Rock and Roll: Seis Décadas (Parte 3 – Anos 70)

Música quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

A nossa visão do que é rock hoje, no mui gracioso ano de 2011, depende basicamente de três décadas. Os anos 50 deram luz ao rock, os anos 60 fizeram ele ir em direção à puberdade e fazer suas primeiras patacoadas, os anos 70… Bem, nos anos 70 ele chegou na adolescência de vez e começou a fazer merda sem parar. Brincadeiras à parte, a primeira década do rock realmente foi inocente. Pros padrões atuais, claro. As duas décadas que se seguiram evoluíram o estilo. Até eu sei que não dava pra ficar parado, em, sei lá, 1959. Já falei – com certa dificuldade – de muita coisa que aconteceu nos anos 60 e agora avanço pra década seguinte. Aproveitem: Foi a última década onde a qualidade ainda teve bastante espaço.

Comecemos com algumas rápidas informações: Allman Brothers Band praticamente fundou o rock sulista, uma vertente derivada do blues rock, um pouco de boogie, soul e country, logo no começo dos anos 70. Em 1971, David Bowie cria seu personagem, Ziggy Stardust. Em 1973, algo completamente diferente, o Pink Floyd, lança o Dark Side Of The Moon. Em 1976 é lançado o álbum Hotel California.

Assim como nos anos 60, nos 70 também é fácil citar algo importante pra história do rock.

O hard e o soft

Desde o final da década de 60, ficou comum dividir o rock em soft e hard. O soft era geralmente algo derivado do folk, com instrumentos acústicos e colocando mais ênfase nas harmonias e nas melodias. Já o hard era geralmente derivado do blues e tocado com mais intensidade e mais alto, usando guitarras elétricas tanto para a base (Com riffs simples e repetitivos) quanto para os solos (Com distorções e outros efeitos). Bandas com grande influência do hard iriam fazer muito sucesso nos anos 70 ainda, como Queen, AC/DC e Thin Lizzy. Inclusive, o termo hard rock é muito mais difundido do que soft rock, talvez pelo peso das bandas que se influenciaram e se identificaram nessa vertente.

No final dos anos 60 também se começou a usar um outro termo, heavy metal, pra descrever um hard rock tocado ainda mais alto e com mais intensidade. Diz-se que o termo foi usado pela primeira vez na música Born To Be Wild, do Steppenwolf, em 1967. Depois, o termo começou a ser associado com bandas como Blue Cheer e Grand Funk Railroad.

Nos anos 70, três bandas ajudaram a modelar o subgênero conhecido como heavy metal: Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath. Na mesma década apareceram outras bandas chamadas de heavy: Judas Priest, UFO, Motörhead, Rainbow (Da Grã-Bretanha), Kiss, Rush (Do Canadá) e Scorpions (Da Alemanha). Enfim, vocês sabem pra onde tudo isso nos levou e sabem da importância disso tudo. Então, como se dizia em Monty Python, e agora, pra algo completamente diferente, por quê a década deve continuar…

Sobre o punk

Em 1974, os Ramones se formaram no Queens, um bairro pobre em Nova York. Influenciados por bandas como os Stooges e os New York Dolls, eles acabariam por fundar, eles mesmos, um novo gênero: O punk. Não concorda? Bate a cabeça na parede. Mas de qualquer maneira, foram eles. A ideia era a seguinte (Praticamente inalterada até hoje, aliás): Queriam fazer uma banda, mas nenhum deles sabia tocar direito. Decidiram ir em frente assim mesmo. O resultado são músicas rápidas, com riffs simples, batidas 4×4, sem solos ou alguma demonstração de perícia nos instrumentos (Até porquê não tinham). As letras eram simples, geralmente sobre casos amorosos fugazes e coisas do cotidiano de rapazes recém saídos da adolescência. Isso, caro leitor, é o punk. Mas, no ano-novo de 1976, os Ramones foram fazer um show na Inglaterra. Nesse show, estavam presentes os futuros integrantes das futuras bandas de punk inglesas, incluindo The Clash e Sex Pistols. Sobre esse dia, diria mais tarde Arturo Vega, diretor de arte dos Ramones:

Johnny Rotten – eu não sabia quem ele era – estava tentando entrar por uma porta lateral. Ele disse que queria conhecer a banda. Mas estava com medo. Ele me perguntou se eles iam bater nele se ele fosse conhecer a banda. Todos achavam que os Ramones eram uma gangue do Bronx ou coisa parecida.

