Plágio ou influência?

Música sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O pop/rock nacional já nos legou bons plágios, citações e coisas do gênero. Muita gente pensa que o rock feito pela famigerada Jovem Guarda nos anos 60 tinha alguns plágios/versões, e etc, mas na verdade, TODAS as músicas daquela época praticamente não eram originais. Igual a hoje em dia e igual a os anos 80, que até hoje era considerado o grande nascimento do rock nacional. Na verdade não foi bem assim. Vocês devem ter visto o Victor Barão falando sobre isso nos videos do Scriptease, mas como eu também não sei ser muito original, vamos da uma olhada na minha lista maldita:

CAMISA DE VÊNUS

O camisa roubou, na maior cara de pau, refrões, letras e músicas inteiras, sem dar crédito. Marcelo é novidade só no nome. Entre os melhores plágios deles estão Controle Total (Versão em português sem crédito para o original de Complete control, do The Clash, mas o disco vinha com a inscrição inspirada no Clash), Sílvia (inspirada em Sorrow do David Bowie), Passa tempo (Na verdade, That’s entertainment, do The Jam), O adventista (I believe, dos Buzzcocks) e Só o fim (Essa eles se superaram: DUAS músicas dos Rolling Stones juntas, Gimme shelter e Time waits for no one).

IRA!

O grupo de Nasi, Edgard, Gaspa e André foi acusado de ter plagiado um poeta português chamado Reinaldo Edgard Ferreira. A banda tinha feito Receita para se fazer um herói e a letra era igualzinha a um poema do portuga chamado Receita de herói. O problema é que a letra tinha sido feita por um amigo da onça de quartel do Edgard chamado Esteves, e a banda tinha gravado a música sem nem pedir permissão ao tal amigo (Tanto que o disco Psicoacústica tinha nos créditos a frase ‘Esteves, cadê você?‘). O Ira! aproveitou ainda a levadinha de Start!, do The Jam para fazer Longe de tudo.

PARALAMAS DO SUCESSO

Um antigo amigo de faculdade de Bi Ribeiro acusou a banda de ter plagiado uma obscura banda de reggae africana em Alagados. E um radialista de São Paulo lançou o boato de que O beco, sucesso da banda de 1987, tinha sido chupado de Johnny B. Goode, na versão de Peter Tosh. Lobão acusa Herbert & cia de plágio mais ou menos desde 1983, quando os Paralamas lançaram o disco Cinema mudo e Lobão enxergou semelhanças entre o título desde disco e o do seu LP Cena de cinema (Fora a maneira de cantar de Herbert, que ele diz ter sido decalcada do modo como ele cantava no início da carreira). Isso sem contar que ele diz que a faixa título do disco é plágio de uma música de seu ex-guitarrista Guto Barros, chamada Rastaman in the army (Herbert disse que Cinema mudo nasceu num show que a banda deu em Canela -RS, anos antes disso tudo). Depois Lobão reclamou de “plágio conceitual” de Me chama em Me liga, também dos Paralamas, e disse que Herbert teve a idéia para fazer Alagados e o disco Selvagem ao ouvir sua música Revanche (Que tinha o verso “a favela é a nova senzala“).

CAPITAL INICIAL

Dinho & cia. pegaram o “hu ha hu ha” de Pedra na mão de Welcome to the pleasuredome, do Frankie Goes To Hollywood. E os acordes de A noite inteira de Passenger, que eles também regravaram em português.

LEGIÃO URBANA

Renato Russo pegou o “hey white boy/what are you doin’ in the town?” de Waiting for the man, do Velvet Underground, e inseriu na cara-dura em Mais do mesmo (“hey menino branco/ o que você faz aqui?“). Mas a Legião até costumava dar crédito às citações que pegava por aí. Uma das mais curiosas é a de que o grupo teria pego trechos da melodia de O bêbado e a equilibrista (De João Bosco e Aldir Blanc, mas imortalizada por Elis Regina) para incluir em Perfeição. Mas isso é o de menos que se pode esperar de um cara que imitava a dancinha do Morrisey e o timbre do Ian Curtis.

BIQUINI CAVADÃO

Bruno Gouveia e seus asseclas foram acusados pelo jornalista Álvaro Pereira Júnior de plagiar In between days, do The Cure, em Escuta aqui. O problema é que In between days é plágio de Dreams never end, do New Order. Então ladrão que rouba ladrão também é ladrão do mesmo jeito.

MUTANTES

Rita, Arnaldo e Sérgio deram uma chupadinha cara-de-pau nos Rolling Stones também: Praticamente criaram outra música em cima da melodia de Brown sugar, fazendo Beijo exagerado. Além disso, o riff de Time of the season, dos Zombies, paira sobre Ando meio desligado. Cesar Baptista, pai de Arnaldo e Sérgio, palpitou sobre músicas dos Mutantes e escreveu letras inteiras para eles, como a de Tempo no tempo, e não recebeu crédito, provavelmente por opção própria (Ele era secretário do político Adhemar de Barros e não pegaria bem aparecer como parceiro de uma banda de rock).

