Trazendo à Realidade – Thor

Nona Arte quarta-feira, 09 de dezembro de 2009

É 1962 no calendário cristão. Em Midgard, a humanidade passa pela Guerra Fria. No entanto, num plano superior de existência conhecido por Asgard, o panteão nórdico esquece da nossa existência para se reunir em Valaskjalf. Lá, se presencia um fato que não ocorria há milênios, desde o aprisionamento de Loki: o julgamento de um Aesir.

Enquanto Loki foi encarcerado por ter causado a morte de Baldur, ficando preso até a chegada do Ragnarök/Götterdämmerung (ou não, se você levar em consideração o volume Entes Queridos, da série Sandman), Thor, filho de Odin e segundo no comando de Asgard, será punido por algo muito menos relevante: falta de humildade.

Para não igualar o filho pouco humilde ao monstruoso filho de Angrboda, Odin resolve dar ao Jóquei de Bode uma pena alternativa. Thor “encarnaria” um humano, sem conhecimento da própria divindade ou memórias, e passaria um tempo na pele do estudante de medicina parcialmente deficiente Donald Blake.

Thor fica divinamente furioso, mas, como sabe que não pode escapar do pai (Que, ainda por cima, tem apoio de todos os Aesir e Vanir presentes), aceita, resignado, a punição que lhe é designada. Todas as memórias do Deus do Trovão são apagadas e ele é anexado ao pobre Blake.

Ao ser possuído por Thor, o corpo de Blake sofre algumas transformações, devidas ao poder inerente ao deus banido: suas deficiências começam, gradualmente, a ser curadas. O frágil corpo do médico, querendo tornar-se um portador digno do mais forte dos deuses nórdicos, alimenta-se lentamente do poder de Thor para tornar-se forte e vigoroso. Mas o corpo de Blake não é o único afetado pela presença de Thor. O caráter do médico também é afetado, tornando-se altivo, corajoso e conquistador (afinal, Thor era um deus da fertilidade Swingin’ sixties here I come baby, yeah!).

Thor/Blake, com um corpo e caráter renovados, se torna um cirurgião e cidadão estimado, amado pelas mulheres e invejado pelos homens, mas vazio de orgulho excessivo. Certo dia, Mjolnir volta às mãos do simbionte Thor/Blake, e este aprende a alternar entre o médico e o deus. Thor, então, recupera sua consciência, mas sem as memórias, e se torna um combatente do crime. Sem saber dos acontecimentos anteriores, vai recuperando sua antiga força, mas mantendo-se humilde. Feliz com isso, Odin considera a pena do filho cumprida e o liberta de sua prisão humana.

Retornando a Bilskirnir, Thor tem seu poder completamente reintegrado e suas memórias devolvidas. Ao analisar todo o quadro, sente o orgulho ferido e começa a planejar um modo de escoar a ira que o consome. Ao longo dos anos, arquiteta um plano de vingança, escondido dos outros deuses. Quando o plano está completo e sem falhas, começa a pô-lo em ação.

Disfarçado, Thor andará entre os homens, semeando ódio, luxúria, discórdia e a loucura a largas mancheias. Utilizando-se de Mjolnir, Thor matará Ratatosk e a águia que mora no topo de Yggdrasil, e auxiliará Nidhogg a destruir as raízes da árvore do mundo. Por fim, como ato final de seu projeto de fúria, libertará Fenrir e Loki de suas prisões, iniciando o Ragnarök, o crepúsculo dos deuses e o fim do mundo para os homens. No Ragnarök, será morto, não pela Serpente de Midgard, como estava profetizado há eras, mas por seu próprio pai, cego de desilusão, que resolve dar a ele o maior dos castigos: a visita de Hel.

(Para melhor compreensão da coluna, consulte isso aqui)

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