The Monkees

Música quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Esse texto é especial pra você que gosta de músicas antigas e boas, e que leu o título mas não sabe do que eu estou prestes a falar. Saibam que hoje o nosso assunto é televisão. Ou melhor, música. Na verdade, os dois. Vem comigo…

The Monkees foi uma série de televisão exibida pela primeira vez em doze de setembro de 1966 e que contava as desventuras de quatro rapazes – Micky Dolenz, Michael Nesmith, Peter Tork e Davy Jones e sua banda, que dava nome ao programa. Nas palavras de Dolenz, The Monkees era “uma série de TV sobre uma banda imaginária […] que queria ser os Beatles, [mas] que nunca teve sucesso”.

O caso é que eles nunca foram uma banda imaginária e tiveram sim muito sucesso. Ao criar a série, o aspirante a cineasta Bob Rafelson pretendia usar uma banda já existente, o grupo de folk-rock de Nova Iorque Lovin’ Spoonful, criador de clássicos como Daydream e Summer In The City. Mas, por problemas contratuais, a banda não pode participar, criando aí para Rafelson e seu sócio, Bert Schneider, a necessidade de arranjar 4 músicos/atores para interpretar os Monkees. Um anúncio circulou durante dois dias de outubro de 1965, convocando “garotos insanos” entre 17 e 21 anos para participarem de uma nova série de TV. 437 jovens apareceram, dentre eles estava até mesmo Stephen Stills, do Bufallo Springfield, que dizem ter sido recusado por ter dentes ruins. Enfim, três rapazes foram escolhidos nas audições, Nesmith, Tork e Dolenz, já que o inglês Davy Jones já tinha sido previamente selecionado.

A série em si durou duas temporadas, entre 1966 e 68, mas os Monkees entraram pra indústria musical definitivamente. Foi em janeiro de 1967, quatro meses depois de sua estréia, que os quatro integrantes fizeram a primeira sessão de gravação como uma banda completamente funcional. Até ali, o tempo tinha sido gasto decidindo quem tocava o quê, quais músicas eles gravariam, além de quando e como seriam lançadas. A banda era tutelada por produtores e supervisores musicais, e pra fazer música usavam a ajuda de outros músicos. Pensando assim, seria difícil negar o que diziam seus detratores na imprensa e no movimento hippie, que os acusavam de ser uma banda falsa, montada e sem valor cultural ou musical. Mas a coisa não foi bem desse jeito.

É verdade que os Monkees nasceram como uma banda para uma série de TV; eles importaram características dos Beatles, como o corte de cabelo e um trocadilho no nome (Monkeys/Monkees e Beetles/Beatles); eram usados com o propósito principal de vender discos, o que eles fizeram muito bem por algum tempo, vendendo até mais que os próprios Beatles e faturando em cima do sucesso destes. Infelizmente, para os críticos, o “quarteto pré-fabricado” (Como foram chamados por jornais da Inglaterra) tinha qualidade. Em 1967, um repórter tentou conseguir de Jerry Garcia, integrante do Grateful Dead, um comentário sobre os álbuns “falsos” dos Monkees, e este respondeu que “eles foram bons álbuns, e têm que ser, já que têm ótimos músicos tocando neles”. E a idéia é essa. Vistos como irrelevantes e sem talento por muitos, os Monkees extrapolaram a futilidade da situação onde foram criados, ou como foi colocado por ninguém menos que George Harrison: “É óbvio o que está acontecendo, tem talento ali. […] Quando eles tiverem ajeitado tudo, podem acabar virando os melhores”.

Hoje, mais de quarenta anos depois, o ouvinte mal poderá distingüir os Monkees das músicas pop de sua época. O problema, se vê, não é musical. O autor de Monkeemania: The True Story of The Monkees, Glen Baker, suspeita de inveja disfarçada por parte dos artistas e mídia dos anos 60, principalmente pelo fato da banda ter tido “o sucesso dado pra eles em uma bandeja de prata”; Baker deixa o que talvez seja a verdade sobre os Monkees: “Um imaginativo e altamente memorável exercício na cultura pop”. Para nós, no presente, e longe das confusões em torno da série e da banda, só podemos fazer um julgamento justo, levando em conta nosso próprio gosto. E quem o fizer pode se surpreender positivamente. Quem sabe às vezes seja preciso atravessar décadas pra ver com clareza. Aos meus leitores, se é que os tenho, espero que gostem:

E mais uma, pra confirmar:

Essa é a mensagem de hoje, pessoal. Vida longa e próspera.

Além de escrever sobre séries de TV e bandas dos anos 60, eu também falo sério em crônicas, contos e outras paradas. Pra ver é só ir no Estranho Sem Nome. Sério, dá uma olhada lá. Mas não tira o olho aqui do Bacon também, hein.

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