Você sabe por que velho não joga? Parte 5 – Saves: a salvação dos jogos.

Games domingo, 19 de agosto de 2007

Introdução de mecanismos de save confiáveis.

Parar, salvar o jogo e desligar o console.

Um comportamento comum atualmente que era inimaginável na época do Atari. Se você pretendia terminar um jogo, você simplesmente não podia parar de jogar pra continuar depois.

Lógico, você podia dar “pause”, deixar o controle ali, desligar a a televisão, ir comer ou tomar banho e continuar do mesmo ponto, mas sem desligar o vídeo-game (e torcendo pra ninguém bater no controle ou o jogo travar por causa da pausa prolongada).

 Maldita máquina de frustrar crianças.

Terminar um jogo no Atari era realmente uma vitória: tanto sobre a máquina como sobre o próprio cansaço, depois de horas seguidas, sentado, jogando. Era comum revezar o controle com pelo menos mais um amigo, que fosse tão bom no jogo quanto você, pra não perder tudo no meio do caminho porque a mão estava doendo ou os olhos lacrimejando. Os jogos eram terminados por questão de honra e teimosia, e não porque fosse divertido jogar. Afinal, depois de passar 8 vezes pela fase da neblina em Enduro, ninguém está se divertindo mais.

Não vou falar mais sobre as óbvias vantagens de se poder parar o jogo pra retomar no outro dia. Vou me concentrar no incremento da diversão.

Os primeiros jogos que apresentaram a possibilidade real de parar e continuar depois, como não poderia deixar de ser, foram os RPGs. E ainda na modalidade de uma bateria de lítio dentro do cartucho, que ás vezes falhava, o que era muito frustrante.

O fato de poder salvar permitiu que os jogos ficassem maiores, muito maiores. Obviamente os jogos de Atari não podiam ser muito longos, pois ninguém agüentaria até o final sem parar. De qualquer forma, a cultura de “chegar ao fim do jogo” não era tão difundida naquela época, pois muitos jogos eram jogados simplesmente com o objetivo de atirar em alguma coisa, e não de completar algo em si.

Já no Nintendo e no Master System, os jogos puderam ter histórias mais refinadas, que iam se desenvolvendo conforme o jogo ia passando. Com a adoção dos saves, tornou-se possível contar uma história que realmente cativava o jogador, e que, como um bom livro, fazia com que continuássemos jogando para ver o que aconteceria no final.

Embora o Super Nintendo apresentasse uma honrosa fileira de games “cabeça” como Ys, Final Fantasy, Actraiser, Populous e Ogre Battle, Super Nintendo e Mega Drive continuaram usando as baterias nos cartuchos, o que restringia ainda todo o potencial dos consoles para os RPGs e jogos de Estratégia.

Somente do Playstation em diante, com seus cartões externos de memória (de capacidade muito maior que os cartuchos), é que as softhouses passaram a se concentrar em uma experiência realmente prolongada de jogo nos consoles. Antes do Playstation, os jogos “cabeça” estavam reservados quase que exclusivamente aos computadores, onde reinavam soberanos os adventures como Maniac Mansion, Myst, The Day of The Tentacle, Full Trothle, Gabriel Knight e diversos outros títulos semelhantes.

 Memory Card. Ou: dádiva dos deuses em forma de caixinha.

Sem dúvida, Final Fantasy VII, pela sua extrema popularidade, inaugurou uma nova era para os RPGs em consoles. Era um jogo bastante longo e que não apelava tanto ao público infantil como era a tendência á época no Playstation. Curiosamente, foi um dos primeiros RPGs que fizeram o caminho contrário do comum: foi “portado” do Playstation para o computador.

Com o boom dos RPGs nos consoles e a boa recepção dos games mais longos, vários jogos passaram a adotar alguma forma de save, pois os games não eram mais uma diversão passageira e descompromissada, como no Atari. Agora representavam um investimento de tempo e esforço, que não se perdia assim que a máquina era desligada.

A tendência do save de propiciar o prolongamento da experiência de jogo pode ser mais bem observada além dos RPGs, em jogos como Gran Turismo, que depende profundamente da possibilidade de save, não só para salvar o “lugar” onde você estava no jogo, mas para manter tudo que você conquistou. A diversão e sensação de conquista, propiciadas pela montagem de uma garagem repleta de carros detalhadamente ajustados, completar carteiras, circuitos e premiações (além de poder salvar os replays de corridas que só você achava um espetáculo), são evidentemente maiores do que a diversão unidimensional e plana gerada pelos games de corrida do Atari (Enduro), geração 8 bits (Micro Machines, Excite Bike, Outrun) ou até mesmo da geração 16 bits (Top Gear, Mônaco GP), que não permitiam nada muito além de correr em pistas com carros diferentes.

