Radiohead – The King of the Limbs

Música segunda-feira, 07 de Março de 2011

Parece que a vinda do Radiohead ao Brasil rendeu frutos e mexeu profundamente com seus integrantes. Temo que essas mudanças serão irreversíveis. The King of Limbs, à primeira audição, me pareceu uma tentativa de seguir a lógica de In Rainbows, mas sem conseguir. São oito canções completamente dentro daquilo a que hoje se pode considerar o gênero Radiohead. São, aparentemente, batidas eletrônicas fuleiras disfarçadas de loops e os vocais de Thom Yorke balbuciando qualquer coisa. Depois de ouvir o disco pela primeira vez, e colocar outro pra tocar, instantaneamente desapareceram da minha memória as poucas melodias que tentei me lembrar. Triste.

Depois de todas as experiências e aventuras por território desconhecido, Thom Yorke e companhia parecem ter encontrado o terreno onde se sentem mais confortáveis, deixando de lado tudo que fez deles a banda mais arrojada e inventiva das últimas duas décadas para fazerem um álbum bom, e só desapontam aqueles que estão sempre à espera que eles se reinventem a cada passo que dão. Ou seja, todo mundo.

 Por que? Por queeeeee?

Embora In Rainbows tenha estado sempre na minha mente quando ouvi estas canções pela primeira vez, não pude deixar de reparar que certos momentos de Hail to the Thief e Amnesiac estiveram também bem presentes na memória musical da banda quando arregaçaram as mangas para compor The King of Limbs. Ou não.

 Vamos colocar outro loop bem abrasileirado aqui e vai ficar duca!

Bloom é uma abertura nada grandiosa, que perde feio de Everything in Its Right Place (Faixa 1 de Kid A ) e 2 + 2 = 5 (De Hail to the Thief ). Com uma estética não muito longínqua de The Gloaming, de Hail to the Thief, o tema tem como base um loop de bateria travestido de batida eletrônica. A voz de Yorke vem com toda a calma por cima de uma massa sonora que fica cada vez mais densa com o avançar dos segundos. Me deu dor de cabeça na segunda vez que ouvi. Mais do mesmo? Infelizmente.

A guitarra quase inexistente de Morning Mr. Magpie soa a versão menos criativa de Bodysnatchers e, assim que Yorke canta You’ve got some nerve coming here, eu penso: É um disco solo? Aonde foram parar os outros integrantes da banda? A batida eletrônica novamente cansa. Repetitiva demais, assim como a guitarra.

Little By Little pareceu-me a música mais corajosa. Pelo menos o riff e a batida (Intrigante, quase um arrasta pé, daria pra dançar um rala-buxo ao som dela) desta vez me fizeram lembrar do Radiohead que conhecia. A melodia fica na cabeça, radioheadiana e fácil de cantar (Me parece que eles estão fazendo músicas complicadas de cantar. Pra quê isso?).

O nome fez-me prever uma música feroz, mas Feral só vai crescendo, com pequenas explosões aqui e ali e a voz de Yorke a se entregar, descuidada e incompreensível. Bons tempos de quando a faixa 4 era algo como Fake Plastic Trees ou Exit Music (for a Film). Nas mãos de muito corta e cola, vira isso: Vozes abafadas e sons agonizantes que poderão afastar os menos resistentes.

Lotus Flower, aquela que foi lançada como primeiro single do álbum vai buscar uma pitada de There There e rapidamente se revela a canção mais melodiosa e tradicional de The King of Limbs. Nem preciso dizer que mesmo sendo uma luz nesse blecaute criativo, achei esta a mais medíocre do disco justamente por isso.

Codex é facilmente o tema mais sombrio do disco, uma espécie de síntese entre Exit Music (for a Film) e Pyramid Song. Quando o piano começa, você finalmente acredita que baixou mesmo a versão certa desse disco (Existem várias pela internet, então se ligue se você gostar demais desse disco de primeira, provavelmente baixou a versão errada). De cortar os pulsos, devia ser esta a encerrar esse disco.

Give Up the Ghost poderia muito bem resumir este disco: Um traumatizante complexo hipster de não aceitação e fuga. Com batidas latinas. E um violão safado. Ou há um orgasmo ejaculatório coletivo, ou há um conjunto de vozes que têm somente tesão por mijo.
Nota do editor: LQL

Separator encerra King of Limbs de forma um pouco decepcionante, especialmente quando nos lembramos dos maravilhosos finais dos discos anteriores. Uma belíssima introdução pra nada.

