Você sabe por que velho não joga? Parte 6 – Sagrada Mãe Internet.

Games segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A possibilidade de jogar online, com várias pessoas ao mesmo tempo e originárias de qualquer lugar do mundo, teve um impacto tão grande na maneira de jogar que vou apenas arranhar a superfície do assunto neste tópico, e apenas no que tange ao assunto “diversão”.

Jogos em rede.

Os jogos online eram totalmente imprevisíveis na época do Atari, já que não havia internet fora dos meios militares ou universitários na década de 80, e nem transmissão de dados por linhas de telefone como tecnologias populares e ao alcance de grande parte da população.

O jeito era jogar sozinho, ou chamar os amigos para a casa de alguém que tivesse o console. Eram tardes memoráveis de jogo, certamente. Mas dependiam inteiramente da presença das pessoas no mesmo cômodo ou casa no mesmo período combinado, o que era responsável pela quebra dos “grupos de jogo” conforme os indivíduos iam crescendo e assumindo novas responsabilidades, como mudança de endereço, faculdade, namoradas, emprego, etc. Essas coisas desimportantes.

 Infelizmente ela não era do meu grupo de jogo. E nem do seu.

O Dreamcast foi o primeiro console caseiro de razoável sucesso a incorporar jogos online, mas isso apenas no fim da década de 90, quando a tecnologia já estava estabelecida, sendo adotada inclusive pelos consoles posteriores. Antes disso, os computadores já empregavam rotineiramente os jogos online, com a participação de vários jogadores ao mesmo tempo.

Inicialmente, os jogos eram através da modalidade PBEM (jogo por e-mail), onde desde jogos de xadrez até jogos rudimentares de luta, eram jogados entre os jogadores com um delay considerável entre os lances. Era como jogar pelo correio mesmo. Logo após, os jogos online tomaram a característica de turn-based, ou seja, eram mais ou menos simultâneos, com cada jogador fazendo suas ações em seu turno, e depois estas ações eram combinadas para o resultado final.

Apenas com a popularização de jogos como Unreal e Quake, é que os jogos online realmente tomaram as características que conservam atualmente, com as ações acontecendo todas ao mesmo tempo, como se todos os jogadores estivessem jogando juntos e no mesmo lugar. O auge da tecnologia de jogo online se encontra hoje em jogos como World of Warcraft, Neverwinter Nights e Ultima Online, que apresentam servidores estáveis, conexão fácil, alto nível de coesão no jogo e um universo persistente de jogo.

 Devido ao anonimato da internet, muitas vezes você não sabe com quem está jogando. E pode ser que seja melhor assim.

A facilidade de jogar em grupo é bastante evidente hoje em dia, sendo que se pode jogar com quantos oponentes ou companheiros se quiser, virtualmente a qualquer momento que se queira. Compromissos sociais ou profissionais não são mais barreiras para os jogos em grupos, o que é um avanço considerável na disponibilidade e quantidade da diversão, se pensarmos nos jogos em grupo da época do Atari ou Nintendo, com a troca de joystick de mão em mão, para que todos tivessem “a sua vez de jogar”.

 

No próximo post: O todo-poderoso compact disc.

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Bel

    atillah, você está ganhando cada vez mais o meu respeito. li todas as 6 partes avidamente e estou adorando cada uma delas… várias coisas legais sobre a evolução do video-game que eu não sabia, e que você explica de uma forma bem legal.

    bicho, você manja DEMAIS!

  • Bahamuto

    Eh, mesmo hj quando rola um fightzão ae entre amigos, não abro mão do meu controle… aliás, todo gamer que se preze tem um controle q é só seu e ninguém encosta, huaeheauhaeuhaeu

  • Friederichs

    Velho, não dava para resumir melhor oq a net faz pela gente!!!

  • Matheus Veríssimo

    Primeira vez que comento nessa série de artigos, e só tenho a lhe parabenizar!

    A internet é, sem dúvidas, a mãe sagrada de todos os Nerds.

    Abraços.

  • Cara, eu comentei o primeiro texto e você disse para que eu lê-se os dez restantes antes de dar meu parecer. Porém, só tem uma coisa ao longo da série que eu não entendo: dados tempos distintos (comparar os anos 80 com hoje é comparar o Théo com o Lemmy), como diabos pode-se espinafrar consoles como Atari, Snes e Mega sendo que eles não tinham a disponibilidade tecnológica que se tem hoje? Pô, legal a inciativa de se narrar a história dos videogames e tal, mas com essa rixa entre o ontem e o hoje, a coisa toda fica com cara de fanboy ou qualquer merda dessas. Acho foda os jogos que saem hoje, mas o Mega e o Snes produziram grandes pérolas. E já que você citou, alguns textos atrás, a questão do 3D, eu pergunto: quem é melhor, Flashback ou Fade to Black?

  • atillah

    Cara, Flashback é melhor, mas só porque a tecnologia de 3D disponível em 1995 (quando Fade to Black foi lançado nos PCs) prejudicou muito a sequência. Se fosse lançado hoje, APOSTO que seria melhor.

