Tédio com um T de Tetris pra você

Games terça-feira, 03 de março de 2009

Olá olá, como foram de carnaval? Muito samba, suor e sacanagem? Gostaria de avisar que, em solidariedade a nossa colunista favorita, eu espero do fundo do meu coração pouco carnavalesco que vocês tenham se fodido e agora estejam brincando de adivinhar “qual é a DST?”. Grata pela atenção.

Ah, a vida! E a vida o que é?, diga lá, meu irmão! Há quem goste de criar analogias sobre ela e os games, e hoje eu vou me arriscar a fazer isso também. O exemplo chega a ser bobo, mas acho que é o ideal para os cérebros menos desenvolvidos vocês, queridos leitores :)

Vocês nerds adoram dizer que a vida é um grande RPG, e eu até entendo o motivo. Acreditam que as decisões que tomam, pro bem ou pro mal, influenciam diretamente no resultado global. Que, se forem bons meninos, vão ganhar a pobre camponesa de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha, ao invés de se contentar com a mão a bruxa malvada. Sabe, essa visão cor de rosa de mundo é tocante, eu chego até a ter pena de destruir tantos sonhos.

Mentira, alguém tem que avisar que papai noel não existe.

 Ops.

Meus caros, a vida NÃO É um grande RPG.

Já se recuperaram? Prossigamos.

Na verdade, todos nós vivemos constante e repetidamente jogando o mesmo jogo e, se vocês não forem burros e tiverem lido o título, saberão que eu falo de tetris. Isso mesmo, tetris.

Acompanhem o meu raciocínio. Tudo começa com uma tela vazia. De repente, começam a aparecer umas pedrinhas, e tudo que se precisa fazer é ir acomodando tudo naquele espaço. No princípio é simples, há bastante lugar pra ir colocando tudo, é praticamente instintivo. Ainda somos crianças.

Daí a gente descobre que, completando uma linha, ela desaparece, deixando mais espaço vago. Estamos crescendo e, consequentemente, descobrindo como jogar o jogo. Quase que por acaso, percebemos que completando duas linhas ao mesmo tempo a pontuação aumenta mais do que se fosse uma de cada vez. Desse momento em diante, jamais seremos felizes sem acumular tudo pra eliminar o maior número de linhas por vez. Mas calma, estou me adiantando.

 Isso é uma obra de ficção.

As pecinhas continuam caindo. Agora é hora de começar a pensar um pouco sobre aproveitamento de espaço. Não é mais tão simples encontrar um lugar pra encaixar a maldita pedrinha em “z”. Só eu vejo a relação com a adolescência e todos os conflitos de pertencer a algum lugar, achar o próprio espaço?

Então a gente cresce, e é aí que os problemas começam de verdade. Uma vez que descobrimos, lá atrás, que mais linhas eliminadas significam mais pontos, toda nossa estratégia se volta pra isso. Porque é mais prático desovar tudo de uma vez, porque eu tô cansado desse jogo, porque pra que eu vou ficar me matando de encaixar pecinha se posso simplesmente enfiar aquela tripa (heh) de quatro (heh) e encher o rabo (heh) de ponto? Tempo é dinheiro é ponto é dinheiro. Nós nos planejamos pra que o jogo jogue a nosso favor.

Então entra a tal da sorte e nos dá um tabefe bem dado pra aprender a não ser espertinho.

Todo mundo sabe que a tal da tripona salvadora nunca aparece quando a gente mais precisa. E a gente fica lá, acumulando, empilhando, deixando passar toda e qualquer oportunidade de diminuir o muro, nem que seja um pouquinho. Vem a pecinha em “L” e até cogitamos a hipótese de colocar ela ali, pra pelo menos baixar umas duas linhazinhas, mas ná, segue empilhando! Somos burros, e burros de carga.

Quando tudo parece perdido e um YOU LOSE bonito é tudo o que o futuro parece reservar, eis que ela surge. A bomba.

 \o/

Umas duas ou três delas normalmente são o bastante pra devolver o ânimo e nos colocar de volta no jogo, tal qual na vida. Basta uma pequena sucessão de bons acontecimentos pra gente acreditar que tudo vai dar certo. Até prometemos parar de acumular e dar conta das coisas assim que aparecem. Promessas, promessas. A verdade é que, tão logo tenha espaço e estejamos mais leves, voltaremos a empilhar como se não houvesse amanhã. Burros.

Nossos olhos não focam o que acontece, eles estão vidrados na telinha do “show next piece”. Planejamos a vida e esquecemos de viver o que planejamos. Gastamos nosso tempo esperando pela redenção, torcendo por uma bomba, ou calmamente esperando que a tela fique cheia. Desistimos antes mesmo do game over.

Pra terminar, cabe uma citação do nosso editor-chefe:

Vocês jogam pouco. E ainda por cima jogam errado. Aprendam a jogar corretamente.

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