Pois então…

Antípodas da Mente sexta-feira, 08 de maio de 2009

Resolvi contar algo que vivi durante minha passagem pela Ásia.

Alguns amigos íntimos já sabem, mas vale a pena repetir que estudei durante cinco anos em um colégio interno na Índia. Na época meu pai era um empresário gorducho e metido da Embraer (isso foi logo antes dele ser acusado de desviar dinheiro e iniciar a decadência da minha família que terminaria com esse mesmo gorducho, agora 10 quilos mais magro, pendurado na cristaleira da sala com uma corda em volta do pescoço); portanto viagens eram freqüentes.

No entanto, aquela situação era diferente: por conta de uma negociação entre a Embraer e uma desenvolvedora indiana de sfotwares direcionadas à aviação, minha familia teria de passar cinco anos em Bombaim. E lá fomos nós – nosso já falado empresário gorducho; um garoto loiro com curiosos olhos da cor do mel, por volta dos 9 anos; e uma passiva dona de casa, sempre sorrisos para seu filho e sempre resmungos para seu marido – criar algumas curtas raízes numa capital irritantemente populosa.

O desembarque já revelou as grandes diferenças culturais que teríamos de enfrentar. Em primeiro lugar, o avião teve que pousar em movimentada avenida, já que a pista de pouso do aeroporto estava tomada por, mais ou menos, 400 vacas, animais sagrados no país asiático em questão. A aterrisagem foi tensa e algumas dezenas de pobres indianos perderam a vida sob as rodas do orgulhoso avião verde-e-amarelo da Embraer; mas por sorte estávamos na Índia e a morte de um cidadão tem pouca importância quando a taxa de natalidade é de 100 mil por minuto.

Em seguida, por falta de uma escada de desembarque (por Vishnu, estávamos no meio de uma avenida, afinal de contas), 570 indianos, funcionários do aeroporto obviamente, formaram uma escada humana para que nós, ocidentais e ricos, pudéssemos descer com toda a segurança e conforto que nós merecíamos. Uma coisa ficou gravada naquele momento em minha cabeça: não poderia sair daquele país sem um bebê indiano de estimação!

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