Sobre monstros gigantes e gente fantasiada

Televisão sexta-feira, 01 de novembro de 2013

Ao refletir um pouco antes de escrever estas linhas, pensei primeiro no seguinte: Todos nós crescemos assistindo Super Sentais, os esquadrões fantasiados que derrotam monstros gigantes. Até hoje séries como Changeman, Goggle-V e todos os Power Rangers têm fãs ávidos e saudosos dos anos 80. Eu mesmo gosto de várias coisas do passado, coisas que chamam de “cult”. Mas este texto é uma confissão: Monstros gigantes e gente fantasiada já deram no meu saco. Juntos ou separados. Vem comigo.

Começo pelos Super Sentais, por que são a representação máxima do tema de hoje. A base deles é a mesma, sejam os produzidos no Japão ou os importados pelos Estados Unidos: Um esquadrão de heróis que parecem gente normal, mas se reúnem quando o mal assombra a cidade em que vivem e se vestem/se transformam/morfam em fantasias coloridas pra enfrentar o vilão. Eventualmente esses vilões, relutando em perder, crescem/invocam monstros gigantes e tentam foder a cidade toda. Nesse ponto, o esquadrão também chama a cavalaria de (Geralmente) robôs imensos e derrota o vilão, que (Quase sempre) explode enquanto o esquadrão/robô faz uma pose. É uma fórmula criada ainda nos anos 80 e que nunca mudou muito em mais de 25 anos. Aliás, durante esse tempo todo deu certo. Todo mundo sabe que monstros gigantes são parte da cultura pop japonesa, e é provável que remontem aos tempos em que o Império Japonês era isolado do mundo, deixado à própria sorte pra imaginar que tipo de bizarrices se escondiam no oceano. Pra eu me fazer entender melhor, vou quebrar a idéia dos Sentais no meio: Fantasiados e monstros.

 ONCE I WAS AFRAID, I WAS PETRIFIED!

Os bichos abissais, vindos sabe-se lá de onde, são talvez a primeira coisa que perdeu a graça pra mim. Ah, pelo amor de deus, quem cria esses monstros? Por que o cara que faz eles deve ser burro pra caralho pra passar anos só atacando uma bosta de um arquipélago asiático onde os bichos sempre são derrotados por gente com fantasia de carnaval. Atacar os Estados Unidos eu até entendo, é a maior nação do mundo e, se derrotada, leva a economia do resto do mundo junto. Sob esse ponto de vista, até a China é mais lucrativa. Mas de qualquer jeito, os monstros e os vilões nunca ganham e também nunca desistem. São um exemplo de perseverança mal-aplicada.

Agora, fora dos Sentais, os monstros podem ser semi-conscientes ou simplesmente causar toda essa destruição por instinto. Uma coisa meio Godzilla, e modernamente meio Pacific Rim. Godzilla vai ganhar um novo filme, aliás. E eu não sei por quê, já que o Godzilla é algo que, sinceramente, tem que ficar no passado. É o monstro pelo monstro, uma coisa defasada e sem sentido. Não que alguma dia o lagartão tenha tido sentido, mas era até divertido e agora depois de tantos filmes e se tornar ícone da cultura mundial, tá na hora de deixar o troço descansar. E Pacific Rim? Os monstros tão lá, o filme está recebendo boas críticas. E melhor nós aproveitarmos mesmo, por que deve ser um dos últimos suspiros dos primos do Godzilla. O bom é que eles são coadjuvantes, já que o grande lance do filme do Del Toro são os robôs gigantes, claro. Ao contrário dos monstros, robôs gigantes ainda atraem a nossa atenção. O que é uma pena pra Hollywood, por que prestando um mínimo de atenção neles e usando meio cérebro, qualquer anta percebe que Pacific Rim chupou o desenho japonês Neon Genesis Evangelion até o osso e tacou tudo na frente do espectador, que bateu palma e riu. Sério, ninguém mais notou? Não, espera, notaram sim. E não venham me dizer que é uma homenagem. Isso aí é sacanagem mesmo.

 Sério? Não tem lembra nada?

O outro lado dos Super Sentais é o personagem fantasiado, outra coisa nada nova no Japão. Suspeito que é a parte mais fraca da equação também. Sim, era super legal ver os Power Rangers morfando, ver os coloridos Goggle-V. E fora dos Sentais de novo, quem passou pelos anos 80/90 sem conhecer o Robocop japonês, Jiban? É, todos de fantasia, combatendo o crime. Mas eles também estão dafasados. Pior do que isso, as pessoas razoavelmente sensatas do ano de 2013 só consegue vê-los de duas maneiras: Reconhecendo o tom de ridículo de adultos fazendo poses e coreografias ruins em trajes coloridos, mas com aquele saudosismo pesado no coração; ou, como personagens realmente ridículos e OH MEU DEUS COMO EU ACHAVA ISSO LEGAL? Morreu, gente. O conceito morreu. Esqueceram de enterrar o defunto. Ninguém mais acha isso puramente legal e, vamos ser sinceros, você só não se mata ainda na abertura de Jiban por que a) te traz lembranças da infância, b) é uma música engraçada, ou c) você é um otaku hardcore, o que anula qualquer argumento seu antes mesmo de você falar.

