Uma domingueira televisiva na vida de um cidadão Century

Televisão quarta-feira, 02 de abril de 2014

Eu não sei se isso já foi dito em algum outro texto que escrevi, mas eu moro em Petrópolis e diferentemente do que dizem por aí, não, ela não é uma cidade divertida. Ela mal é uma cidade pra dizer a verdade, mas por incrível que pareça ela tem uma área rural e por mais que a internet chegue aqui, TV por assinatura é uma incógnita completa. Ou talvez as pessoas apenas levem muito a sério o que o Lima Duarte ou o Sérgio Reis dizem. Enfim, eu tenho que passar a mão no toco e agradecer por ter uma antena parabólica com mais de 30 canais.

O grande problema é que desses 30 canais, 10 são agropecuários e outros 15 são religiosos, restando assim Globo, SBT, Record, Cultura e de vez em quando a Band. Pois é, até a Rede TV nego tirou da parabólica. E meu domingo, aquele dia legal pra caralho, resume-se a assistir algum desses 5 canais, mas é claro que se vocês já leram algum texto meu, vocês sabem que eu sou um tanto quanto alienado e falar em alienação e não falar na Globo é quase uma heresia, então meu domingo resume-se praticamente a programação da Globo. Pois é, esse sou eu.

Eu acordo por volta das 13:00 horas com uma puta ressaca escrota. Me arrasto até o banheiro, dou uma bela duma cagada, escovo os dentes, pego uma garrafa d’água, me largo no sofá e ligo a televisão. Primeiramente, é óbvio, faço o que qualquer um faz, dou uma zapeada por todos os canais na vã esperança de encontrar algo legal. Frustrado e desapontado comigo mesmo, acabo deixando na Globo. Nesse horário costuma estar passando um filme. Na maioria das vezes algum dos Transformers ou qualquer animação da Pixar. Não é tão ruim, levando em conta o que está por vir. Quando o filme chega ao fim, começa então o programa que é tudo e não é nada ao mesmo tempo. Sim, estou falando de Divertics. O programa, que envolve circo, teatro, stand up, improviso, esquete, balé, despacho, possessões demoníacas e sondas anais até que tem um bom elenco, se você considerar apenas Leandro Hassum, Rafael Infante e Luís Fernando Guimarães como elenco. As esquetes, que nunca funcionam, nem quando plagiam o Porta dos Fundos, começam do nada e terminam do nada. Você espera que alguma piada saia dali, mas a única forma de rir com o programa é com os improvisos dos já citados Hassum, Infante e Guimarães. Tá pra nascer programa pior do que esse, e olha que ele só tinha que ser melhor do que o Esquenta.

Eu sei o que NÃO vai acontecer.

Quando a tortura do Divertics finalmente chega ao fim, tem início o tradicional futebol de domingo. Geralmente o jogo é do Flamengo, mas daí eu nem posso reclamar, ninguém mandou o gordo filho da puta aqui escolher torcer pro Fluminense. Nesse momento eu até mudo de canal e coloco no SBT. Costuma estar dando um quadro dentro do programa da Eliana onde caras entram fantasiados no palco e se oferecem para 5 mulheres que estão lá pra aparecer e não para encontrar sua cara metade. Eu assisto por uns 5 minutos até que a vergonha alheia toma conta do meu ser e eu volto para o futebol. Afinal, secar o Flamengo é sempre legal. Mas é após o jogo que a tortura realmente começa.

O que tem a essa hora é Domingão do Faustão, Roda a Roda Jequiti e o Domingo Espetacular com matérias confiáveis como o ET Bilú. Nessa hora não tem jeito, o lance é desligar a TV e inventar alguma coisa pra fazer. Geralmente eu saio pra comprar algum goró ou vou assistir pornô. Enfim, enrolo na rua ou no XVideos até as 21:00 horas, quando ligo novamente a TV e tento assistir Pânico na Band. É, esse cara sou eu. Globo e Pânico na Band. Foda-se. O problema é que por algum satanás estático, a Band costuma não funcionar a noite, então eu fico puto, dou uns tapas no receptor, taco uma lata na antena e por fim me contento em assistir o Fantástico. Após xingar os repórteres e as reportagens, eu continuo por ali mesmo e assisto Big Brother, The Ultimate Fighter e o filme do Domingo Maior, que geralmente é um filme dos anos 90 com algum dos brucutus do filme Mercenários. Após isso eu vou me deitar sentindo uma ligeira vontade de cortar os pulsos e questionando-me sobre o que estou fazendo com a minha vida, mas depois eu relaxo, já que tudo isso irá passar até o próximo domingo, quando farei exatamente a mesma coisa.

E é assim que um cidadão que não gosta muito de sair de casa passa o seu domingo, sendo torturado por uma caixa mágica que defeca inutilidades na sua mente. Mas cês querem saber o que é mais legal? Mesmo se eu tivesse todos os canais disponíveis na SKY, eu provavelmente continuaria assistindo a estas mesmas porcarias. Meu Deus, eu preciso de um vídeo game.

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  • Luiz Carlos Santos

    Excelente, cara ! A descrição quase perfeita de um domingo na TV em minha vida, exceto que eu não me ligo tanto assim em “assistir” esses programas, mas apenas “constato” que eles passam. Confesso que assisto trechos de quase todos os que você falou, mas a fossa é tão grande que sempre arrumo alguma coisa menos chata para fazer depois de uns 15 ou 20 minutos de tortura. Vou dar uma volta, vou jogar no computador, vou assistir a um filme que baixei, etc. E depois volto a ligar a TV, me torturo por mais 15 ou 20 minutos, e recomeço o ciclo.

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