TITÃS

O então octeto paulista chupou o arranjo de I’m free, do Who, deu uma mexidinha básica e meteu no final de Desordem (Do disco Jesus não tem dentes no país dos banguelas), além de copiar umas frases de Damaged goods do Gang of Four para incluir em Corações e mentes, do mesmo disco. AH! E Cabeça Dinossauro é chupado de Cadê as Armas, das falecidas Mercenárias.

ENGENHEIROS DO HAWAII

Há rumores de que a letra de Infinita highway tenha sido chupada de uma música dos Talking Heads chamada Road to nowhere. Além disso, Humberto não quis que Terra de gigantes fosse a música de trabalho do disco A revolta dos Dândis porque achava que a música, no fundo, era plágio de Filho único, de Erasmo Carlos (Que também tinha um “hey mãe” no início).

 Tem banda que faz plágio até de si mesma…

KID ABELHA

Ao que consta, o Kid pegou a intro de London calling, do Clash e deu uma entronxada pra encaixar na intro de Educação sentimental II. Mas vocês sabiam que London calling pagava tributo, em sua introdução, a Odorono, uma obscura composição do The Who? E ainda tem Como eu quero, que durante anos foi acusada de ser plágio de Time after time, da Cindy Lauper. Sobre isso, o produtor Liminha se manifestou com rara sinceridade: “E daí?”

RAUL SEIXAS

Raul foi um maiores plagiadores da história da música nacional e mundial. Passou incólume e praticou por muitos e muitos anos a fellatio musical. O único admitido foi o de Rock das aranhas, que Raul disse ter copiado de um antigo rock gravado por Elvis Presley, Killer driller, mas o mais cara de pau é S.O.S., idêntica a Mr. Spaceman, dos Byrds. Isso sem falar de Eu nasci há dez mil anos atrás, homônima de um country gravado também por Elvis (I was born 10.000 years ago), Loteria de babilônia, cujo final é chupado de How many more times, do Led Zeppelin (Que já era chupada de The hunter, um antigo blues de Albert King) e a pouco conhecida O dia da saudade, que mistura duas músicas dos Beatles (Argh!), Back in the U.S.S.R. e Get back.

ULTRAJE A RIGOR

Logo assim que saiu o compacto Eu me amo/Rebelde sem causa, em 1984, o jornalista musical Pepe Escobar falou a respeito de “influências” do grupo Madness na segunda música. E a revista BIZZ falou que Rebelde sem causa era bem parecida com a música L’Aventurier, de um grupo chamado Indochine. A BIZZ também lançou a pergunta: “De que música do The Police foi chupada a guitarrinha da introdução de Ciúme?“, mas ao que parece, ficou só nisso. Evandro Mesquita & a famigerada Blitz, lançaram em 1984 a música Egotrip, quase ao mesmo tempo que o Ultraje a Rigor lançava Eu me amo, e as duas músicas tinham refrões idênticos.

TIHUANA

O grupo foi acusado de ter copiado Praia nudista, seu primeiro sucesso, de uma banda latina, e Pula!, seu segundo hit, de uma banda chamada King Kong de Konga. Em ambos os casos ficou difícil negar a acusação. Eu ia citar o Charlie Brown Jr. aqui também, mas ia tomar o texto da matéria toda explicar quais músicas do Fugazi eles copiaram.

JORGE BEN

O velho suingueiro mandou bala em Rod Stewart, que teria copiado o refrão de Do you think I’m sexy? do “tê-tê-teteretê” de Taj Mahal. Rod conseguiu transferir a culpa para seu parceiro Carmine Appice e, quando foi obrigado a ressarcir Jorge, anunciou que tinha doado toda a grana da música para a UNICEF, o que fez com que Benjor não conseguisse receber até hoje a grana do plágio. Só que Benjor também andou recebendo acusações: Sua música Todo dia era dia de índio foi acusada de ter trechos surrupiados de uma matéria do Jornal do Brasil, lançada nos anos 70 e ainda foi acusado (Injustamente) de ter usado o nome do jogador Fio Maravilha do Flamengo sem autorização, mas isso foi uma grande sacanagem.

ZÉ RAMALHO

Pegou uns trechinhos de uma história do Incrível Hulk (Isso mesmo, do Incrível Hulk) e compôs a letra de Força verde. Depois admitiu ter realmente pego trechos da historinha, mas que não deu crédito porque não sabia como ia fazer para colocar o nome do parceiro.

ROBERTO & ERASMO

A dupla foi acusada pelo músico Sebastião Braga de ter copiado a melodia de O careta, de uma canção do cara chamada Loucuras de amor, curiosamente, Sebastião (Seria um parente perdido do Rei?) vem se dando bem nos tribunais e o agravo regimental de Roberto & Erasmo (Que já tentaram reverter a ação diversas vezes) foi até negado.

