Salve-se quem puder do Théo de “Salve Jorge”

Televisão terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Quando Salve Jorge começou, eu decidi que não assistiria. Não é porque odeio novelas, ou porque sou reaça e terminantemente contra a manipulação Global. Na verdade, eu adoro novelas. E não poderia cagar mais baldes do que já cago para manipulação da massa. Se eu fosse a Rede Globo manipularia todo mundo também. Eu só não aguento as obras de Glória Perez. Desde O Clone é sempre aquele mesmo “hare baba”, “inshalá”, Deborah Secco entrando nos EUA escondida no porta-luvas do carro. Mas no fim das contas não adianta: Você acaba contaminado. Eu tentei fugir, de verdade. Tentei negar a existência do folhetim. Mas desde a TV do boteco até a TV do banheiro da academia transmitem a novela. Então, me inteirando sobre a novela, tenho duas notícias para autora: A boa é que a história não é de todo ruim. A má é: WTF, MULHER? QUE GALÃ É ESSE QUE VOCÊ ME ARRANJA?

 Melhor cena da TV brasileira. Obrigada, Glória!

O macho alfa dessa vez é Théo, interpretado pelo sempre superestimado Rodrigo Lombardi. Oficial da cavalaria do Exército, ele conhece Morena (Nanda Costa) no Complexo do Alemão e se apaixona a primeira vista. Ele termina com sua noiva Érica (Flavia Alessandra), não sem antes de fazer um test drive pra ver se a pegada da sua nova paixão é gostosa, e assume um relacionamento com ela. “Apesar das diferenças culturais e sociais”, como ele sempre gosta de lembrar.

O problema em Théo é o seu machismo, sua intransigência e carência além de ser feio pra cacete. Morena é mãe solteira, teve o filho aos 14 anos de idade e o pai do garoto nunca fez uma visita ou pagou uma pensão. Então, sempre que esbarra com o malandro na favela, ela dá barraco. Quem nunca? Ao presenciar uma das brigas entre sua namorada e o pai do filho dela, Théo ficou puto. Brigou com ela, criticou sua atitude barraqueira, ficou com ciuminho do escroque e determinou que ele seria, a partir de agora, o pai da criança. Ensinou o moleque a chamar ele de papai e tudo. Em vez de ser gente grande e aceitar que sua namorada tem um passado e ajudá-la a correr atrás da pensão na justiça, ele resolveu tudo virando pai do garoto. Genial. Palmas para ele!

 Meu nome do meio é Nariz, digo, Carisma.

Entre brigas e reconciliações, eles resolvem se casar. Com o macho provedor pagando tudo, e jogando isso na cara da amada durante as 73648 discussões ao longo dos poucos meses de relacionamento. Obviamente, o casal protagonista não pode ficar junto, senão não tem novela. Por isso, de casamento marcado, Morena resolve participar, em segredo, de um processo seletivo para trabalhar de “garçonete” na Turquia. Para tal, ela faz um teste dançando funk, porque suas habilidades de descer até o chão são muito importantes para o ofício. Ela é aprovada e deixa o noivo a ver navios. O relacionamento termina e o “gato” (Cof cof) se afasta da ex-futura-esposa e do ex-que nunca foi-filho.

Porém, como homem apaixonado que é, Théo resolve correr atrás do seu verdadeiro amor e impedir sua viagem. No dia do embarque. Desesperado, pede carona para Érica, a ex-noiva que ele largou para se envolver com Morena. O gatão proletário tem dinheiro para bancar um casamento, mas não tem 50 reais para uma corrida de táxi até o aeroporto. Ao ouvir um sonoro vai tomar no cu “não”, ele resolve pegar busão e se vê no meio de um assalto. Em vez de entregar o celular e o cordão de ouro, sai no braço com o bandido. Muito sensato da parte dele, claro. A Gloria Perez não pode deixar de mostrar como o Théo é um macho gostoso e corajoso. Mas não façam isso em casa, meninos, vocês podem terminar com uma bala no meio da cabeça. Enfim, no meio de toda essa explosão de testosterona e graças ao engarrafamento do Rio de Janeiro, ele não chega a tempo e fica chorando sozinho no saguão.

