Resenha – Tropa de Elite

Cinema sábado, 29 de setembro de 2007

Tropa de Elite (2007)

 A comparação com Comandos em Ação não é gratuita.

Eu sou meio chato com a produção cinematográfica nacional.

Eu lembro de “Carlota Joaquina” que foi o primeiro filme da “nova leva” que deveria recuperar a produção de filmes no Brasil. E eu achei uma merda. Eu lembro de “Central do Brasil”, que concorreu ao Oscar, com a Fernanda Montenegro. E eu achei uma merda. Eu assistia a esses filmes e pensava: “Isso é o que a gente tem de melhor a oferecer? Puta merda, o cinema nacional não vai engrenar nunca mesmo. Não tem lei de incentivo à cultura que dê jeito nesse bairrismo, nesse cinema de colonizados que a gente faz.”

Mas daí vieram (não em ordem cronológica): “O Homem que Copiava”, “Redentor”, “Brasília 18%”, “O Auto da Compadecida” e uma série de outros filmes que me convenceram de que alguém sabia o que estava fazendo. Filmes bons, com atores bons, enredos criativos e narrativas interessantes. Foram filmes que me fizeram mudar de opinião, e admitir que a gente sabe sim fazer cinema, pelo menos tão bom como as produções de língua inglesa.

E quando eu finalmente vi “Cidade de Deus”, eu mudei de opinião de novo. Eu decidi que nossas produções estavam muito além do que Hollywood poderia fazer. “Cidade de Deus” tinha todas as qualidades dos filmes citados no parágrafo anterior, mas mais do que isso, contava uma história que não poderia ser contada em nenhum outro lugar do mundo. Era tão próxima da gente, com personagens tão reais que era quase um documentário. Até hoje considero o filme o melhor exemplo do que o Brasil faz em cinema.

 A comparação com vídeo-game não é gratuita.

“Tropa de Elite” foi o segundo filme a me comover tanto como “Cidade de Deus”. Minha personalidade naturalmente anárquica tende a me predispor contra filmes que fazem apologia á autoridade, nesse caso o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Não gosto de ver esses aparelhos repressores do estado tratados como órgãos privilegiados, com poderes acima daqueles do cidadão comum. Mas como todo bom fã de filmes violentos, eu não podia evitar dar uma olhada no filme.

O filme é um baita tapa na cara. Os roteiristas não fazem questão nenhuma de esconder que a tropa de elite realmente se considera acima da lei, e que seus membros são formados dentro dessa concepção. E eu me surpreendi em ver o filme tratando isso com tanta naturalidade. Achei honesto. Achei coisa de macho. Não tentaram esconder o lado podre da polícia, expondo os problemas comuns a todo órgão com poder demais e recursos financeiros de menos. Não tentaram justificar ou fazer julgamentos sobre a situação; simplesmente retrataram e expuseram o que acontece. Quem decide se gosta ou não gosta, se acha bom ou ruim, é o telespectador. A “novela da vida real” se estende a outros temas como o pseudo-engajamento das ongs, o uso de tóchico e dogras pelos adolescentes de classe média, os entorpecentes como veículo de financiamento do crime organizado e tudo isso que costuma aparecer na capa da Veja.

Mas o enredo não importa muito em Tropa de Elite. Não que ele seja desinteressante, mas é melhor que você não saiba antes, pra receber o filme com todo o impacto que provavelmente foi planejado pelos produtores. A narrativa segue essa tendência mais ou menos recente de contar a história de trás pra frente, e depois explodir com a cabeça do telespectador no final. Eu gosto, ajuda a prender a atenção. A vida não acontece de forma linear.

E pra você que não está muito interessado nos aspectos técnicos e nem na crítica social do filme, saiba que você vai ficar mais feliz do que pinto no lixo. Todas as minhas expectativas de violência, tiros e mortes foram plenamente preenchidas com o filme. Tudo que eu esperava está lá: o treinamento foda dos aspirantes ao Batalhão, as táticas de invasão de favelas, os confrontos com traficantes, mortes de policiais e mortes de bandidos. O melhor filme de “polícia pega ladrão” que eu já vi nos últimos anos. Em vários momentos a parada vira um vídeo-game mesmo, entretenimento puro. “Entretenimento” para quem está devidamente dessensibilizado para esse tipo de violência, lógico. Sua avó e a patrulha cor-de-rosa talvez não gostem do filme, por ser “muito violento”.

