Teoria dos jogos de continue: Em que o Atari é melhor que o PS3?

Games quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Auge tecnológico: Gasta-se milhões de dólares na produção de games com um potencial gráfico inacreditável, jogabilidade inovadora, sonoplastia arranjada por orquestras famosíssimas e enredos melhores do que muitos filmes de Hollywood. Motion Capture, Polígonos, Pixels, Frame Rate, Anti-Serrilhado. Processadores mais potentes que de qualquer computador doméstico. Gênios da digitalização enclausurados em salas escuras 24 horas por dia. Tudo isso em prol da indústria mais rentável do entretenimento doméstico, o videogame.

Cronologicamente divide-se a história dos consoles em 7 gerações, que, procurando rapidinho no Google, vamos de um simples 4 bits Magnavox Odyssey 100 (1972) à uma central que reúne a maioria dos aparelhos de diversão doméstica, o Playstation 3. Do PONG ao Grand Theft Auto IV há um espaço de mais ou menos 35 anos, bilhões de pixels, milhões de dólares e três ou quatro gerações de produtores de games. Mas sempre um único objetivo: promover a diversão dos jogadores.

Um dicionário qualquer fala sobre divertimento: entretenimento, distração, recreio… Mas no mundo dos games essa forma de se divertir vai além. Conseguir completar uma fase trás uma sensação de vitória. Derrotar um boss difícil nos dá um sentimento de dever cumprido. Passar daquele level que você estava parado há dias é um êxtase. Zerar um jogo, é motivo para comemorar. Ou não é? E deve ser por isso que os jogos eletrônicos sempre fascinaram jovens, velhos, homens e mulheres em todo o mundo.

Mas, essa diversão que a gente está falando é muito ligada á dificuldade do jogo. Quanto mais difícil conseguir cumprir o objetivo do game, maior será a euforia da vitória. Aí que está o problema. Essas “next-gen” têm uma proposta diferente: aumentar o tamanho do game em qualidade (gráfico, som e jogabilidade), criar infinitos novos modos de jogo, preencher um disco com 20 ou 30 GB de informação, tudo isso para proporcionar mais horas de game-play, e fazer com que o título seja um investimento financeiro rentável para o comprador: quanto mais tempo de diversão melhor. Enquanto em um Atari, por exemplo, a máxima era: quanto maior o nível de dificuldade, melhor.

Em Donkey Kong, River Raid, Frogger e Space Invaders (há bons 20 anos atrás…) você só tinha 3 ou 4 vidas para terminar um jogo inteiro, e, quando lá, alguns continues. Para quem jogou Alex Kid e até os primeiros Super Marios, sabe da quantidade de vontade, atenção, gana e reflexos investidos para ter a inexplicável sensação de zerar um jogo – com 3 ou 4 vidas e alguns continues. É claro que o potencial dos games atuais é encantador. Mas todos terminam todos os jogos em meio a vidas infinitas, trips & tricks, checkpoints e memory cards – dedicando apenas tempo. Todos são vencedores…

Não acho que essa mudança de “menos diversão por mais tempo de jogo” foi um avanço natural da indústria dos games. Foi, sim, uma estratégia inteligente de lucro das produtoras para que seus jogos, cada vez mais, prendam os jogadores por meses a fio – reprisando logomarcas, produtos e personagens – esquecendo do único e principal objetivo dos games: a diversão em vencer!

Eu quero jogos de continue!

Leo “prosopopeio” Cardoso – prosopopeio@atoouefeito.com

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  • atillah

    “Todos terminam todos os jogos”, “Todos são vencedores”? Obviamente você nunca jogou Devil May Cry 3 na versão original.

    Mas aprecio sua visão crítica, caro colega de site. Mesmo que eu discorde da sua avaliação sobre a direção em que os jogos avançaram, não posso discordar que, COM CERTEZA, essa direção foi tomada procurando gerar lucros maiores para as produtoras e distribuidoras de jogos.

    Porém, isso também acontece nas outras mídias, como cinema e livros, e não significa que a diversão e entretenimento causado por estes produtos tenha diminuído. Creio que, para que essa indústria continue crescendo, eles são OBRIGADOS a entreter a nós, público consumidor, cada vez mais e de maneiras diferentes. Nossa participação enquanto consumidores define os rumos desse negócio. Se você e pelo menos mais cem mil jogadores clamarem por “jogos de continue” pode ter certeza que seu desejo será atendido. Esta é a beleza dessa indústria.

  • Friederichs

    Cara, assim os jogos eram tão bons de termina qnto hj, concordo q algumas ocisas ficam broxantes de tão longas e monotonas…

    Mas para quem curte uma dificuldade, sempre existirá um metal gear na dificuldade maxima , um doom 3, ou até mesmo um okami para vc usar e abusar.

    Acho q sim, alguns jogos no final viraram uma enrolação, repetitivos e monotonos, mas enquanto isso temos jogos tão bons q vc termina ele em dois dias, mas mal percebeu q tem 36 horas de jogo lá.