Somente lá, na Inglaterra, algo diferente aconteceu: Transformaram o punk em música de protesto e o usaram pra agredir tudo que pudesse ser agredido. Claro que estou falando dos Sex Pistols. Quem já leu o texto que eu fiz aqui sobre o punk, sabe minha opinião. Não vou insistir em minha obsessão, este é um texto basicamente informativo mas eu detesto os Pistols assim mesmo. Enfim. Além dos Pistols, tinha também o Clash, cujos integrantes sabiam fazer letras de protesto e cantá-las sem babar ou sangrar em ninguém.

Nota do editor: É interessante notar que, por mais que os Ramones tenham inventado o punk, não foram eles que fizeram a bagaça colar. Nos EUA, pelo menos. Até porque, os caras faziam bem mais sucesso no Brasil do que lá – tanto que eles vieram pra cá sei lá quantas vezes. Eles só seriam reconhecidos na terra do Tio Sam anos depois. Por essa falta de reconhecimento que as pessoas normalmente não os veem como os pais do punk. Noobs.

 Ramones.

O problema é que aquilo que seria já um subgênero do recém-criado punk rock, se tornou o próprio estilo. Até hoje se acredita nisso. A polêmica é: A maneira de ser dos Pistols, as roupas, as atitudes etc, acabou se tornando o próprio punk, quando na verdade teria de ser considerada uma derivação do punk que os Ramones inventaram. Pra mim, é. Tire você sua conclusão.

No meio da porrada toda em Nova York havia ainda bandas como o Television e o Blondie, que estavam presentes na gênese do punk, apesar de não serem classificadas nesse gênero.

“O fim dos anos 70, o fim do século”

O fim da década ainda daria origem às bandas da chamada new wave, o principal movimento da década seguinte, junto com o pós-punk. Na outra ponta do mundo musical havia novas ondas surgindo também no heavy metal. O subgênero sofreu uma espécie de hiato por conta do advento do punk durante a segunda metade da década de 70. O Motörhead, por exemplo, era uma banda de heavy com uma queda pro punk. Mas no final daquela década houve uma mudança de direção, com a chamada “New Wave of British Heavy Metal”. Logo vieram as apresentações de bandas como Iron Maiden, Saxon e Venom. Eddie Van Halen foi aclamado como um virtuoso da guitarra com seu álbum homônimo de 1978.

 Iron Maiden.

Em 1977, formava-se o Dire Straits, que parece ter saído do ar no meio de tantas novas ondas. Ou também Bruce Springsteen, que na verdade começou a lutar pra fazer sucesso em 1972, mas só explodiu da metade dos anos 70 pra frente, invadindo a próxima década.

Bem, é isso. O rock passou até bem pela década da música disco, pelas mudanças e novas ondas. Infelizmente, a década de 70 acabou. Minha participação nesta série também. De agora em diante vocês ficam com o Chinaski, que aceitou o desafio de falar das próximas três décadas, até os dias atuais. Daqui, de mais de trinta anos atrás, despeço-me. Como diz numa música:

É o fim dos anos 70, é o fim do século.

Aí bicho, pega o teu broto e dá um rolê nas redes sociais onde o Bacon tá. São do balacobaco, morou? Tem Orkut, Facebook, Twitter e Last.fm.

Na primeira foto: Dodge Dart 1975

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  • Cheiro forte de “End of The Century: The History of The Ramones”!

    De fato, é incontestável que eles são os precursores do punk. Mesmo que Joãozinho ou Vicioso tenha sido mais famoso, não tiram importância. Afinal, pai é quem fodeu primeiro, engravidou primeiro, se fodeu primeiro.

    E de qualquer forma todos têm seu quinhão de importância. É uma pena os Pistols não terem lançado tantos álbuns quanto os Ramones. Da mesma forma que é uma pena ver que este gênero está perdendo espaço até no seu próprio underground. Fui a show com CJ Ramone e Daniel Rey que, no máximo, dava 300 pessoas. Triste.

    Post Scriptum: Sim, eu morri e morto não volta pra escrever mais texto. :B

  • Fanfarrão, descobriu minha fonte. Aliás, recomendo o documentário.

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