O incremento de diversão como um todo proporcionado pela adoção dos saves é tão evidente que hoje, virtualmente todos os jogos possuem o mecanismo. E a demanda de memória disponível para tal é crescente nos consoles, chegando ao ponto da implementação de hard disks nos consoles atuais.

 

No próximo post: Sagrada Mãe Internet.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Friederichs

    AOOOOOOO, queria ver FF VII sem memory T_T!

  • Bel

    eu nunca tinha parado prá pensar na importância do save… no meu primeiro (e único) vídeo-game, um master system com sonic, eu e mais duas amigas ficamos um dia e meio SEGUIDO prá zerar sonic, porque não tinha save… daí a gente se revezava nas fases, cada uma jogava duas. e mesmo assim não conseguimos porque nossos pais mandaram a gente desligar a porra do vídeo game porque não era saudável e nossos cérebros iam escorrer pelo nariz se ficássemos mais duas horas lá. e a gente tava na última fase ;(

    eu quero um ps2, já falei isso?

  • Bahamuto

    Eh BEL, ao menos teus pais não puderam usar a desculpa que vcs não estavam se socializando e estavam ficando isolados do mundo “real”, tiveram q apelar para o cérebro derreter, heaaeuaeuhaeuea

  • Bah, se tinha um jogo q me frustrava na época do Mega Drive era o Kid Chameleon. Não q n gostasse do jogo – ao contrário, me amarrava – mas o game era tão longo q era muito triste n poder salvá-lo.

  • lol xD

    “são incomparavelmente maiores do que a diversão unidimensional” se são incomparáveis, não compare XD

  • lol xD

    aoeiaeuh to brincando, texto(s) muito bom(ns), parabens =P

  • atillah

    Puta merda, é mesmo. Eu fui pedante e me fodi no uso do português. Vou corrigir, valeu.

  • Xuxão Lennon

    Rapaz, tenta terminar “Tomb Raider” sem ter como salvar… IMPOSSÍVEL!!
    E jogos do tipo “Resident Evil” então? você ficaria maluco…

    Uma salva de palmas pra essa tecnologia sensacional: Cartão de Memória.

  • Joao

    Memory Card. Ou: dádiva de deus em forma de caixinha.

  • Tóim

    Vale lembrar que o memory card não apareceu primeiro para o PSX como muita gente imagina…

  • Calvin James

    Anos atrás jogava Shinning Force 2 do Mega Drive com 2 amigos. Revezávamos o controle e iamos desenvolvendo os personagens e tentando novas táticas quando ficávamos “travados” em algum puzzle.
    Uma revista de games na época afirmou que haviam 24 personagens secretos que poderiamos usar durante o jogo. Nós descobrimos 26.
    Salvando ojogo no próprio cartucho demoramos uma semana pra terminar (trabalho, escola, futebol, paqueras e etc…)
    Hoje em dia vejo os moleques se reunindo pra jogar WE e CS nas Lans Houses ou em casa mesmo e só o que se escuta são palavrões e provocações que terminam quase sempre em brigas e rixas ridículas por “aquele gol mentiroso” ou headshot impossível.
    Claro que antigamente também havia discussão mas não se levava tão a sério como hoje.
    Acho que os velhos sentem saudade do companheirismo e amizade mais do que qualquer outra coisa.

  • Marcio André

    Imaginem então o Battletoads que não tem fim…

  • E também tinha os Megaman que usavam o jogador como memory card – porque você tinha que decorar um conjunto de figuras que representavam a password, que nada mais é que uma codificação do seu estado atual no jogo.

  • MaK-PG

    Bem lembrado o “save” do Megaman!

  • Rodrigo Castro

    O Playstation foi foda! O maior console depois do Atari, que praticamente inaugurou a indústria dos games. Foi o 1º console acessível a implementar o save, o 3d e o CD como mídia, além do controle dele continuar vivo até hoje com o PS3, Xbox e vários outros controles \baseados\ nele. Claro que ele não inaugurou nada disso, mas popularizou tudo o que seria regra no futuro. Agora o Wii tá fazendo a mesma coisa, aparentemente. O Play 1 foi meu último console, depois dele só pc, admiro muito os gráficos do PS3, mas não tenho grana nem saco pra jogar como antes, sou um velho.

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