    Mas você falou uma grande verdade, Julio: meu ponto de vista é completamente parcial, disso você pode ter certeza. Tudo que você vai ler até o fim dos posts é a minha visão de como os jogos evoluíram, e como acho que o apoio tecnológico fez eles se tornarem MAIS divertidos.

    É lógico que os consoles antigos não contavam com a tecnologia de hoje, e os jogos bons daquela época eram o que de MELHOR se podia fazer naquela época. O que não impede e nem invalida meu argumento de que os jogos atuais são mais divertidos. Qual carro é melhor? Um Fusca 68 zero quilômetro ou um Maseratti 2007 zero quilômetro? A tecnologia faz diferença, cara.

    Mas gostei da sua argumentação. Manda daí que eu mando daqui.

  • Joao

    Atillah RULES!

  • MaK-PG

    LAN party comecei com DOOM… dobro de diversão um contra o outro. Se não me falha a memória era 4 o número máximo de jogadores.

  • Cervantes

    “Cara, Flashback é melhor, mas só porque a tecnologia de 3D disponível em 1995 (quando Fade to Black foi lançado nos PCs) prejudicou muito a sequência. Se fosse lançado hoje, APOSTO que seria melhor.”

    Cara, acho que não é bem essa a questão. Ano passado saiu “Sonic the Hedgehog” para o XBOX360. Gráficos perfeitos, última tecnologia disponível, shaders-super-megaboga-awesome-chocolate-blablablá… E foi uma m****. NUNCA a Sega conseguiu fazer um Sonic realmente bom em 3d. E eles tiveram tecnologias atuais disponíveis, as melhores possíveis. Sonic 2, do Mega-Drive, dá uma surra em todos os Sonic em 3d já feitos. A questão é: o 3d NÃO SE ADEQUOU À JOGABILIDADE DE SONIC. Não é uma questão de avanço de tecnologia. outro exemplo? Mega Man X7. Foi um fracasso tão retumbante, que o último Mega Man lançado (Mega Man 9, para WiiWare) utiliza gráficos 8bit. Isso mesmo, gráficos de NES.

    Outro exemplo, agora entre 2 jogos em 3d: o primeiro Tomb Raider (PSX, Saturn) é BEEEM melhor que Tomb Raider: Angel of Darkness (PS2). Não é só uma questão de tecnologia, mas de como essa tecnologia é incorporada à jogabilidade. Perceberam isso em “Tomb…: Aniversary”: nova engine, jogabilidade semelhante à do primeiro. Half-Life 2 é melhor que o 1 (na minha opinião) porque souberam escolher que tecnologias utilizar (no caso, física realista) e adaptá-las bem à jogabilidade – a tecnologia não está lá à toa. Se Fade to Black tivesse sido lançado hoje, teria gráficos melhores… E só. A JOGABILDADE do jogo era ruim, os controles eram ruins. Seria um jogo ruim, e Flashback (do SNES!!!) continuaria sendo melhor, como Sonic 2 é melhor que Shadow the Hedgehog.

    Sobre a vantagem da internet, ela não elimina a jogatina em grupo: se o Wii ainda está vivo, é porque é o único console atual que permite uma experiência divertida em grupo. Jogar com os amigos, na minha opinião, ainda é muito mais divertido – o que a internet faz é tentar substituir isso. Em alguns casos consegue bem, em outros não. O que é melhor: jogar Counter Strike com os amigos em uma LAN ou com anônimos pela internet? Eu prefiro com meus amigos, principalmente pra ficar tirando sarro dos perdedores logo depois! :P

    Mas claro que eu entendo que o ponto de vista do atillah é parcial, e opinião dele. A minha opinião é: quando a tecnologia é bem utilizada, ela é bem-vinda. Quando não, temos um jogo lindo que é, essencialmente, uma b****. Por exemplo, Crysis. Jogo ruim da bexiga.

  • atillah

    @ Cervantes

    “A minha opinião é: quando a tecnologia é bem utilizada, ela é bem-vinda. Quando não, temos um jogo lindo que é, essencialmente, uma b****.”

    Essa é essencialmente a minha opinião, cara. O meu ponto é: a tecnologia PERMITE coisas muito melhores do que tínhamos antigamente nos games. Jogo ruim SEMPRE vai existir em qualquer época.

  • Leslan Livonor

    Bicho é o seguinte o que mais vale no jogo é a criatividade com que ele é feito. Sacô truta?

  • Cara, concordo com o Cervantes totalmente. Nunca joguei um Sonic 3D que preste. Mas com essas histórias de jogos on-line. Prefiro mil vezes que estes jogos fiquem incorporados nos pcs do que nos consoles. Lembrei-me agora de eu jogando com meu melhor amigo na sala de casa Harry Potter e a Câmara Secreta pro PS1. Nós virávamos “trocentas” o mesmo jogo e ainda sim tinha graça. Saudade desse tempo. =)

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