  • A diferença é que um filme “comercial” ou um livro “comercial”, assim como os jogos “comerciais” em menos de dez anos perdem seu encanto e se tornam caducos, ultrapassados – é só ver a abertura do fantástico de 1990, impossível não rir, mas quando apareceu na globo você achou o máximo aquelas mulheres gostosas saindo da água.

    Mas um clássico, filme-livro-jogo, será sempre maravilhoso!

    É isso que eu quero! Jogos maravilhosos (e de continue).

    Se você jogar Devil May Cry, daqui há 10 anos, vai achar um lixo. Pois os gráficos, sonoridade, jogabilidade e realidade virtual em 2017 será infinitamente mais avançada. Mas, se você jogar Super Mario 3, achará, como sempre, uma obra prima!

  • Bahamuto

    Concordo que os clássicos serão sempre clássicos, mas acho impossivel, mesmo daqui a 20 anos achar um Devil May Cry 3 um lixo. Concordo com o q vc disse LEO, mas para alguns outros títulos… Mesmo o Mario, qdo vc vê ele, vc pensa como q vc conseguia jogar aquilo e já relembra como era tesão o jogo =)
    Creio que o problema eh q só os NOOBS jogam algo no Easy hj em dia e eu, sinceramente, tenho q começar a jogar muita coisa ja no HARD pra poder ter alguma emoção no jogo… mas o que acontece na real é vc jogar no normal e se o jogo te agrador, vc recomeça ele no HARD, sendo que vc ja conhece as manhas do jogo e teoricamente vai deixar sua vida um pouco mais fácil. Mas aida bem q existe o HARD para escolher… jogos de ataria já vinham no HARD e vcs devem lembrar qtos amigos de vcs nao reclamavam pq um jogo la era muito foda??
    HUAUHAHAUHAUHAU, eu lembro até hj q tem um amigo meu q não entendia como eu conseguia passar de uma fase do HERO do atari, sendo q eu quase dobrava o número de fases que ele fazia… ao menos no atari tinha como medir realmente se o cara era bom de reflexos =)

  • V

    Algum produtor do x360 falou uma coisa, acho que foi um dos programadores chefes do Gears Of War, algo do tipo “Por mim, faria todos os jogos do 360 impossíveis de zerar exceto para os fãs mais Hardcore de cada tipo de jogo.”
    Agora imagine! Por um lado, isso seria emocionante, por outro, muito frustrante!
    Eu jogo Splinter Cell, aonde na dificuldade normal os inimigos já tem reflexos e audição sobrehumanas, e se você não mata cada um com um tiro certeiro na cabeça, toma aquele pipoco e morre, tem que começar a fase inteira de novo…
    Acho que a questão de procurar bons jogos, jogos desafiadores, é para cada jogador, as empresas tem mais é que fornecer uma quantidade de jogos para agradar até o mais incompetente dos gamers… Coisa que o ps3 não tem é variedade…

  • Jonh B. God

    Discordo só da parte de um console ser melhor que um pc doméstico… Semprom 3000+ com Video On-Board é pc Básico, pc doméstico hj tem 2 GB de RAM DDRII em Dual Channel e duas placas de video… nunca um console foi ou será mais poderoso que um pc de 2000 reais ou mais… sem chance… e eu queria deixar meu manifesto sobre essas empresas idiótas que só fazem jogos pra console… programar pra PC é mais barato e tão rentavel quanto pra um console novo…. E tenho dito!!!

  • fejão

    Antigamente tinha jogos bons e hj tb tem, pronto.

  • Confesso q não sou mto fodá em jogos, pq sempre começo no nível EASY, mas isso não tira a emoção q o jogo transmite, só não da aqla emoção de vc estar jogando no HARD e sentir q vc é o cara.
    Por exemplo o GTA San Andreas, este é um jogo q não tem nível pra se escolher, mas não deixa de ser difícil, e eu não demorei mto pra zerar ele sem usar nenhum código, precisei de duas semanas mais ou menos.
    E acho q tanto o PC qto os consoles tem jogos mto bons e reais, nem o PC é melhor q o console e nem o console é melhor q o PC.

  • Olaf!!

    @ Jonh B. God

    É cara, mas apesar de ter um pc bom pra jogar eu tenho um GC e um 360 (semana que vem terei pra ser sincero) por mais que eu ache um pc massa e goste de jogar nele acho que nada se comprar a um vídeo-game (no quesito jogo claro) eu preciso ter uma máquina de jogar, não quero que ela entre no msn, não quero que ela tire fotos nem que ela passe a minha roupa… Preciso de algo apenas para jogar…
    Não tenho uma justificativa lógica pra isso ainda, é uma espécie de compulsão…

  • junnin

    Olaf, o 360 entra no msn. E tem uma webcam especial pra tu comprar também. Ok, não tem ferro de passar… ainda. Mas desculpa acabar com teu sonho e tal =/

    Agora me diz PORQUE CARALHOS VOCÊ RESPONDEU UM COMENTÁRIO DE 2007?
    O cara nem vem mais aqui, véi…

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