 Fãs hardcore.

Todas as vezes que vejo um Super Sentai sendo reprisado (Coisa que se torna cada vez mais rara, por sinal), um filme de monstros gigantes, uma notícia sobre o próximo filme de Godzilla, eu me pergunto: Vale à pena? Ainda dá dinheiro mesmo? Sei lá, mas acho que a não ser que seja uma coisa completamente inovadora, bem feita e absolutamente boa, tudo isso aí vai aos poucos caindo no ostracismo da cultura pop.

Vida longa e próspera.

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  • Diego C.

    Inovação é sempre bem vinda com certeza, mas eu preferiria mil vezes assistir as reprizes de Jiraiya do que assistir ao “Encontro com Fátima Bernardes”.

    Isso que você escreveu é só em relação aos sentais antigos ou aos novos também? Faz muito tempo que não vejo nada dos sentais japoneses, então não sei se continua aquela tosquisse ainda.

  • s7

    Criei expectativas com esse Círculo de fogo. Justamente por que eu achava que seria o mais próximo que Hollywood chegaria de Evangelion.

    Não gostei.. e olha que eu sou daqueles que adoram filmes de robôs e que precisam do cérebro totalmente desligado..

  • Júlio Raphael

    Aos antigos, acho, já que faz tempo que não vejo nada também. Que fique claro que eu também cresci assistindo eles e se tiver passando o primeiro Power Rangers em um canal qualquer, até paro pra assistir. Mas meu problema é com a base dos Super Sentais, o conceito imutável deles formado de fantasias e monstros gigantes que já deu no saco, pelos motivos acima expostos.

  • FooFighter

    Roubei toda a idéia + não dei crédito algum = homenageei.

    Concordo totalmente contigo nisso aí cara. Se for pra ser uma homenagem mesmo, que coloque-se AO MENOS aquele detalhezinho nos créditos “based upon characters…”.

    Enfim, tá tudo uma merda em matéria de AUDIOVISUAL. Maldita era infinta dos remakes.

  • El Justiciero

    Cara, não conheço esse anime Evangelion, mas pelo que sei (comentários de amigos fãs da obra) o Pacific Rim não tem nada a ver, além da semelhança visual dos robôs. Não tem toda a questão cerebral que existe no anime. E sinceramente, o filme é foda pra caralho.

    Outra coisa, o Del Toro é mexicano, ele também viveu essa experiência dos Super Sentais nos anos 80. Não acredito que ele tenha chupinhado esse anime aí.

  • Frey

    Realmente todo esse conceito dos Sentais é muito ridiculo,para nós que passamos pra fase adulta,mas as crianças ainda acham um barato(meus sobrinho são fissurados,igual eu era quando pirralho),então acho q é uma questão de publico alvo mesmo.

    A unica serie dessas que pelo que me lembro ainda tinha algum valor era Evangelion mesmo,mas faz muito tempo que não assisto então sei la,mas achei Pacific “Ruim” um tremendo cocozão

    o/

  • Matuhatin

    Concordo nessa parte. Meu sobrinho assistiu Power Ranger atrás de Power Ramger: PR na terra, PR no espaço, PR no inferno…
    Pra nós que crescemos, e assitimos changeman, morreu. Mas tá nascendo guri todo dia, pronto pra consumir e passar pelo mesmo que a gente passou. Mas tem que dar uma atualizada nos “gráficos”, pra essa geração PS4.

  • Júlio Raphael

    Concordo que pode ser mesmo a idade, pelo menos pra mim. Mas ainda assim o gênero está desgastado. São décadas praticamente com a mesma premissa. Pra mim, a pior parte é o papel dos monstros gigantes nos Super Sentais e nos filmes em geral. É uma coisa simplória, e o pior é que pra impedir que, sei lá, Tókio seja destruída, os esquadrões destroem a cidade mais ainda. Não faz sentido.

  • Júlio Raphael

    Se você conhecesse Evangelion, não teria dúvida. E falo isso sem tentar ser superior, é que é muito perceptível mesmo. A maneira de funcionar dos robôs, a maneira de pilotar, o lugar onde eles são feitos, alguns personagens, etc. Só que Evangelion tem um cunho científico e religioso que ficou de fora, talvez por ser muito mais profundo do que aquilo que o público em geral deseja. Mas enfim, parece muito mesmo. E isso de pegar algo Japonês e vender como original não é novidade nos EUA, é só ver o que houve com Rei Leão.

  • RGO

    Como eu posso dizer sem parecer ridículo. sempre quis ver um filme baseado em super sentai com um orçamento de mas de 100 milhões. antes de ver o filme sabia que era Evangelion, mas na boa não podemos tirar o mérito é o melhor que tivemos no gênero até hoje. Cabuloso comparar com temas mais modernos. lembrando que super sentai não foi pensando pra uma menta capaz de formular uma critica. meu pai vivia dizendo que power ranger era uma merda… hoje quando vejo penso. por%# o velho tinha razão! mas não me arrependo.

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