O tempo passa e o militar segue nutrindo uma raiva absurda por Morena, enquanto ela está sofrendo o pão que o diabo amassou pagando de escrava sexual. Então, Théo faz o que qualquer homem sensato faria: Volta para a ex-noiva que, repito, ele largou para ficar com outra mulher. Érica fica insegura. Apesar de amar o narigudo Oficial do Exército, tem medo de passar novamente pela humilhação de ser rejeitada quando a moradora do Alemão voltar de Istambul. Ele garante que isso jamais aconteceria, que seu caso com a ex foi uma fase e que quer dividir sua vida com a loira. Marcam casamento e, quando Morena volta, a primeira coisa que o protagonista faz é ir ao 5 letras (Motel, porra) com ela. Ele deixa a noiva plantada no encontro que eles tinham marcado e não tem nem a decência de pegar o celular e dizer que, sei lá, ta com dor de cabeça. Sentindo o chifre crescendo na testa, Érica vai tirar satisfações com o mocinho e é abandonada. De novo. Como ele prometeu que jamais faria novamente.

Realmente não sei se a mídia tenta vender esse tipo de homem, como uns e outros insinuam. Acho que muitas mulheres ainda suspiram por canalhas travestidos de bonzinhos e a consequência natural é termos retratados nas novelas, livros e filmes machos mais beta do que alfa. Afinal, é o próprio “sexo frágil” que escreve sobre Edward Cullens, Christian Greys e Théos. Não é imposição de ninguém. No fundo, muitas gostam desses homens manipuladores, que se utilizam da falta de auto-estima da parceira para conseguirem o que querem. São provedores, superprotetores, controladores e encontram no amor uma justificativa para suas atitudes erradas. E apaixonadas, as Bellas, Éricas, Anastácias e Morenas simplesmente perdoam e aceitam. Porque, afinal de contas, elas dizem para as amigas: “Ele se importa, tem caráter. É um bom amigo, homem trabalhador. Paga minhas contas porque me ama.” E é isso o que prevalece, não tudo o que é exigido em troca para que ele siga sendo o tão sonhado “príncipe encantado”.

 Tenho mais próstata que esse príncipe aí.

No momento atual da novela, Morena foi sequestrada e está novamente na Turquia. Théo ficou #chateado e, como viu que a Érica cansou de ser corna, deu um jeito de traçar a melhor amiga dela. Porque ele ainda não tinha sido babaca o suficiente. Nos últimos capítulos, ele finalmente parou de olhar pro próprio pênis e percebeu que tem algo de errado com o sumiço da namorada e está correndo atrás para descobrir o que de fato aconteceu com ela. Ele vai comer mais alguém no processo de se reunir com a mulher amada? De onde viemos? Para onde vamos? O aquecimento global é consequência do comportamento humano? Semana que vem essas e outras respostas, no Globo Repórter.

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  • Rick

    Muito bom o texto. Realmente, toda vez que vejo esse oficial da cavalaria, homem feito, morando com a mãe, fazendo birrinha e nunca NUNCA tirando aquela cara de enjoado acabo tendo um ataque convulsivo, caindo com a testa no chão, acordando no hospital, com um notebook no meu colo, comentando sobre este texto.

  • debora

    sempre me pergunto quanto um oficial da cavalaria ganha, afinal ele ainda mora com a mãe, teve que vender o carro pra pagar a claudia raia etc etc
    e outra outra, no inicio da novela (eu não via mas minha mae me contava) a mãe do babacão odiava a morena e ainda assim que fez a menina morar com ele na casa da mae dele e ficava bravo que elas não se davam bem? po, a casa é da velha, ela não é obrigada a gostar !

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