Sobre Marina Ruy Barbosa, sua ruivície, virgindade e peitos ululantes

Televisão sexta-feira, 07 de junho de 2013

Acredito que a grande de maioria de vocês, ávidos colecionadores de inspiração masturbatória, saibam quem é Marina Ruy Barbosa [Nota do editor: Nop]. Além de ser uma daquelas pessoas que abusaram do direito de ser bonita, a querida praticamente cresceu sob nossos olhos, e acompanhamos sua vida desde os cachinhos infantis até a descoberta da chapinha. Linda, fowfa, talentosa até certo ponto – por nunca terem extraído dela nada além do típico feijão com arroz novelístico, talvez -, cara de europeia e de boa moça. Aparentemente bem inteligente e educada e, por nunca ter se metido em grandes confusões, podemos até mesmo assumir que venha de uma família boa e bem estruturada. Bom, cês sabem.

Essa semana, ela deu uma declaração perfeitamente condizente com a imagem que tenho dela e que acabei de descrever.

Não adianta querer um príncipe se você não é uma princesa. É muito difícil uma mulher rodada encontrar um cara legal. Só vai encontrar sapo.

Cês podem até pensar por que vim aqui discorrer sobre, já que não vai afetar nada na vida de vocês e nem a minha. Mas que tal a gente parar pra pensar um pouco no que pode ter levado a tal frase?

Já aviso de antemão que não, não sou feminazi. Não acho que os homens sejam a causa dos meus problemas e não saio de peitos de fora na Marcha das Vadias – nada contra quem faz o último, pelo contrário -, enfim, não me encaixo, acredito, em nenhum desses estereótipos que nego gosta de criar em cima de quem defende o feminismo. Às vezes, podia radicalizar um pouco mais, mas é papo pra outro dia.

Só que tem uma coisa que me incomoda, e incomoda cada vez mais. É essa mania de querer cuidar um do corpo do outro, de ditar o que um deve fazer ou não.

Acima de tudo, parto do princípio de que, pessoas vacinadas, que usem camisinha e, mais ainda, que concordem com o que vai rolar, podem fazer o que quiserem. Sério, entre quatro paredes e dois (Três, quatro, quinze, que seja) adultos, o problema é só deles. Dizendo de um modo mais simples, cada um com seu cu e sua boceta e é isso aê. Sem crises, sem preconceitos. Sei o que eu topo ou deixo de topar e vocês também sabem seus respectivos do and don’t. E, do mesmo jeito que eu não tenho direito de me intrometer na vida alheia, os outros devem me respeitar também. Não por que eu, como mulher, deva me “dar valor”, me vestir “adequadamente” e transar com poucos e valorosos varões. Não se intrometa apenas por que eu sou uma pessoa que respeita os outros, pelo menos nesse aspecto, e, como tal, mereço o mesmo tratamento de volta.

Pois é, cê me entendeu. Você não pode sacanear uma “vadia” pelo fato de seus amigos já terem comido ela. Tenho certeza de que, se não pegou, gostaria de ter pegado várias amigas dela. E, a não ser que cê extrapolasse muito o direito, forçasse muito a barra, ela não te acharia galinha.

E, afinal, por que a gente diz que uma mulher deve se dar ao respeito ao evitar o sexo, as roupas curtas? E Por que os homens se dão ao direito de se divertirem com as “vadias” enquanto uma mulher de bem, frígida e reprimida, tá em casa esperando eles com a janta quente? E, mais ainda, por que as “vadias” não merecem amor? Por que a gente ensina às nossas filhas que elas devem se preservar, se fazer de difícil, negar suas vontades sexuais, desconhecerem o próprio corpo? Por que a gente proíbe nossos filhos de chorar, de serem sensíveis, de ligarem pra própria aparência?

Olha só, ok, é óbvio que não acho que todos sejam assim. Na verdade, tem cada vez menos gente sendo assim. Mas a grande maioria ainda é babaca. E essa maioria que vai pra Câmara falar pra ti com quem cê pode ou não casar ou que você não pode tirar de dentro do teu próprio útero uma criança indesejada – Seja por ser fruto de um estupro, ou por ser um bebê doente sem chances de sobrevida.

Enfim, essa ladainha toda é conhecida. Quem tem Facebook e amigas feministas já leu isso. A parada é: A gente viveu por muito tempo no controle de uma só elite. Homens, brancos, heterossexuais, cristãos. A verdadeira minoria, que por muito tempo apontou o dedo pros outros enquanto esquecia de olhar o próprio umbigo. Só que o jogo tá virando. E, quanto mais ameaçado esse grupo se sentir, mais eles vão reagir, contra-atacar assuntos que nem da conta deles são. Aí sabe o que acontece? A bancada evangélica – e o número de igrejas, diga-se de passagem – só aumenta na Câmara dos Deputados. Orgulhos héteros, crentofobia e racismo contra branco surgem por aí também. Meninas de 17 se sentem pressionadas a falar sobre a própria sexualidade por jornalistas, apenas por que vai haver polêmica, gente vomitando declarações divididas entre “coisa de puta” e “coisa de mulher de verdade”. Gente retrógrada falando que ela tá mesmo certa, que tem que se valorizar e tal. Que a sociedade é muito permissiva.

E, como sempre, Nana Gouvêia pegando carona na história. E isso nem é o pior. E você sabe que uma parada tá feia quando subcelebridade do Ego é, de todos os males, o menos incômodo.

Resumindo: Quer dar pra meio mundo? Falou. Quer comer meio mundo? Go ahead. Quer casar virgem? Ótimo. Quer virar assexuada? Cara, a vida é sua. Não é melhor, nem pior, nem menos vantajosa, nem mais irresponsável, que a de ninguém. E eu vou chorar muito quando ver o cabelo lindo da Marina sendo raspado só por que ela vai ter câncer na novela [Nota 2 do editor: E eu choro muito ao ver meu site se tornar uma mistura de Ego com timeline do Facebook].

Roteiristas mal paridos!

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