Two and a Half Men terminou, cuspiu na sua cara e foi embora sem pagar

Televisão segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A alma de Two and a Half Men sempre foi o Charlie Sheen, isso é uma verdade incontestável. Mas é claro que os produtores não queriam largar a galinha dos ovos de ouro após a enorme surtada de Sheen durante a 8° temporada, e resolveram continuar a série com Ashton Kutcher em seu lugar. E é claro que com isso a série estava fadada ao fracasso, não por ficar menos engraçada, mas porque os haters sequer assistiriam a série e ficariam por aí semeando seus comentários geniais: “Lixo”, “Deveria ter acabado na 8° temporada”, “Two and a Half Men sem Charlie Sheen não é Two and a Half Men” e todo esse mimimi de gente besta. Mas a verdade é que a série durou mais 4 anos e terminou de forma que ninguém teria cu para terminar, comendo o próprio cu.

A verdade é que, querendo ou não, Ashton Kutcher renovou completamente a série. Parecia um spin off do Alan? Claro. Isso era ruim? Não. O problema é que, como dito antes, as pessoas não aceitam mudanças. O mesmo ocorreu com Misfits e Being Human, e só Deus sabe como é que Doctor Who tem um fandom tão gigantesco. E essas pessoas que não aceitam mudanças não dão chances ao novo e saem por aí querendo a cabeça da série em uma estaca em chamas. Essas pessoas são tão loucas, que suas reclamações sequer fazem sentido. Elas pararam de assistir Two and a Half Men porque o Charlie Sheen saiu e elas não assistiram Anger Management porque o Charlie Sheen não era o Charlie. Mas porra, o Charlie não era o Charlie Sheen?

Enfim, com a audiência diminuindo sem motivo algum, a série foi ficando mal das pernas. Angus T. Jones deixou a série em sua 10° temporada e resolveu virar um hippie que vende artesanato na praia das coisas que a natureza dá. E o pior de tudo, ou melhor, é que isso abriu as portas para um ótimo e incompreendido personagem, Jennifer Harper, a filha perdida de Charlie, que só precisava de um pênis pra ser idêntica ao pai. E pronto, Charlie estava de volta a série. Eram das calhordices dele que a galera tava sentindo falta? Então agora não tem mais do que reclamar. Mas o que aconteceu? A galera não assistiu e mais uma vez xingou muito no twitter.

Vendo que a única maneira de salvar a série seria trazendo Charlie Sheen de volta, fato que não iria acontecer em hipótese alguma, os produtores decidiram encerrar a série e anunciaram que a 12° temporada seria a última. Aliás, que temporada e que final. Of Course He’s Dead, nome do último episódio da série, resolveu tirar uma com a cara da galera que ficava pedindo a volta de Sheen e com a cara do próprio Sheen. O episódio gira em torno da descoberta de que Charlie não está morto e agora quer se vingar de Alan e Walden. Por que? Bem, o Alan explica com as seguintes palavras:

Ele achava que o seriado não sobreviveria sem ele. Ele achava que eu era apenas um coadjuvante, mas eu era um principal.

Sim, porque o episódio quebra a 4° parede a todo momento, como quando Angus T. Jones faz sua breve participação e as piadas são exatamente sobre as piadas babacas que ele tinha na série, ou quando Berta descobre que Charlie ainda está vivo e diz que se o Alan for embora e o Charlie fizer dupla com o Walden a série ainda pode durar mais 5 anos. Aliás as piadas com o roteiro e os atores rolam o tempo todo. A série praticamente se escracha pra que ninguém mais tenha que escrachá-la. Ashton Kutcher questiona-se o tempo todo o que está fazendo ali e diz que se arrepende desde o primeiro dia, mas que não pode abandonar a casa, pois isso seria dar a vitória para Charlie. Ou quando Arnold Schwarszennegger pergunta se Charlie já tentou tratamento de choque (Ou Anger Management) e Alan diz que sim, mas não deu certo. Caralho, que porrada. Meu Deus, eu poderia escrever todas as piadas feitas no episódio aqui, de tão foda que foi. Mas calma, eu não farei isso.

O episódio é simplesmente um dos finais de série mais corajosos que eu já assisti. Os caras assumiram a derrota, riram da derrota e caíram batendo neles mesmos. A única forma de você não gostar deste episódio é se você estiver muito chateado pelo fato da série não ter mostrado Charlie Sheen. Porque sim, o episódio promete Charlie o tempo todo e termina sem nos mostrar Charlie uma última vez. O que é um chute na cara dos fãs sem noção, que ficam fazendo “protesto” em rede social pra intimidar os produtores. Two and a Half Men terminou fazendo o que queria, não abaixou a cabeça pra hater mimimi e ainda zoou Charlie Sheen como se não houvesse amanhã. Peraí…

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  • Igor Santos

    Ótimo texto! Desde que Charlie saiu, escutei que a série deveria acabar logo e tal, pelo jeito foi um alívio pra muitos, e acabou de forma bem interessante.
    Só uma observação: O Doctor troca de ator porque, desde a primeira série, o personagem passa por regenerações que mudam sua aparência e personalidade. É a “desculpa” perfeita pra não ter muito mimimi e, claro, manter a série viva sem se preocupar com contratos de atores.

  • Loney

    Assisti essa porra e devo dizer que foi uma safadeza sem tamanho… mas bem executada; eu aprovo.

  • Se não fosse o Beicon eu nem saberia que a série tinha acabado. Agora vou ali baixar o episódio só porque a resenha foi bacana.

  • Cuidado que agentes da SWAT vão invadir sua casa por pirataria.

  • Fiquei esperando e nada. :/

  • Desculpa, cara. É mentira. Os americanos não monitoram a gente, a nossa vida é muito sem graça.

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