Por que expandir nossos gostos musicais?

Música quarta-feira, 28 de novembro de 2012

De um tempo pra cá venho refletindo sobre os gostos de modo geral, e pensando nas implicações desta importante parte de nós sobre o que somos e nosso potencial como pessoa pensante (Por mais que acredite que a boçalidade é o caminho para todos nós). Neste texto, vou falar especificamente sobre música, porém o sentido vale para qualquer outra coisa, como cinema, literatura e conhecimento de modo geral.

Dentro desta reflexão eu fiz uma avaliação sobre mim mesmo, que sou a única pessoa que conheço todos os gostos, e notei que quanto mais eu fui amadurecendo, de coisas mais variadas eu fui gostando. Em 2004, quando tinha 14 anos, eu aboli de vez qualquer traço de música infantil ou bandas que não possuem nenhuma relevância cultural, como por exemplo Charlie Brown Jr., que eu gostei até certa época, escutava basicamente Black Sabbath, Led Zeppelin, Raul Seixas, Deep Purple e Pink Floyd. Para escutar estas bandas e me posicionar com um verdadeiro fã de rock and roll, que era minha identidade principal na época, me fechei a outros estilos.

Porém, progressivamente fui aderindo a estilos que eram relacionados com o rock, principalmente com o aprofundamento no rock progressivo e o blues. Dai para escutar jazz foi um pulo (Apesar de ainda ser de todos os estilos que eu vou falar aqui o que eu menos escuto). Do rock progressivo parti para conhecer bandas brasileiras e outras de várias partes do mundo e isso foi muito importante, uma vez que como todo adolescente eu tive minha fase de revolta com a cultura nacional, principalmente por crescer bem na época da popularização do funk carioca. Ao começar escutar o rock brasileiro para além do Raul, fui me abrindo para os estilos criados aqui, como bossa, samba e mpb. Claro que não tudo de uma vez, atingindo o ápice hoje em dia, fazendo parte da minha maior maturidade com relação à fruição das artes e do conhecimento em geral.

Bom, conversas a parte sobre mim, o que eu quero dizer com tudo isso, além de que eu escuto várias coisas diferentes? Simplesmente que hoje eu me sinto uma pessoa um pouco mais instruída. Note que eu não me considero uma pessoa eclética. Eu escuto estes estilos e mais alguns outros, porém não sou uma pessoa que escuta tudo; primeiramente a música tem de ser boa e por boa eu digo boa, no sentido deste post, segundo tem que me agradar, logicamente.

Isto tudo que eu disse tem relação com um fenômeno que é bastante observado em vários meios, principalmente o acadêmico: A superespecialização. O que é isto? O indivíduo pega uma pequena parte do conhecimento, como por exemplo, o cocô do cavalo do bandido, e aprende tudo daquilo, porém se o cocô for do cavalo da polícia, ou se não for o cocô e sim a urina do cavalo, o animal não sabe nada (E note que não estou falando do cavalo). Isto para mim é o fim da picada, nos torna pessoas limitadas. Eu particularmente prefiro saber um pouco de tudo do que muito de muito pouco (Apesar de que na verdade eu não sei nada de tudo). Antigamente os intelectuais eram eruditos, versados em várias formas de conhecimento. Da Vinci era pintor, engenheiro e provavelmente várias outras coisas; Sócrates foi filósofo, matemático e pederasta de plantão. Enfim, os caras sacavam de tudo.

Para terminar, o que eu tinha para dizer era isto, limitando nossos gostos acredito que nos tornamos pessoas limitadas, por não termos outros conhecimentos e nos restringimos e a verdade é que conhecer cada vez mais, de cada vez mais coisas é importante para nossa formação pessoal, ou então não saberemos nos virar quando sairmos de nossa zona de conforto.

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  • Aline

    Simplesmente adorei esse post! Passei o mesmo que você passou aos 14, mas antes, aos 11 anos, lá pelos anos 2000. Comecei descobrindo a 89, que na época era a Rádio Rock, depois veio a Kiss e aí o mundo se abriu. No meu caso passei do rock oitentista e clássico pro punk, e daí pros mais pesados, como o Heavy e o Power… De uns tempos pra cá passei a ouvir coisas diferentes, como um blues, samba, MPB. Conheço gente que apesar da idade ainda tá na fase xiita, de achar que só rock é bom e que outros estilos não prestam, isso sem nem ter ouvido nada. Concordo contigo quando diz que limitar os gostos nos limita como pessoas, porque não nos deixa ampliar os horizontes, não nos deixa conhecer coisas novas e aprender com elas. Enfim, nota 10 teu post!

  • Arthur

    Muito obrigado! E essa definição sua de Fase Xiita é perfeita.

  • ClaytonSlayer

    Ouvir estilos diferentes de música, ler diferentes gêneros da literatura ou variar o tipo de filme só nos enriquece (culturalmente, pois financeiramente empobrece. E muito). E, diferente do que dizem os xiitas de estilo, pode-se, sim, gostar de músicos totalmente díspares e só gostar de música boa. Taí o Bacon que é o retrato dessa filosofia, mesmo mandando os leitores à merda vez por outra.

  • Arthur

    Cara, é que como a gente não recebe, mandar os leitores a merda é a única coisa que nos move.

  • Larissa

    Sensacional o texto. Gostei particularmente da parte que você falou da superespecialização. Concordo totalmente. :)

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