MORRIS ALBERT

Feelings… uôu, uôu, uôu, feelings…” Sim, o único sucesso do coisa-nossa Maurício Alberto Kaissermann (Nome verdadeiro do cara) também foi acusado de ser plágio. O plagiado em questão foi o francês Louis Gaste, que reconheceu em Feelings trechos surrupiados de sua música Pour Anne. Morris foi considerado culpado e, mesmo sendo obrigado a ressarcir Gaste (E a colocá-lo de parceiro na música), até hoje nega o plágio. Recentemente, Morris processou a banda norte-americana Offspring, que fez uma versão da música com trechos modificados. E perdeu.

PATO FU

Esse foi o melhor de todos os plágios da história da música. O ex-Sexo Explícito Rubinho Troll pegou Alfômega, uma música semi-desconhecida de Gilberto Gil (Gravada por Gal Costa nos anos 60), botou outra letra em cima da original, chamou de A necrofilia da arte e mandou para os amigos do Pato Fu, que gravaram a música no disco Televisão de cachorro. Antes de gravar, porém, o pessoal do Pato Fu teve o bom senso de procurar Gil, que adorou a música e deu parceria para Rubinho.

 Será mesmo?

ESSA MATÉRIA
Eu, obviamente, copiei de diversas matérias encontradas em minhas revistas BIZZ e SHOWBIZZ velhas. Até porque, não se pode esperar muita originalidade de um camarada que resolve usar o pseudônimo de Chinaski.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Pato Fu também chupou melodia dos Muppets.

    (adorei essa frase)

  • Alex

    Cabeça Dinossauro catou o baixo de Overkill – Motorhead que eu to sabendo

  • A música brasileira caiu no meu conceito =(

  • Anônimo

    É bem verdade essa história toda, mas isso acontece nas melhores famílias. Os gringos também se copiam e alegam que foi influência. Red Hot e Coldplay são casos relativamente recentes. E se procurar acha…

  • Nhomatare’ÿ

    Putz, meu, e eu achando que esse porra desse Morris Albert era yankee!! kkkkk

  • Marcus Braga

    Não entendi falar de legião , Ele não copiou vamos assim dizer ele apenas complementou em seus discos e na sua dança o seu timbre por que ele teve suas influencias e por isso vc critica ? pf , quando você escrever letras espetaculares como a que ele escreveu e que você vem falar borracha que na vardade não sabe nem o que diz , agente bate um papo :)

  • bbonic

    E o que dizer do Falcão, quantos plágios sem créditos no dico “A um passo da MPB”, heuaheauhe

  • jonathan

    Tem muitos ai que não tem nada a ver. Do Engenheiros, do Renato Russo (se fosse por isso, quem fala eu te amo na música, está plagiando milhares de outros), do Como eu quero (nada a ver com Time After Time) e esses que o retardado do lobão acusa o hebert viana. E mais, Loteria da Babilônia, na verdade, é um plágio de Polythene Pam dos Beatles. Se o Led Zeppelin chupou os Beatles, ou Raul chupou os dois, ai eu já não sei. Quanto a Eu Nasci Há 10 mil anos atrás, acredito que ele aproveitou a ideia e fez outra letra, o que não deixa de ser cópia. Porém, a melodia que o Raul criou é diferente da original.
    O QUE FALTOU: Faltou Ladrão de Banco que o Camisa chupou de Bank Robber (The Clash), faltou Gita que o Raul copiou de No Expectations (Rolling Stones), Dezesseis do Legião Urbana que foi chupada de Your Pretty face is going To Hell (Stooges), Que País é esse (I don’t care, do Ramones) e deve haver mais.
    Mas enfim, há inúmeros casos de plágio na música internacional também. Led Zeppelin é o campeão deles. A diferença é que o rock nacional tem o sucesso restrito apenas ao Brasil (salvo Os Mutantes). Dizer que o Raul foi um grande plagiador da música mundial é brincadeira. Pode ter sido da nacional, mas não mundial. Quem lá fora conhece Raul Seixas? O verdadeiro grande plagiador da música mundial é o Led Zeppelin com mais de 20 cópias na discografia. Rolling Stones e Beatles também plagiaram mas isso não diminui as outras canções boas que eles CRIARAM. Da mesma forma, não diminui as boas canções que os rockeiros brasileiros criaram e as que os Led Zeppelin criaram.

  • Willer Rodrigues

    O “tchuru tchuru” do refrão de Natasha, do Capital Inicial, é uma cópia descarada de Hang Fire dos Rolling Stones.

  • Guilherme

    Eu acho que o final de “I’m free” do The Who muito parecido com o final da música Leila do Legião Urbana

  • Marcelo de Souza

    Na contramão, isto é, plágios gringos de originais brasucas, há o famoso caso de “Da Ya Think I’m Sexy”, de Rod Stewart (admitido pelo britânico em sua autobiografia, embora afirme tê-lo cometido inconscientemente), cujo refrão até um surdo identificaria como o de “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor.

  • Erick Leal

    Tá creditada, é citação mesmo, não é plágio.

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