 O filme tem mais presunto do que a padaria da esquina.

Tão boas como as cenas de ação, são as cenas em que se mostra o dia-a-dia da polícia e dos traficantes. É tão real e tão satisfatório de assistir que você fica puto de saber que uma hora o filme vai terminar. Fica aquela sensação de “porra, mas eu quero saber mais, eu quero ver mais da vida desses caras, eu não sabia que isso funcionava desse jeito”.

Pra completar, todos os atores são excepcionais. Se fossem todos desconhecidos, como aconteceu em “Cidade de Deus” (depois do filme todo mundo ficou famoso), seria ainda mais espetacular. O Wagner Moura está muito bom no papel de Capitão Nascimento, o cara é um ótimo ator em qualquer coisa que faz. Mas o problema é que eu não consigo olhar pro cara e não pensar no playboy da novela das 8 que come a Camila Pitanga. Seria melhor para o filme se fosse um ator desconhecido naquele papel. Mas aí, só estou reclamando porque eu sou chato mesmo.

 Desentoca, vagabundo.

Em resumo: filme bom pra caralho. Tão bom que eu quis escrever sobre ele pra vocês antes de qualquer um (Desculpa, Comandante Paulo Jr. Rompi a cadeia hierárquica.). Vou assistir ao filme DE NOVO no cinema. É definitivamente o tipo de produção nacional que eu quero apoiar com o meu dinheiro.

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • TROPA DE ELITE, OSSO DURO DE ROER, PEGA UM, PEGA GERAL, TAMBÉM VAI PEGAR VOCÊ!
    Que troço bem tri, pelamordedeus!!!!!!!!

  • Joao

    Ja joguei commandos XD

  • Friederichs

    cara, eu vi uns pedaços no YouTube. Velho , oq mais me atrais nesse filme é: “finalmente trafico toma um pouco.” memso q seja fora da realidade, é legal.

    Mas os personagens, até onde eu vi tb são muito bem trabalhados, agora é ver como tano cinema!

  • Muito bom. Confesso que assisti o genérico, mas vou assistir no cinema e comprar o DVD. MESMO!

    Eu li em algum lugar que essa versão que tá rolando pelas bancas piratas é a versão da terceira edição do diretor. Ou seja, não é a versão final do filme que vai passar no cinema. Segundo o diretor, a versão final que vai passar no cinema recebeu mais de um milhão de dólares de investimento. Putz.

    Se a versão não finalizada tá tão boa… imagina a finalizada. Não sei como não escolheram Tropa de Elite pra concorrer ao Oscar. O outro é bom vai… mas Tropa é melhor.

  • atillah

    É verdade Cipriano. Também fui informado de que a versão que vai para os cinemas tem alguns minutos a mais, entre outras pequenas adições. Mas mesmo que fosse exatamente a mesma merda do genérico, ainda assim eu iria rever no cinema.

  • Bel

    Também acho que fazem alarde em cima de uns filmes nacionais caidinhos, mas tem uns que ficaram excepcionalmente bons.
    Algum dos meninos upou aqui o trailer desse filme… fiquei com muita vontade de ver. Depois da sua resenha, então…

    bitoca.

  • Joao

    pô, durmiu! não atualiza o site a anos

  • Bruno.com

    apesar de achar que o filme só foi feito com o propósito de vender (o que ele conseguil) eu vi o filme e a produção ta bem boa, assim como as tomadas na favela e etc … porém achei muito exagerado esse troço de “brasileiro fala palavrão, e usa palavras como porra e cacete a toda hora, e, pra amenizar, as vezes usa pica e etc”, acho muito estupido e forçado isso, mas enfim, bom filme, mas longe de se encaixar com meu gosto.

    ps. o wagner ta muito bom nesse filme, porém, pelo amor de deus, nao venham me dize que aquele cara q faz o traficante super fodão ta bom pq ele estrago o papel do filme.

  • Careca

    Nao vi o filme ainda, nem na versao generica. Nao tive oportunidade!!! Mas com toda certeza vou ver no cinema!!!!

