Popularidade é necessariamente algo bom?

Nona Arte quarta-feira, 11 de março de 2009

Watchmen estreou mundialmente há poucos dias, com um hype somente igualado por Batman: The Dark Knight. Eu posso dizer que eu estava grávido de Watchmen, uma vez que comecei a esperar pelo filme no meio do ano passado, quando vi o anúncio do lançamento no Judão.

Nota-se que as adaptações de HQs estão em alta: Batman, Watchmen, Homem de Ferro, Preacher… todas elas estavam sendo transportadas do papel para as grandes telas. E, com toda essa divulgação de HQs, as vendas obviamente subiram. Watchmen ganhou edições especiais por ocasião do lançamento do filme, Batman nunca foi mais popular (graças ao Coringa de Heath Ledger, claro) e o Homem de Ferro perdeu a ferrugem. Mas… isso é algo bom?

Não necessariamente.

Até onde eu pude perceber (em relação à maioria dos leitores do AOE, alguns amigos e minha pessoa), leitores de HQs são pessoas de garbo e elegância, com alto coeficiente intelectual, apesar de alguns serem vegetarianos e/ou tangas. Shame on you guys. Voltando ao assunto, nota-se que os leitores de HQs são pessoas com um conhecimento muitas vezes acima da massa. Afinal, não é qualquer um que aprecia Sandman, que são histórias em sua maioria profundas, que exigem certo raciocínio e abstração.

Mas, aí, a Warner lança The Dark Knight. Um filme foda, capaz de ser assistido em loop por dias a fio sem ficar desinteressante. E é aí que o problema começa. HQs não são baratas. Um volume de uma HQ de grande sucesso custa cerca de 50 dinheiros, não é qualquer um que pode comprar (sim, eu comprei quatro volumes de Sandman de uma vez só, mas estou dormindo na casinha do cachorro e me nutrindo de água da torneira do jardim e restos de alimento jogados no lixo da minha casa). Mas, uma entrada para o cinema custa o quê? Vinte royales no máximo, sem contar a pipoca. Aí, o Waldecyr Uólace Kaiky da Silva V1D4 L0K4 157 vai no orkut, vê que o “novo filmi du batimam” (que ele achou foda apesar de não ter entendido plicas) foi baseado numa HQ e faz o download via P2P para ler em casa (afinal de contas, é um noob que não sabe o que é torrent).

Pronto. É nessa hora que você pode gritar um FUDEU! com todas as forças que seu organismo puder reunir. A massa invadiu a nossa Bastilha e nós não podemos fazer nada, a não ser esperar que invadam o porão em que estamos escondidos e nos mandem pra guilhotina. Toda essa massa, agora, vai gradualmente se tornar uma horda de fanboys que não entendem nada do assunto, começarão a se misturar conosco. É o fim da era dos homens… e o início da era dos orcs bons leitores e o início da era dos trolls.

Corram para as montanhas.

Update:Como NINGUÉM lê os comentários para se informar melhor da minha opinião obre o assunto, que não é classista/burguesa/whatever, vou colar um dos comentários aqui pra ver se o pessoal entende:

1.Eu não tenho repulsa por um maior acesso a cultura.O que me incomoda é quando você vai num fórum sobre HQs e tá na seção do, sei lá, Batman, e vê o seguinte: tá lá o pessoal discutindo sobre o aspecto psicológico de A Piada Mortal, e chega um Uólace dizendo: “nuss q legau num sabia disso mas a parada eh muito massa lol” (e situações parecidas). Eu não tenho nada contra nenhum grupo sócio-econômico, o que me irrita são os malditos trolls que surgem com a popularização.

2.Não é síndrome de Underground. É manter os trolls do outro lado da cerca.

3.Você acha que Neil Gaiman ou qualquer outro roteirista de livros/HQs/filmes não liga pra qualidade dos seus fãs? Se eu fosse roteirista, ralasse pra produzir algo extremamente foda e aparecesse um infeliz dizendo que gosta do meu trabalho porque os desenhos são massas, mas que ele não entende plicas da história, levava um soco no meio da cara.

4. Não quero impedir o desenvolvimento social de ninguém. Mas a maioria do pessoal que descobre um autor porque ele se tornou muito popular acaba se tornando uma horda de trolls. Se o Uólace realmente se interessar pela coisa, se aprofundar, ótimo. Dou o maior apoio. Mas, se ele se tornar mais um flooder/flamer, quero mais é que ele se exploda.

5. Não penso em termos de exclusividade.

Em resumo: não tenho nada conta ninguém, só não quero que algo bom seja banalizado só porque ficou popular. Não ligo se você é pobre/rico, superdotado/burro, preto/branco. Eu ligo se você transformar a minha alegria de discutir Transmetropolitan nos fóruns em raiva por ver seus posts de “lol massa, num intendi”.Period.

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