Concluindo, mais um disco difícil deles (Com muita boa vontade chamo este rascunho de disco, pois só mesmo sendo muito fã deles pra não escutar nada de errado). Já estou cansado disso, quando tenho que me esforçar cada vez mais apenas pra gostar do disco novo de uma banda. Ter de ouvir varias e varias vezes e nem me lembrar de como a faixa começou, sem sentir tesão nenhum pela letra ou pela melodia é muito triste. É, o Radiohead são os Beatles do nosso tempo. INFELIZMENTE. Será este o prenúncio de 2012? Um álbum tão grandioso que nada restará à humanidade para fazer além de tentar ouvir e entender POR QUE? Senti muita falta mesmo do baterista Phill Seway, esteja onde estiver, espero que esteja em bom lugar. Pelo menos o disco solo dele foi bom. Os outros morreram faz tempo. O adjetivo inclassificável (Que antes era um elogio) não se aplica mais, pois nem de rock isso pode ser chamado.

The King of the Limbs (Radiohead)


Lançamento: 2011
Gênero musical: Indie
Faixas:
1. Bloom – 5:15
2.Morning Mr Magpie – 4:41
3.Little By Little – 4:27
4. Feral – 3:13
5.Lotus Flower – 5:01
6. Codex – 4:47
7. Give Up the Ghost – 4:50
8. Separator – 5:20

Gostou? Não? Então porque leu? Que tal fazer parte da comunidade no Orkut, seguir o Twitter, entrar pro nosso Last.fm e o chat dessa bagaça no msn (Não tem link, tem que adicionar o group1185561@groupsim.com), além de curtir a parada toda no Facebook somente pra poder discurtir depois, hein?

Leia mais em: , , , , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • MarK

    Olha, sem querer sem fã de Radiohead chato, mas já sendo, a tua crítica tem tanto furo que nem dou conta de somar no final. Fala pra mim, Radiohead então está tocando Radiohead? Vamos dizer que fosse verdade — o que não é — isso seria ruim? Eles fazem música diferente de tudo que está aí fora, então onde está o mal? E esse negócio de mais do mesmo, olha só, me aponta duas músicas anteriores deles que soam como Bloom e Little By Little. Pode olhar no back catalogue, vai lá… os b-sides de Amnesiac lembram né? Mas só lembram. Não são iguais. Eu te garanto que vc não vai achar. Feral é dubstep da cabeça do Thom, e embora tenha muito de Burial, ainda assim é diferente do que os dubs europeus vêm fazendo.

    Falar de letras? Já parou para pensar na letra de Bloom, por exemplo? Ou de Lotus Flower? São maravilhosas e vc saca na hora o que o Thom está querendo dizer com elas, algo não muito fácil na maioria de suas letras abstratas. Dá para ver que vc gosta mesmo do Radiohead melodioso, já que sua preferida é Codex, certamente a menos exigente e mais acessível do álbum. Não que não seja linda, ela é, mas ela é o Radiohead que conhecemos, as anteriores são no que eles estão se transformando, porque claramente Limbs é um disco que mostra uma banda em transformação.

    E vc vir falar que não tem Phil Selway? Ele e Colin Greenwood estão por todo o disco! Caraca! Tu ouviu a mesma coisa que eu? Me perdoe, mas desde quando Radiohead foi “rock”? Eles pararam com o rock em The Bends, e isso foi em 1995.

    Cara, não precisa ser fã fanático para apreciar o Limbs. Eu entendo quem não gosta dessas direções eletrônicas, mas vir falar que é ruim e tal, que as letras não são boas é extremamente injusto com a banda. Eles poderíam muito bem surfar na melodia e popularidade de In Rainbows por mais uns dois álbums, mas não, fizeram o que não se esperava e mudaram novamente. Que outra banda grande igual o Radiohead tem culhões para mandar uma Feral no meio de um álbum? Pois é… por isso os caras são bons.

    PS: Separator é um final que deixa gosto de quero mais e uma incerteza no ar, não é um real closer… e faz de propósito, vêm vindo mais um album esse ano. É esperar para ver se vai baixar mais loucura por aí.