    Tomara mesmo que nao estejam fazendo apologia aos Zome!! Acho que vou sair da sala de cinema com mais indignação que ja tenho, contra qualquer policial e traficante. No Brasil autoridade nenhuma merece elogios ou qualquer tipo de seguidores ou defensores, nao que eu defenda bandidos, mas policiais nesse pais tropical, nao passam de porcos fardados!!! Como dizem bandido bom é bandido morto, entao metade ou mais dos presuntos vao vestir farda!!!

  • Alexsandra

    o filme tropa de elite e muito bom.. ele mostra tudo o que acontece mesmo..

    pois existe sim muitos policiais corruptos que so querem o dinheiros e continuar com o trafico.. dando armas e ajudando a colocar mais drogas no mundo.
    esse policiais que fazem isso deve estar juntos com ele.. na CADEIA pois é um lugar onde eles não podem sair.
    Os policiais do B.O.P.E estão certos de esculacharem os militar por que são outros bando de corruptos que ao invés de ajudar eles acabam atrapalhando.
    pois pelo fato de haver muitas drogas no mundo daqui uns dias crianças ja vão nascer usando drogas.. o BRASIL tem que pensar um pouco nisso e ajudar a quem precisa e não colocar qualquer um pra ser um policials sendo que ele não tem copetência nenhuma para proseguir o cargo recebido.

  • Letícia

    Cara, acabei de ver o filme a uns 10 minutos.
    Foi bom ver um pouco o lado da polícia nessa história toda, depois de ver a história do tráfico contada pelo morador da favela em Cidade de Deus. Bem esclarecedora, essa história. É até difícil formar opinião, é uma realidade complexa demaiss. Quanto mais eu vejo, mais eu não sei o que acho…

    Mas quanto ao filme… impossível não compará-lo com Cidade de Deus, mas Cidade de Deus é o ápice, não tem jeito…
    Torço pra que essa realmente não seja a obra final, que tenha um bom verniz ainda.
    Wagner Moura… só elogios. Ele conseguiu limpar a imagem do Olavo… não completamente, claro, mas ali era realmente o Capitão Nascimento, e não o Olavo.
    Os coadjuvantes, os ‘aspiras’, muito bons nos papéis também…
    O treinamento pro BOPE, meu Deus, que loucura…
    Tem muito ‘poorra’, né… mas vá lá, eu não reclamo dos ‘shits’ da vida, então…

    Antes tarde do que nunca, né.

  • _|_

    Pow vei essi filme e muito doido kara

    mo loko msm

  • o filme é tão bom e tão atual que nem parece uma produção naciomal
    retrata a realidade da PM do Rio de janeiro e mostra que vida de policia não é fácil

  • O filme é bom pacaraleo, e eu nunca vi a novela das oito, então não faço idéia de quem seja Olavo. Achei Wagner Moura excepcional, e acho que esse negócio de ficar associando ator a um papel é coisa de brasileiro da época que não existia filme nacional decente.

    Quanto a falar palavrão á beça (não é bairrismo,juro), os meus amigos cariocas falam muito mais palavrão que os paulistas. Usam “caralho” como vírgula, falam “putaquepariu” pra qualquer coisa boa ou ruim, e a palavra “porra” é sinônimo de qualquer coisa. Numa situação como aquela, num ambiente cheio de machos e tal, acho que a coisa se agrava, né não?

  • Jacquile

    Nossa!

    Esses policiais me deixaram louca de tesão, é cada um que fico doida pra pegar um desses!

    Filmaço!

  • Priscila Gil

    Me perdoe a critica porém descordo parcialmente de você, pois adorei aliás, adoro Carlota Joaquina e particularmente sou apaixonada pela história do Brasil e esse foi um dos motivos de não ter gostado do filme Tropa de Elite, acho que não precisamos de ver violência para sabermos que ela existe!!
    Mas adimiro sua opnião.

  • atillah

    @ Priscila Gil

    E eu admiro o fato de você já ter pedido perdão antecipadamente pela crítica. Só por causa disso não vou estragar seu velório =)

  • bel

    você esqueceu de botar SUMÍRIO no texto.

  • atillah

    Porra Bel

    Até Tu, Brutus?

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