007 – Cassino Royale (Casino Royale)

Cinema quinta-feira, 25 de outubro de 2012

 A 1ª missão de James Bond (Daniel Craig) como agente 007 o leva a Madagascar. Sua tarefa é espionar o terrorista Mollaka (Sebastien Foucan), mas nem tudo sai como o planejado. Bond decide espionar por conta própria o restante da célula terrorista, o que o leva às Bahamas. Lá ele conhece Alex Dimitrios (Simon Abkarian) e sua namorada Solange (Caterina Murino). Alex está envolvido com Le Chiffre (Mads Mikkelsen), o banqueiro de organizações terroristas espalhadas pelo planeta, que pretende conseguir dinheiro em um jogo de pôquer milionário em Montenegro, no Cassino Royale. O MI6 envia Bond para jogar contra Le Chiffre, sabendo que caso Leele perca a partida, isto desmontará sua organização. Nesta tarefa, o agente 007 terá a companhia da sedutora Vesper Lynd (Eva Green), enviada por M (Judi Dench) para acompanhá-lo na missão.

Na época, o anúncio de que o Daniel Craig seria o novo James Bond me pareceu a escolha mais errada possível. Porque porra, mó antipático esse cara, como que chegaram a pensar que ele convenceria como herói de alguma coisa? Mas acontece que eu pensava ainda no velho 007, que mal havia mudado desde 1962.

Pra entender o que o Cassino Royale representa pra franquia do 007, dá pra fazer uma comparação com que o Christopher Nolan fez com o Batman, medidas as proporções. Sim, já havia sido feito uma tentativa de puxar o personagem de volta pra realidade nos nos anos 80, mas bem… Eram os anos 80. Depois disso, os filmes com o Pierce Brosnan conseguiram modernizar a parada e manter a maioria dos elementos clássicos. Nem sempre com sucesso, mas melhor do que o que vinha sendo visto desde a década de 70, quando foi ficando cada vez mais difícil diferenciar as paródias dos filmes “oficiais” do James Bond.

Mas voltando ao Daniel Craig, nos primeiros minutos do Cassino Royale tudo já começa a fazer mais sentido. O filme inicia com uma sequencia em preto e branco (Pra já marcar o clima mais sombrio que virá, sabe como é), com o James Bond matando seu primeiro alvo e completando os dois assassinatos que agora são necessários para que o agente britânico obtenha o status de 00. E o que se segue é a clássica sequencia do ponto de vista do cano do revolver. Mas olha só, sem o tradicional tema musical, pela primeira vez em toda série. No lugar entra uma musiquinha bem bacana do Chris Cornell, que acompanha uma das melhores animações de abertura de toda a série.

E pela primeira vez também, vemos um James Bond moleque, de várzea, em início de carreira. Mas nem tudo é novidade, e na missão de estreia o agora 007 já acaba se desentendendo com os superiores ao explodir uma embaixada, o que rotineiramente seria resolvido com algumas frases espirituosas. Só que a imprensa cai em cima do MI6 por ele ter matado um prisioneiro desarmado, o que não ocorreria nos bons e velhos tempos da Guerra Fria, como lembra M.

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Aliás, um dos pontos fortes do filme é que (Algumas) ações do protagonista finalmente tem consequências. Por exemplo, o James Bond costumeiramente age como um babaca. O que até então não vinha trazendo maiores problemas. Aliás, até fazia com que algumas mulheres fossem pra cama com ele mais rápido do que o normal. Mas aqui, toda a arrogância do 007 (Ou o ego dele, como os personagens não cansam de frisar) só faz com que as pessoas achem ele um babaca. Prejudicando a relação com os aliados e distorcendo a percepção dele durante a missão.

Até o enredo, que não costuma ser o ponto forte da série, vai bem. Mesmo que a regra dos roteiristas, de procurar sempre a solução mais complicada possível pra quaisquer situações, se mantenha. O que acontece basicamente é o seguinte: Perseguindo uma organização terrorista, o 007 acaba impedindo a explosão de um avião experimental nos EUA. Só que o ataque tinha sido planejado pelo Le Chiffre, uma especie de banqueiro de terroristas. Porque ele tinha apostado contra a empresa criadora do avião na bolsa de valores. Mas já que o ataque não deu certo, ele acaba perdendo cento e tantos milhões de dólares. O problema é o cara apostou com dinheiro dos terroristas. E pra recuperar a parada, ele organiza um jogo de pôquer entre milionários, já que é uma especie de gênio matemático ou algo assim.

 E claramente tem um problema com jogo.

Enfim, James entra no jogo porque se o cara perder, a única chance dele vai ser se entregar pro MI6 e fornecer informações sobre os terroristas em troca de segurança. Ah, um vilão do 007 não pode ser um vilão do 007 sem ter alguma excentricidade, claro. No caso, Le Chiffre chora lagrimas de sangue, não pergunte porquê. Aliás, ele é interpretado pelo Mads Mikkelsen, ator muito foda, diga-se de passagem. É só ver os filmes que o Nicolas Winding Refn (Diretor do Drive) fez antes de ir pra Hollywood.

Até aí, o que mais chama a atenção é a sobriedade da coisa. Quase não vemos gadgets, ou cenas de ação (Muito) inacreditáveis. Nem o Q ou a Moneypenny aparecem, pra acentuar essa mudança de tom. Até a Vesper, representante feminina no filme, ganha certa complexidade. Pelo menos eu não lembro de nenhuma outra Bond Girl que tenha refletido suficientemente sobre a situação pra acabar chorando no chuveiro.

O destaque negativo fica por conta de boa parte da ação se dar na mesa de pôquer, o que faz com que o expectador seja informado do que está acontecendo pelo diálogo de outros personagens que assistem ao jogo. Por exemplo, com alguém falando pra Vesper agora tantos milhões estão na mesa, ou ele precisa pagar tanto para comprovar o blefe. A relação entre ela e James também tem muitos altos e baixos pra um período de tempo tão curto, o que acaba afetando a credibilidade da coisa.

Mas mesmo com uns deslizes e sem todos os exageros característicos (Ou até por isso), o filme diverte. Com alguns grandes momentos inclusive, tipo a parte em que James é envenenado e tem que tratar a si mesmo antes de desmaiar, ou a já icônica cena da tortura, um tanto quanto dolorosa, mas paradoxalmente engraçada ao mesmo tempo. E falando em paradoxalmente e engraçada, depois de a série ter penado por anos com tentativas cada vez mais toscas de humor e afins, o momento mais bem sucedido nesse sentido é justamente o que marca a ruptura com essa característica: James pede seu tradicional dry martini, o garçom pergunta batido ou mexido? e ele responde algo como eu tenho cara de quem se importa com essa merda?

 E não, ele não tem.

No fim, mesmo forçando a barra pra não deixar nenhuma ponta solta e se utilizando algumas reviravoltas bem previsíveis, o filme é bem sucedido no que se propõe. O mais legal é que toda a evolução do personagem dá a impressão da construção de um 007 mais humano e tal, quando acaba deixando ele apenas um agente melhor. O Cassino Royale foi como uma espécie de teste pra os futuros filmes, em todos os sentidos. E enfim, com a persona do 007 reconstruída, o tema clássico da série retorna triunfante, anunciando os créditos finais e um futuro promissor.

007 – Cassino Royale

Casino Royale (144 minutos – Ação)
Lançamento: EUA/Reino Unido, 2006
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis, baseados no personagem de Ian Fleming
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Mads Mikkelsen, Eva Gree, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini

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