como se fosse uma criança, você tem grandes chances de estar numa casa de gente burra, e também ser burro, afinal, uma das primeiras lições que quem mexe com animais aprende, ou deveria aprender, é a não antropomorfizar os animais. Claro, eles são primatas assim como eu ou você, mas eles não tem a capacidade mental que a maioria de nós tem pra várias coisas [Apesar de serem muito bons na memória de curto prazo], tipo lavar as mãos depois de pegar algo sujo, ou não se defender com os dentes na primeira provocação. Mas divago, não é sobre isso que o filme fala. Ou se é, é uma metáfora muito profunda [Aqui eu já tou debochando, caso não tenha ficado claro].

 “Eu vim ver o macaco.” Cola ae então, otário.

Pois bem, o filme começa com uma morte ocorrendo, no melhor estilo dedos arrancando pele, então você já sabe que o negócio vai ser bonito. Ou feio, dependendo do seu referencial. Bom, a trama toda decorre do fato de que Ben, o chimpanzé, se defendeu de um mangusto contaminado com raiva, mas foi ferido, acabou também se contaminando, e isso fez a merda atingir o ventilador em alta velocidade. Só aí nós já temos dois problemas, um deles que o filme até cita, mas não resolve: a) no Havaí não existe raiva como doença endêmica, e b) mangustos são nativos da África e sul da Ásia. Mas mesmo com o corpo do mangusto indo pra um veterinário, onde ele é testado e os caras descobrem que ele tá com raiva, nenhuma dessas duas questões é resolvida. “Ah, mas sul da Ásia tem uma porrada de ilhas, é só o magusto ter ido nadando até o Havaí” MERMÃO, o ponto que o filme deixa bem claro é que a raiva faz o infectado se tornar hidrofóbico, não querendo nem chegar perto de uma piscina, quanto mais uma porra de um oceano, tá ligado?

 Quem adivinhar de onde o macaco vem ganha um saco de jujubas.

Pois então, temos um macaco que não está muito feliz com a ordem das coisas na cadeia alimentar, e “resolve” se tornar um predador de topo, tomando decisões melhor do que os seres humanos. Não que isso seja difícil, afinal, em filmes e séries de horror, geralmente se os protagonistas não forem burros, o negócio nem aconteceria. Mas é isso ae, ao longo de quase uma hora e meia, nós temos o chimpanzé conseguindo engambelar meia dúzia de humanos, com um total de 8 mortes [Entre humanos e outros animais]. Mas devo confessar que a parte do pai ser surdo e isso afetar o desenrolar da coisa foi maneiro, deu um toque de credibilidade [Puta que pariu, eu tou falando de credibilidade em um filme com um macaco contaminado com raiva que mata pessoas na porrada, eu devo estar delirando].

 Até que tem pouco sangue pra quantidade de corpos que já foram apresentados.

Uma coisa importante, na minha modesta opinião, é que o macaco é interpretado por uma pessoa, numa mistura de fantasia, maquiagem e em alguns casos, bonecos. O que pra mim fica muito melhor que computação gráfica de baixo custo, se é pra meter o pé na bagaceira, vamo abrir os dedos e deixar o negócio extravasar. E se um dia você precisar fugir de um macaco, lembre-se sempre que eles são ótimos nadadores, e os seres humanos só são melhores que outros animais em uma coisa: Corrida de longa distância.

O Primata

Primate (89 minutos – Horror)
Lançamento: EUA, 2025
Direção: Johannes Roberts
Roteiro: Johannes Roberts e Ernest Riera
Elenco: Johnny Sequoyah, Jessica Alexander, Victoria Wyant, Troy Kotsur, Benjamin Cheng, Gia Hunter, Miguel Torres Umba, Tienne Simon, Charlie Mann, Amina Abdi, Stuart Whelan e Kieran Deane

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