  • cara, eu poderia dizer que não gosto de Paderewski, mas gosto. que não gostei da guinada que o Radiohead deu depois do Ok Computer, mas gostei muito do Amnesiac e mais ainda do Kid A. mas esse novo disco tá mais pra disco solo. vc deve achar que eu curtia mais a fase deles antes do Kid A, mas eu curti até ali. In Rainbows pra mim foi uma redenção deles. porque o Hail to the Thief mesmo, pra mim foi um disco perdido. metade daquelas músicas não me agradou, assim como agora. e as que não me incomodaram nesse novo “disco”, não me agradaram realmente. seu comentário apenas mostra a nova dicotomia entre os fãs da banda: metade odiou essas batidinhas eletronicas repetitivas, difíceis até de acompanhar com o pé no ritmo certo; e a outra metade, que pode até não ter gostado do novo disco, mas se “acostumou” com a nova linha da banda e escuta as musicas novas no repeat, doa a quem doer. se é um novo plano do Thom Yorke, lançar isso agora e depois lançar sobras desse disco com muito mais qualidade, eu não sei (ao contrario do que foi feito com o In Rainbows, que teve um segundo cd péssimo).
    se você acha injusta a minha critica, meus parabéns. já eu não acho injusto você perder o seu tempo escutando isso…

  • João Pedro

    eu gostei pra caralho do disco, mas isso não é o radiohead de sempre, isso não é a música de sempre. eu até poderia defender, dizendo que é algo ‘complicado pra massa’, algo que ‘poucos compreendem’ mas seria idiotice, pq nem eu entendi que merda eles tavam querendo dizer ali. eu curti o disco, achei bom, mas é um trabalho muito focado em thom yorke realmente. não to gostando do rumo que o radiohead tem tomado desde kid A. kid A é bom, mas o que ele fez com o radiohead não.

  • no inicio eu achava que a culpa era do thom e só dele. mas quando você parte pra conhecer o trabalho solo do johnny greenwood e ouve uma coisa como bodysongs, você percebe que eles são mesmo pessoas profundas e complicadas. como todo mundo…

  • MarK

    Bom chinaski, vai outra discordância minha aqui: o IR CD2 é brilhante! eheheh! Vamos ter que concordar em discordar. Mas, por favor, não vem com essa de “fã que se acostuma com o novo estilo da banda”. Isso é rotular o fã. Não existe isso. Gostei do Limbs desde a primeira “ouvida”. Do Hail To The Thief a minha favorita é We Suck Young Blood, para vc ter uma idéia. Sou fã dos b-sides de Amnesiac, adoro o CD2 do In Rainbows. Radiohead é Radiohead porque consegue unir e desunir os fãs a cada disco, eu fico contente por eles se manterem dessa forma desde o The Bends (lançado em plena onda Britpop e que foi contra a moda da época, sendo apreciado quase um ano depois do lançamento e quase passou batido), não tentando agradar Deus e o mundo, tem muita banda por aí que só faz o que está na onda, já Yorke e Cia vão à frente, doa a quem doer.

    Tudo bem vc não gostar, mas deixa disso que quem gosta tá sendo “forçado”, isso é bobeira.

    E falar que só tem influência do Thom ali é bobagem mesmo, o Jonny Greenwood não é muito afeito às guitarras já há um bom tempo e ele tem muito peso nos albums também.

    O que quero mesmo é ver os caras botarem para quebrar com esse album ao vivo. Aí nós vamos ver essas acusações de “só tem barulhinho”, se vão ter fundamento ou não.

    Abs!

  • a minha preferida do Hail também é essa cara. e Mixomatosis também é demais. mas tiveram coisas ali que não precisava, como Sit Down Stand Up. mas gosto é gosto. espero não que essas músicas funcionem ao vivo, mas que eles continuem com a banda do jeito que está. sorte a minha não precisar mais pagar pra ouvir os novos discos. porque se eu tivesse esperado esse disco ansiosamente e pago pra compra-lo, essa resenha faixa a faixa ia ser muito mais tensa a respeito de todo esse copia e cola e desses “barulhinhos”.

  • MB

    Uma palavra para este e o álbum anterior: ” CHATO ” !!! acabou a melancolia , acabou o drama , acabou a melodia…e se continuar assim , acabou o Radiohead ….

busca

confira

quem?

baconfrito