What Lies Beneath (Tarja Turunen)

Música quarta-feira, 01 de fevereiro de 2012

Antes de mais nada, queria dizer que trato Tarja Turunen com imenso respeito. A mulher é uma cantora fenomenal, potente, carismática e vários outros adjetivos bonitinhos. Porém, o primeiro álbum de estúdio na carreira solo, My Winter Storm pareceu somente um apelo desesperado de uma cantora que gostaria de seguir sozinha, mas que precisava se levantar sem a ajuda de ninguém. É um álbum decente, bem produzido, arranjos vocais bem trabalhados e afins. Mas é repetitivo e apelativo em certo ponto. Ok, ópera é foda e todos concordamos. Mas a partir da terceira faixa, a mesma fórmula de baladinha emocionante arrastada e sonolenta, com destaque somente na voz perde a graça. Parecia que a carreira que mal havia começado estava fadada ao fim rápido e sem glamour, já que a própria Tarja ao vivo estava desanimada. Havia perdido o tesão naquilo. Até que veio a notícia de um possível segundo trabalho que mostraria que estávamos todos errados, e ela voltaria com tudo.

E o álbum já começa bem, com Anteroom Of Death. É uma música MUITO divertida, que vai da suavidade enganadora com o início no cravo a porradas no refrão, provando que, sim, dá pra ser clássico sem deixar de ser legal, jovial e coisas relativas. Ah, durante todo o álbum teremos um número incrível de featureds, e o primeiro é de Van Canto.

Depois vem Until My Last Breath, lead single. É uma música que começa um tanto quanto clichê, e só piora. É bem bonitinha e tal, mas assim como a maioria dos lead singles, não dá pra se ouvir mais que trinta vezes seguidas.

I Feel Immortal foi feito às pressas a pedido da Alemanha e a razão é bem discutível. Foi filmado na mesma locação do próximo single, e usando as mesmas roupas. Enfim, é a primeira baladinha e, mesmo, assim não é tão arrastada quanto as do primeiro CD. E isso é muito vindo da Tarja. Mas, assim como a anterior, em 20 vezes já se quer pular.

In For A Kill vira o jogo. É a primeira música com peso de verdade, a todo tempo. E parabéns ao artista que inexplicavalmente não organiza seu álbum de acordo com a atmosfera de cada canção!

Até por que corremos o risco de voltar a dormir com Underneath. É uma montanha russa de emoções, viu. Enfim, terceira balada, primeiro tema de auto-ajuda e quarto single. Há duas explicações pra essa sucessão de músicas nesse estilo: Ou me equivoquei e, realmente, a Tarja aglomerou todas as baladas juntas, ou esse álbum vai ser lento ao extremo. Deixo vocês aí refletindo.

Partindo para Little Lies, o peso volta. É parecida com In For a Kill. Tem refrão grudentinho. Não tenho muito o que falar dessa, além de que é outra onde há vários elementos que consagaram tanto a Tarja quanto sua ex-banda, o Nightwish. Corais, sintetizadores e uma orquestra de leve, por exemplo.

River Of Lust exerce um poder incrível sobre mim. Sério, amei profundamente essa música sem motivo aparente. É outra balada, mas aqui a voz da Tarja tá emocionante, quase contida, propositalmente, e fugindo de tudo o que ela já fez. Muito suave, e ela só mostra o potencial num refrão que é pouco arrastado.

Mais um featured, Dark Star, dessa vez com Phil Labonte. Música de temática mais gotiquinha, com riff de guitarra comum a esse estilo. O refrão é grudentinho e popzinho. Arriscaria dizer que será um futuro single, se houver mais algum, mesmo que não contenha muitos dos elementos clássicos, já citados acima.

Falling Awake caminha entre a balada e a música pesada, mostrando que está errado quem pensa que a Tarja só sabe fazer extremos: Músicas pra dormir ou pra bater o cabelo com vigor. Mesmo assim, a fórmula dessa já é meio repetitiva, só mudando o peso mesmo. Ah, e foi feat com Joe Satriani. Tá podendo, hein Tarjinha?

The Archive Of Lost é, adivinhem, mais uma balada! Acho que já deu pra sacar que o álbum foi lento ao extremo. Sério, não entendo quem classifica a Tarja como metal. Não mesmo. Enfim, voltando à música: É bem emocionante, com a mesma diferenciação vocal que Rivers Of Lust até o refrão, onde a orquestra se mistura e voltamos àquilo que tanto faz a cantora famosa.

Pra finalizar, outra música num balanço intermediário entre balada e porrada: Crimson Deep ao lado de Will Calhoun. Não há muito o que dizer dela, já que é a mesma ladainha exposta ao longo do trabalho.

Enfim, falar da Tarja é difícil devido ao número extremamente alto de fãs bitolados, que não entenderam que estou longe de criticá-la e mais longe ainda de achá-la sem talento e que provavelmente vão apontar e falar algo relacionado a “você é fã de Evanescence, não tem direito de falar mal de ninguém”. A mulher é foda e isso ninguém discute. O problema está na falta de diversificação e ousadia da cantora, apesar de acreditar que ela, aos poucos, sairá dessa zona de conforto criada pelo My Winter Storm.

What Lies Beneath – Tarja Turunen


Lançamento: 2010
Gênero musical: Rock alternativo
Faixas:
1. Anteroom Of Death
2. Until My Last Breath
3. I Feel Immortal
4. In For a Kill
5. Underneath
6. Little Lies
7. RIvers Of Lust
8. Dark Star
9. Falling Awake
10. The Archive Of Lost Dreams
11. Crimsom Deep

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